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:: Por Alessandro Vianna ::

Ciúme é um sentimento que todo mundo tem, mas quase todos escondem. A maioria convive até bem com ele; porém é um sentimento extremamente forte, capaz de levar as pessoas às mais extremas consequências – mesmo pessoas maduras e de alto nível sociocultural. Exemplo disso foi o caso do jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, assassino da então namorada Sandra Gomide, que  a matou há 10 anos.

Também acontece na outra ponta, com jovens pobres, como foi com Lindemberg Alves, que  manteve a namorada Eloá Pimentel dos Santos sequestrada por mais de 100 horas em 2.008 num apartamento da periferia de Santo André , matando-a a seguir à vista de todos.

Estamos acompanhando agora a reconstituição do assassinato da advogada Mercia Nakashima que, para a polícia, é de autoria do ex-namorado Mizael Bispo de Souza, auxiliado pelo seu contratado, o vigia Evandro Bezerra da Silva. Como nos casos anteriores, o motivo teria sido  ciúmes.

Ainda em investigação, o provável assassinato de Eliza Samudio, a mando do goleiro  Bruno, do Flamengo, teria tido a participação da namorada dele, Fernanda Gomes de Castro. Por quê ela participaria disso ? Ciúme de Eliza? Medo que o namorado assumisse a ex-amante?.

O ciúme, embora quase sempre negado, é um sentimento tão comum em nossa cultura, que muita gente já foi absolvida no passado usando-o como justificativa.

Ainda hoje, penas são amenizadas e crimes maiores são acobertados alegando-se ciúme. Não seria esse o caso do assassinato do Cel Ubiratan Guimarães, comandante do Massacre do Carandiru em 1.992,  cometido em tese pela namorada Carla Cepollina após um ataque de ciúmes  no apartamento dele?

Então, estamos falando de algo muito sério, que deveria ser assumido, melhor entendido e mais observado por nós mesmos. 

Primeiro vêm a paixão, sonhos, juras de amor eterno. Um céu azul maravilhoso cerca o casal. Porém, algo de errado acontece. No céu, uma nuvem escura aparece e aquele castelo de amor parece estar arruinando, tirando o sentido da vida. Chocada por ciúmes, a pessoa se embriaga em dor e sentimentos que navegam entre a tristeza e o ódio. Confunde-se o real e o imaginário. O céu vira inferno. A dor toma conta do ser e tem que ser extirpada, aniquilada, independentemente das conseqüências. Daí vem o grande risco!

Ciúme é uma emoção instintiva criada pelo psiquismo como reação ao medo de perder e pode basear-se no real ou na imaginação. É quase sempre negado, porque demonstra a nossa falta de autoconfiança e aguça o nosso complexo de inferioridade; já que sempre pensamos que há uma outra pessoa.

Tudo piora quando começamos a ‘imaginar’ como será essa outra pessoa, ou quando a conhecemos e  nos comparamos a ela.

O ciúme está relacionado com a falta de confiança no outro ou em si próprio e, quando  exagerado, pode tornar-se patológico e transformar-se em uma obsessão.

Então vem a vontade de saber todos os passos do parceiro de controlá-lo e podem ocorrer agressões verbais e físicas.

O ciúme é sempre acompanhado por outras emoções negativas e poderosas: medo, ansiedade, incerteza, insegurança, desconfiança, humilhação, tristeza, desgosto, raiva, descontrole, vingança, depressão…

Enquanto algumas pessoas conseguem lidar bem com essas emoções e todas as outras que o ciúme provoca, administrando até bem aquilo que sentem; outras não conseguem contê-las e precisam expressá-las ao seu companheiro; quer em tom de vitimização e proteção, quer em tom acusatório e possessivo.

O ciúme saudável :
Temos que considerar que o amor verdadeiro traz a cumplicidade e o compromisso pela felicidade mútua. Ainda que possamos sentir, em alguns momentos, uma pequena dose de ciúmes, é necessário aprender a lidar com as nossas inseguranças.

À medida em que vamos conquistando a autoconfiança, o respeito pelo espaço do outro, estaremos também cultivando a saúde dos nossos relacionamentos.

Todo aquele que se dispõe a amar e a viver um bom relacionamento, zela pelos cuidados necessários à sadia convivência com a pessoa amada. Por isso, não faz do outro objeto de sua propriedade. Por mais que amemos a pessoa ao nosso lado, não temos o direito de posse da sua liberdade.

Para não perder um grande amor ou não sofrer de ciúmes. a grande dica é: Faça-o admirar sempre! Busque recursos para isso e seja criativo. Tratar bem, controlar o ciúme, deixar a pessoa viver e “respirar” independente de você, fará com que a admiração seja tanta, que nunca se imaginará sem um parceiro tão fantástico e cúmplice.

Cuide muito bem de você para ser admirado. Ninguém o amará se você não se cuidar e, principalmente, não amar a si mesmo!

Lembre-se sempre: os ciúmes destroem uma amizade, um namoro, um casamento, uma igreja, uma família, uma equipe de trabalho, etc. Caso sofra deste mal, não deixe nunca de procurar ajuda, pois você merece ser feliz.

:: Alessandro Vianna é psicoterapeuta.