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Apesar de o Ministério da Saúde disponibilizar a pílula do dia seguinte como um dos métodos para prevenir a gravidez na adolescência, poucos jovens conseguem tirar proveito desse recurso. Eles esbarram na falta de preparo de profissionais da saúde, que deveriam dar orientações.

A Faculdade de Saúde Pública da USP ouviu 300 adolescentes paulistas entre 12 e 20 anos e 60 profissionais da saúde para investigar a percepção desse público sobre o método. Para 8,3% dos profissionais entrevistados ela serve como abortivo. “Muitos são contra porque desconhecem que ela não provoca um aborto”, diz Fernando Lefèvre, um dos coordenadores do estudo.

A pílula – que impede a fertilização do óvulo pelo espermatozoide– deveria ser prescrita pelo médico e ingerida até 72 horas após a relação sexual desprotegida. “Esse tempo é praticamente insuficiente para marcar uma consulta ou procurar orientações mais detalhadas”, observa Lefèvre. Por isso muitos jovens recorrem às farmácias e acabam seguindo recomendações de balconistas.

O estudo também revelou que a grande maioria dos jovens entrevistados é a favor da pílula, mas eles também não conhecem bem seu funcionamento. Para 30% dos homens e 45,26% das mulheres ela serve simplesmente para evitar uma gravidez. Apenas 17,14% deles e 13,36% delas dizem que esse método só deve ser usado em situações de emergência ou de sexo inseguro.

A Gravidez teen

No Brasil a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhas de adolescentes, número que representa três vezes mais garotas com menos de 15 anos grávidas que na década de 70, engravidam hoje em dia.

De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta quarta-feira, o Brasil tem a segunda maior taxa de gravidez entre jovens de 15 a 19 anos da América do Sul. Para 2008, o índice aponta 89 nascimentos para cada 1000 mulheres nesta faixa etária no País.

A grande maioria dessas adolescentes não tem condições financeiras nem emocionais para assumir a maternidade e, acabam sobrecarregando a família com mais uma responsabilidade, comprometendo seus estudos e sua formação.

A gravidez precoce está se tornando cada vez mais comum na sociedade contemporânea, pois os adolescentes estão iniciando a vida sexual mais cedo. O prazer momentâneo que os jovens sentem durante a relação sexual transforma-se em uma situação desconfortável quando descobrem a gravidez, muitas vezes indesejada.

A gravidez na adolescência envolve muito mais do que problemas físicos, pois há também problemas emocionais, sociais, entre outros. Uma jovem de 14 anos, por exemplo, não está preparada para cuidar de um bebê, muito menos de uma família. Por serem muito jovens os rapazes e as moças não assumem um compromisso sério e na maioria dos casos quando surge a gravidez um dos dois abandona a relação sem se importar com as conseqüências. Por isso o número de mães jovens e solteiras vem crescendo consideravelmente.

Alguns especialistas afirmam que quando o jovem tem um bom diálogo com os pais, quando a escola promove explicações sobre como se prevenir, o tempo certo em que o corpo está pronto para ter relações e gerar um filho, há uma baixa probabilidade de gravidez precoce e um pequeno índice de doenças sexualmente transmissíveis.

Os principais fatores que contribuem para a gravidez na adolescência são:

  • Falta de informação sobre os métodos contraceptivos.
  • Falta de orientação da família, escola e sociedade.
  •  O uso de drogas e bebidas alcoólicas também interferem na contracepção.
  •  Algumas adolescentes planejam engravidar para tentar tornar realidade o desejo de se casar

Tirando as dúvidas:

1 – A Pílula do dia sequinte é também um método contraceptivo? Não. Como o próprio nome diz, ela deve ser usada em casos excepcionais e não como rotina como muitas mulheres estão fazendo. A dose alta de hormônio do medicamento, cerca de 20% a mais do que o existente em uma drágea de anticoncepcional, aumenta o risco de efeitos colaterais.

2- É igual a um aborto? Não. A pílula do dia sequinte tenta impedir a ovolação e criar um ambiente hostil para a fecundação.

3- Precisa de receita médica para comprar a pílula? Sim. Mas infelizmente mulheres têm acesso ao medicamento mesmo sem receita de um médico. Nesse caso, ela deve pelo menos se informar com um ginecologista para ser orientada em relação ao uso e aos riscos.

4- Quais as contra indicações? Não são poucas, daí a importância do uso após orientação e indicação médica. Não é recomendada para mulheres hipertensas, diabéticas, com atecedentes de trombose e fumantes com mais de 35 anos ( os riscos podem ser ainda maiores naquelas que fumam mais do que 15 cigarros por dia). A pílula poderá perder a eficácia caso ocorra vômito ou diarréia após a ingestão.

5- Tem efeitos colaterais? Os mais comuns são dores de cabeça, náusea, vômitos, inchaço, alteração menstrual e cólicas abdominais. Em alguns casos, pode ocorrer uma gestação ectópica, quando o embrião se desenvolve na trompa. Como é gestação inviável, torna-se necessária uma cirugia para retirada da trompa e do embrião ou um tratamento clínico com medicação quimioterápica.

6- Como a pílula deve ser tomada? Existem dois tipos. Um deles vem em dose única e o outro são dois comprimidos ( um ingerido logo após a relação e o outro após 12 horas). seja qual for o tipo deve ser usado no máximo 72 horas após a relação sexual. Quanto mais tempo demorar menor será a eficácia.

7- Mesmo tomando essa pílula é possível engravidar? Sim. Como todo método, há riscos de falha. Como já foi dito quanto mais cedo a pílula for tomada, maior sua eficácia.

8- O uso pode afetar o aparelho reprodutor? Pode. a curto prazo causa uma verdadeira revolução na reprodução hormonal da mulher. Já, a longo prazo, depende da quantidade de vezes que a pílula do dia sequinte foi usada. Quanto mais, maiores os riscos. Caso ocorra gestaçao ectópica, a mulher poderá perder uma trompa e isso dificultará uma futura gestaçao .

9- Ao utilizá-la estarei protegida até a chegada da menstruação? Não. Terá de se protegido somente da relação que aconteceu antes de ter tomado a pílula. Você precisa adotar um método contraceptivo para ser usado no dia-a-dia.

Fonte: Folha Equilíbrio

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Os distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia, já são a terceira doença crônica mais comum entre adolescentes, atrás apenas da obesidade e da asma. Estudos de universidades internacionais prevêem que cerca de 2% da população sofra com esse tipo de problema, em mesma proporção entre homens e mulheres até a puberdade, e depois, com predomínio feminino, de 10 mulheres para um homem.

“O distúrbio geralmente se inicia na adolescência e se desenvolve pela exposição do adolescente a constantes situações de estresse. Não existe uma causa definida, mas sabe-se que existe uma interação entre fatores genéticos, psicossociais e sócio-culturais”, diz o endocrinologista do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica / DASA, Dr. Frederico Marchisotti. Segundo o especialista, adolescentes são influenciados pelos colegas, pela mídia e pelo ambiente familiar no que tange a seus hábitos alimentares.

A anorexia é causada pela limitação da ingestão de alimentos devido à obsessão pela magreza e o medo patológico de ganhar peso. “O anoréxico mantém um peso corporal abaixo do normal mínimo para sua idade e altura e não acata a idéia de que está mais magro que o normal”, afirma o especialista. Já a bulimia é um distúrbio que tende a apresentar períodos em que se alimenta em excesso, muito mais do que a maioria das pessoas conseguiriam se alimentar em um determinado espaço de tempo, seguidos pelo sentimento de culpa, com a provocação de vômitos e ingestão de purgantes e diuréticos. “Um mesmo paciente pode apresentar fases de anorexia e fases de bulimia durante o transcorrer de sua doença”, explica.

O perfil do adolescente portador de distúrbio alimentar é de uma pessoa ativa, muitas vezes engajada em trabalhos voluntários, líder da turma, perfeccionista. Comportamento obscessivo-compulsivo e depressão também estão associados ao quadro. Abuso de álcool e drogas também são comuns.

O reconhecimento da anorexia pode ser feito através da observação de alguns comportamentos como o de reduzir a quantidade da refeição, “pular” refeições, desprezar a comida por debaixo da mesa, exercícios compulsivos, vômitos, medo exagerado de ganhar peso e baixa auto-estima. “A falta de menstruação nas meninas é também um sinal comum”, fala o endocrinologista. Já a queda da energia, baixo rendimento escolar e dificuldade de realizar exercícios sinalizam para quadro um pouco mais avançado da doença. Segundo Marchisotti, “o aspecto caquético do corpo é muitas vezes mascarado pelo uso de roupas largas. Cabelos finos e sem brilho, fraqueza, apatia e lentidão de raciocínio e movimentos também compõem o quadro”.

Como consequência, devido à nutrição inadequada, o adolescente com anorexia apresenta além do baixo peso, deficiência de crescimento e atraso no desenvolvimento da puberdade. O arrastar do quadro pode levar a um adulto baixo e com dificuldades de fertilidade. A falta de cálcio nesta idade pode levar a osteoporose no futuro, visto ser nesta época que os ossos adquirem seu pico de densidade mineral.

“A participação familiar é vital para a recuperação do paciente e a terapia familiar, para que os pais entendam como lidar com o filho portador de distúrbio alimentar, isso muitas vezes auxilia na obtenção de bons resultados. Não adianta tratar apenas o físico, é necessário também mudar a distorção psicológica de imagem corporal que o paciente apresenta em relação ao seu peso”, afirma o médico. Recorrências não são raras durante a adolescência, principalmente em situações de estresse, o que requer um monitoramento de longo prazo. Aproximadamente 40% dos anoréxicos se recuperam completamente, 35% melhoram bastante, mas continuam com alguma característica da doença, 20% sofrem de doença crônica e severa e 5% morrem.

Fonte: Assessoria de Comunicação Delboni Auriemo