Arquivo da categoria ‘Psicologia & Comportamento’

Por Eduardo Shinyashiki*

Reprodução – Imagem Google

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Quantas vezes nós tentamos atingir um objetivo e não conseguimos, falhamos em busca de um resultado importante ou simplesmente não temos sucesso ao tentar mudar uma situação, mesmo nos esforçando muito para isso? Diante de tais circunstâncias geralmente o ser humano tende a reagir com uma emoção bem específica: a frustração.

Esse sentimento é uma mistura terrível de profunda insatisfação com impotência e raiva. O trabalho é uma das áreas onde esse mix de sensações é mais vivenciado. A frustração leva o profissional a se sentir bloqueado em seu agir e, mesmo consciente que não está conquistando o resultado, não identifica o que fazer para melhorar a situação e continua assim, insistindo em ações inadequadas.

Mas como sair desse impasse? Como fortalecer a inteligência emocional e o autoconhecimento para estimular a automotivação e a persistência diante das decepções? Como lidar com as frustrações sem se sentir inseguro para crescer e melhorar constantemente?

Não basta apenas talento ou competência, é importante que se tenha pleno domínio sobre os sentimentos e as emoções. Para isso, algumas considerações se tornam essenciais:
• Às vezes é preciso dar um passo para trás e olhar como um todo para a situação que nos cria frustração. Assim como ensina o princípio base de judô, do Mestre Kano, é necessário que o aluno recue quando for atacado pelo adversário, para depois atacar com a mesma força. Isto é, ceder inicialmente para atingir a vitória final.

• Utilizar o sentimento de frustração a seu favor. Os antigos sabiam usar a frustração para obter resultados extraordinários. Alexandre, o Grande, por exemplo, na guerra contra a Pérsia, mandou queimar os próprios navios, colocando seus soldados em uma situação de extrema impotência e raiva para que eles tivessem ainda mais garra e motivação para conquistar os navios inimigos, caso quisessem voltar para casa. Dessa forma, a vitória foi conquistada mesmo com um número menor de soldados.

• Como dizia o filósofo chinês, Sun Tzu, conhecido por sua obra A Arte da Guerra: “A um inimigo cercado deve-se deixar uma via de escape”, pois se o inimigo enxerga uma saída, ele se retira, mas se não tivesse a via de escape, segundo o filósofo, ele entraria em uma situação de profunda frustração e utilizaria todas as suas forças para se defender e combater ao extremo em busca da vitória.

• Manter o foco no que se deseja realizar e não no que se quer evitar. O resultado é fruto de onde você vai centralizar a atenção. Regue com sua concentração as flores do seu jardim e não as ervas daninhas dos pensamentos negativos. Cuide da sua atitude mental: foque seus pensamentos em direção às soluções positivas.

É possível encarar os momentos de frustração como aprendizado e desafio a ser superado, rompendo assim com a visão limitada da vida de erros e acertos. Com isso, podemos continuar no caminho da realização com maturidade e confiança para atingir os resultados escolhidos.

* Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, especialista em desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos,  escritor e autor de livros .

 

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Por Maria Luiza Blanques Petty de Siqueira*

Reprodução – Imagem Google

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A Páscoa está chegando e, nesta época, surge uma legítima preocupação com os excessos. A grande oferta de ovos de chocolate, embrulhados em atrativas embalagens e, muitas vezes, acompanhados de brindes, faz com que muitas crianças exagerem no consumo de chocolate e ganhem peso acima do esperado.
O chocolate contém grandes quantidades de gordura e açúcar e, portanto, é um alimento bastante calórico. Além disso, alguns deles têm, em sua composição, gordura hidrogenada, reconhecidamente relacionada ao aumento da fração prejudicial do colesterol (LDL – colesterol).
Apesar dessas características, é possível desfrutar da Páscoa sem prejuízos à saúde. Para isso, seguem algumas recomendações aos pais:

Foto de  Matheus Tagé DL

Foto de Matheus Tagé DL

– Presenteie seu filho com um ovo de Páscoa de tamanho pequeno. Lembre- se: o tamanho do ovo não é diretamente proporcional ao amor pela criança. Comprar um ovo que tenha as características que a criança prefere (tipo de chocolate, personagem, bombom do recheio, etc.) fará com que ela se sinta suficientemente presenteada. 

– Converse com os familiares e amigos sobre os excessos. É bastante comum a criança ganhar um ovo de cada avô/avó, dos padrinhos, de amigos e de outras pessoas, fazendo com que ela tenha uma oferta muito grande de chocolate em casa e acabe consumindo exageradamente esse tipo de alimento.

– Caso a criança ganhe muitos ovos de Páscoa, converse com ela sobre a possibilidade de dar alguns a outras crianças ou procure congelar uma parte para que eles sejam consumidos ao longo dos próximos meses, até a data de vencimento do chocolate.

– Estabeleça limites para o consumo diário de chocolate. Um pedaço de mais ou menos 20g de ovo de Páscoa não recheado pode ser uma quantidade adequada de chocolate por dia.

– Oriente a criança a comer o pedaço de ovo de chocolate após as refeições principais ou nos momentos dos lanches e nunca enquanto estiver assistindo televisão ou usando o computador. Comer realizando outra atividade faz com que o indivíduo consuma o alimento rapidamente, sem prestar atenção nele, havendo necessidade de maiores quantidades para ficar satisfeito.

Apesar do excesso de oferta dos ovos de chocolate, a Páscoa pode ser uma boa oportunidade para a criança experimentar, ou comer mais uma vez, um delicioso bacalhau regado com azeite de oliva e acompanhado de legumes. Além de muito saborosos, são alimentos que contribuem para a saúde.

* Nutricionista Supervisora do Ambulatório de Obesidade da Disciplina de Nutrologia do Departamento de Pediatria da UNIFESP, Mestre em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UNIFESP, Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UNIFESP, Membro do GENTA (Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares)

e seus significados:

enviado por Clene Salles

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1 – “Certo”: Esta é a palavra que as mulheres usam para encerrar uma discussão quando elas estão certas e você precisa se calar.

2 – “5 minutos”: Se ela está se arrumando significa meia hora. “5 minutos” só são cinco minutos se esse for o prazo que ela te deu para ver o futebol antes de ajudar nas tarefas domésticas.

3 – “Nada”: Esta é a calmaria antes da tempestade. Significa que ALGO está acontecendo e que você deve ficar atento. Discussões que começam em “Nada” normalmente terminam em “Certo”.

4 – “Você que sabe”: É um desafio, não uma permissão. Ela está te desafiando, e nessa hora você tem que saber o que ela quer… e não diga que também não sabe!

5 – Suspiro ALTO: Não é realmente uma palavra, é uma declaração não-verbal que frequentemente confunde os homens. Um suspiro alto significa que ela pensa que você é um idiota e que ela está imaginando porque ela está perdendo tempo parada ali discutindo com você sobre “Nada”.

6 – “Tudo bem”: Uma das mais perigosas expressões ditas por uma mulher. “Tudo bem” significa que ela quer pensar muito bem antes de decidir como e quando você vai pagar por sua mancada.

7 – “Obrigada”: Uma mulher está agradecendo, não questione, nem desmaie. Apenas diga “por nada”. (Uma colocação pessoal: é verdade, a menos que ela diga “MUITO obrigada” – isso é PURO SARCASMO e ela não está agradecendo por coisa nenhuma. Nesse caso, NÃO diga “por nada”. Isso apenas provocará o “Esquece”).

8 – “Esquece”: É uma mulher dizendo “FODA-SE!!”

9 – “Deixa pra lá, EU resolvo”: Outra expressão perigosa, significando que uma mulher disse várias vezes para um homem fazer algo, mas agora está fazendo ela mesma. Isso resultará no homem perguntando “o que aconteceu?”. Para a resposta da mulher, consulte o item 3.

10 – “Precisamos conversar!”: Fodeu!! Você está a 30 segundos de levar um pé na bunda.

11 – “Sabe, eu estive pensando…”: Esta expressão até parece inofensiva, mas usualmente precede os Quatro Cavaleiros do Apocalipse…

:: Por Rosan Faria de Freitas ::
Enquanto o pessimista tende a ver e vivenciar o negativo, o otimista pode vislumbrar tudo cor-de-rosa e não perceber alguns riscos; o importante é encontrar o equilíbrio
É fato, no senso comum, que há pessoas otimistas e pessimistas, avaliadas assim a partir do comportamento que apresentam. No primeiro caso, eles são mais positivos e esperançosos; no segundo, negativos e pautados pelo desânimo.
No âmbito da psicologia, tais características têm relação com a capacidade de lidar com os instintos de vida e de morte presentes na psique humana, explica Cristiane Moraes Pertusi, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em psicologia clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), certificada em coaching pela ASTD, nos Estados Unidos.
Segundo a teoria psicanalítica, o homem carrega, dentro de sua estrutura emocional, estas duas forças pulsões ou instintos, havendo uma ambivalência nas dobradinhas alegria e tristeza, amor e ódio, afeto e agressividade.
“Então, na perspectiva clínica, o otimista teria maior predominância de instintos de vida e o pessimista de instintos de morte. Ambos ficam fora do campo da consciência em um primeiro momento, e são estimulados de acordo com as questões culturais, sociais e familiares.?
Além dos pulsões de vida e de morte, há que se considerar outros fatores, como os fisiológicos: os níveis de hormônios que regulam o humor, por exemplo. A cultura também conta: nas muito rígidas, como as japonesas, a vida é encarada com seriedade e rigor, o que leva a um alto índice de suicídios e nos mostra a pressão psíquica que gera comportamentos autodestrutivos.
A questão ambiental igualmente tem sua parcela de responsabilidade, como as relações no meio familiar, principalmente as primeiras, com pai e mãe, salienta Cristiane Pertusi.
Não há como negar: o otimista vê o horizonte com mais leveza e, na maioria das vezes, tem mais coragem para enfrentar as dificuldades, criando e percebendo possibilidades para melhorar sua vida. ?Eles acreditam mais, aprendem com os problemas e experiências ruins, tendem a levar uma vida mais saudável e, logo, ficam menos doentes, acredita Regiane Machado, psicóloga clínica formada pela Universidade Católica de Santos.
Cérebro produz boas mensagens
Mas será que o otimismo, e o seu oposto, perduram pela vida afora? De uma maneira geral, sim. Indivíduos com comportamentos “para cima” acumulam experiências positivas desde a infância, assim como maior autoestima. Muito provavelmente tiveram, no contato com pais e cuidadores, estímulos para uma postura feliz. Internamente, sua psique e seu processo cerebral estão mais habituados a produzir mensagens positivas?, observa Cristiane Pertusi.
E não é só isso: o otimista saudável apresenta mais condições de perceber o mundo e suas relações de maneira inteira e realista, sem distorcer o horizonte, assim como dispõe de um suporte maior para lidar com as vicissitudes sem se sentir derrotado.
O pessimismo, por outro lado, dependendo da dimensão, pode trazer prejuízos até físicos, causando depressão e doenças psicossomáticas ou autoimunes.
É possível que provoque alterações bioquímicas nas células corporais. Além da baixa autoestima, a pessoa não se respeita, tem uma autoimagem distorcida, dificuldades de relacionamento e, consequentemente, uma vida social limitada e que não a satisfaz?, analisa Regiane Machado, enfatizando a necessidade de cautela em ambos os perfis se os mesmos forem extremados.
Enquanto o pessimista tende a ver e vivenciar o negativo, o otimista pode vislumbrar tudo cor-de-rosa e não perceber alguns riscos no dia-a-dia.? Veja, a seguir, conselhos para ser um otimista equilibrado.
Fonte: UOL Saúde

Uma solitária jornada

Publicado: 18/09/2012 por Kakao Braga em Atualidades, História, Psicologia & Comportamento

Conta uma antiga lenda que em certo reino, há muito, muito tempo, quando um jovem completava 13 anos era preciso fazer uma solitária jornada , depois da qual , se alcançasse sucesso era admitido entre os guerreiros de seu povo.

A jornada era realizada apenas em determinada época do ano, escolhida pelo mago da tribo.Trinta dias antes da partida, os jovens candidatos ficavam reclusos em uma cabana coletiva. Lá preparavam-se para a jornada que empreenderiam.

No dia marcado, o mago reunia os jovens postulantes , entregava-lhes uma pequena faca e revelava-lhes a prova: deveriam atravessar o continente , pois o reino ficava no coração da Europa; cada um por si, deveria encontrar o mar e retornar em segurança.

Era uma jornada dificílima.O jovem precisava enfrentar o frio, a fome, as feras famintas, a solidão e seu próprio temor. Poucos conseguiam.Muitos voltavam do meio do caminho. Outros chegavam bem perto, vislumbravam o mar ao longe e voltavam daí.

Ao retornarem à sua aldeia, os jovens , um a um , eram recebidos pelo mago.Este, contemplava-os em silêncio e , passado certo tempo, dizia se o jovem tinha ou não cumprido sua jornada. Os que a haviam concluído eram , então, admitidos na tenda dos guerreiros. Eram acolhidos como irmãos, iguais.

Os demais precisavam esperar por todo um ano para fazer mais uma vez a jornada.

Certa ocasião, um ancião que havia tempos observava o mago perguntou:- me explique uma coisa. Por que muitos jovens retornam dando detalhadas informações sobre o mar e você após fitá-los por uns instantes diz: – Você não viu o mar. Poderá voltar no próximo ano.

Outros , entretanto, nada precisam dizer.Você os olha , abraça-os e os manda para a tenda dos guerreiros onde seus irmãos os aguardam. Por quê?

O mago, sorrindo mansa e serenamente respondeu: – Os que viram de fato o mar , não precisam falar dele.Têm o mar no olhar.

De acordo com o 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), divulgado pela Universidade Federal de São Paulo, o Brasil é o maior mercado de crack do mundo e representa 20% do consumo global da droga. A pesquisa, feita com 4.607 pessoas de 149 municípios brasileiros, aponta que só no último ano, 2,8 milhões de pessoas usaram cocaína e crack no país, ou seja, um em cada 100 adultos fumou crack, o que representa um milhão de pessoas.

Setenta e oito por cento dos consumidores consideram fácil adquirir a droga, desses 10% afirmaram vender algumas partes da droga que possuem. Cerca de 4% da população adulta, 6 milhões de pessoas, já experimentaram cocaína alguma vez na vida. Já entre os adolescentes, 442 mil, que representa 3% da população jovem, também já tiveram experiência com a droga.

O levantamento aponta ainda que o primeiro uso de cocaína ocorreu antes dos 18 anos para quase metade (45%) dos usuários que consumiram ou ainda consomem a droga. No total, 48% desenvolveram dependência química, sendo que 27% relataram usar a droga todos os dias ou mais de duas vezes por semana.

A pesquisa mostra que o uso da cocaína e do crack em áreas urbanas é três vezes maior do que nas rurais. A região Sudeste aparece como a de maior concentração de usuários dessas drogas no último ano, abrigando 1,4 milhão de usuários, ou seja, 46% dos consumidores. A região Nordeste vem na sequência e é considera a segunda região com o maior número de usuários da droga, 27%. O Centro-Oeste e o Norte aparecem empatados abrigando 10% dos consumidores. E o Sul é a região com menor quantidade de usuários das drogas com 7%.
Maconha
O estudo indica ainda que aproximadamente 1,5 milhão de brasileiros consomem maconha diariamente. Os dados apontam que mais de 3 milhões de adultos já usaram a droga no último ano e 8 milhões experimentaram maconha uma vez na vida.

Os resultados mostram que 600 mil adolescentes já usaram maconha e que ao menos 470 mil consumiram a droga no último ano. Mais de 60% dos usuários experimentaram pela primeira vez antes dos 18 anos de idade. Os dados do levantamento indicam que o consumo da droga no País está bem longe do consumo de outros países. Aqui, 3% das pessoas afirmam consumir a erva frequentemente. No Canadá, que lidera o ranking de consumo, 44% das pessoas usam maconha quase diariamente. Nova Zelândia segue logo atrás, com os Estados Unidos em terceiro lugar.

Apesar dos debates sobre a legalização do uso da maconha, a maioria (75%) dos entrevistados não concorda com a legalização, 11% das pessoas não concordam e 14% das pessoas não têm opinião formada sobre o assunto. O relatório traz dados curiosos: um em cada dez homens já experimentou maconha, mais de 1% da população masculina brasileira é dependente da erva, mais de 60% dos usuários experimentaram maconha antes dos 18 anos e um em cada dez adolescentes que usam maconha é dependente.
Desde a Antiguidade

O uso de drogas é um fenômeno bastante antigo na história da humanidade e constitui um grave problema de saúde pública, com sérias conseqüências pessoais e sociais no futuro dos jovens e de toda a sociedade.

A adolescência é um momento especial na vida do indivíduo. Nessa etapa, o jovem não aceita orientações, pois está testando a possibilidade de ser adulto, de ter poder e controle sobre si mesmo. É um momento de diferenciação em que “naturalmente” afasta-se da família e adere ao seu grupo de iguais. Se esse grupo estiver experimentalmente usando drogas, o pressiona a usar também. Ao entrar em contato com drogas nesse período de maior vulnerabilidade, expõe-se também a muitos riscos. O encontro do adolescente com a droga é um fenômeno muito mais freqüente do que se pensa e, por sua complexidade, difícil de ser abordado.

Fonte: UOL Saúde, O Estado de S. Paulo e Revista Brasileira de Psiquiatria

:: Por Paulo Ricardo Mubarack ::

Artigo publicado no “livraria cultura NEWS” – n.º 76 – 1999.

“É uma questão de demanda: se você usa os neurônios, eles são mantidos; se não usa, eles simplesmente se perdem”, constata Gilberto Xavier, pesquisador e professor da USP, que fez doutorado em psicologia no Brasil, pós-doutorado na Inglaterra e na Dinamarca e, há vários anos estuda a relação entre o funcionamento cerebral e os tipos de memória. Ele explica que o cérebro é uma estrutura flexível e dinâmica, composta de bilhões de neurônios. Cada um desses neurônios recebe projeções de outros 10 mil e se projeta para mais 10 mil aproximadamente, o que resulta num número infinito de arranjos possíveis. É nessa rede de interconexões, formada em função da história de vida e dos estímulos recebidos, que se estabelecem as bases da personalidade de cada indivíduo – sua forma de pensar, de sentir e de encarar o mundo.

“Constantemente nascem e morrem células do nosso cérebro”, ele esclarece. “Quando o ser humano é concebido, a quantidade de neurônios cresce brutalmente até cerca de dois anos de idade. A partir daí começa a ocorrer um processo natural de perda celular. O mais importante, no entanto, é que o cérebro continua sendo capaz de criar novas conexões entre suas células no decorrer de toda a vida. E isso ocorre com mais intensidade se o indivíduo se mantiver intelectualmente ativo. O contato com atividades culturais – como leituras, arte, música, cursos e palestras – e a disposição de tentar resolver problemas ajudam a manter a estrutura cerebral em movimento, formando e reformando conexões”.

Estar levemente estressado é bom, pois ativa a circulação e desperta a atenção.

Quem já teve oportunidade de tirar férias por mais de um mês com certeza notou como é difícil retomar as atividades posteriormente. Segundo o psicobiólogo, isso mostra a rapidez com que são formadas e desfeitas as conexões neuronais. Ele observa inclusive que, quando se restringe a estimulação em alguma parte do cérebro por muito tempo, o resultado é uma perda de células naquela região, especialmente se o indivíduo for mais jovem. Ou seja, a interação do sistema nervoso com o ambiente é crucial para a manutenção dos neurônios.

Outra informação importante: a idade não interfere na perda de memória. Gilberto Xavier explica que, quando as pessoas idosas perdem sua capacidade de memória e de atenção, o fato em geral decorre de problemas no sistema circulatório, como arteriosclerose, ou de algum tipo de doença neurológica. “O cérebro absorve 20% de toda a energia que a pessoa consome”, resalta. “Essa energia vem do sangue. Se o sistema circulatório não estiver funcionando adequadamente, o cérebro não receberá a glicose e o oxigênio de que necessita e começará a apresentar deficiências.”

Hábitos saudáveis, como atividades físicas e dieta balanceada, são fundamentais para o bom desempenho dos neurônios. “Corpo são, mente sã”, lembra o professor. “Manter-se fisicamente ativo contribui para o funcionamento do sistema circulatório e a irrigação do cérebro. Além disso, quem pratica exercícios regularmente diminui o nível de ansiedade e adquire maior resistência ao stress, graças à liberação de substâncias como a beta endorfina, que é um neurotransmissor poderoso. É essencial ainda que a pessoa tenha uma alimentação rica em proteínas, vitaminas e carboidratos, elementos indispensáveis à manutenção do sistema nervoso.”

Gilberto Xavier observa, finalmente, que o otimismo constitui um fator básico em todo esse processo cerebral: “Está provado pela neuroimunologia que o próprio desejo de viver e de extrair ao máximo o que a vida pode oferecer, assim como a autoestima e a autoconfiança – a pessoa se ver de uma forma positiva e acreditar em si mesma — fortalecem o sistema imunológico, aumentando a resistência não apenas a doenças fisiológicas, mas também a problemas neurológicos”.

O ócio é algo terrível e liquida empresas, relacionamentos e cérebros. Se não ficarem atentos, vão ficar com a cabeça fraca, destreinada, ociosa, pouco esperta. A ausência de desafios prejudica mentalmente. Não permita que isto aconteça com você . Desafie-se constantemente e não tenha receio de encher-se de trabalho. O cérebro, o caixa e a humanidade agradecem.

:: Paulo Ricardo Mubarack é presidente da Mubarack Consulting & Business School.