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Consumista, eu?

Publicado: 04/05/2012 por Elisa em Atualidades, Opinião, Psicologia & Comportamento

:: Por Gisele Friso Gaspar::

Dia desses lia um texto sobre o consumo e suas consequências na sociedade. Em determinado trecho me deparei com a seguinte definição: consumista – alguém que consome os produtos que compra até que eles não tenham mais utilidade, ou seja, até o seu desgaste completo. Parei para refletir. A definição que se tem para “consumista” é: pessoa que compra indiscriminadamente, sem necessidade ou consciência. Alguns dizem ser algo compulsivo. Entretanto, percebi a dimensão da definição que li na matéria sobre o consumo.

De fato, se pararmos para pensar, hoje a sociedade é consumista (no sentido tradicional) ao extremo. Desde a implantação de produção, o que se deu com maior velocidade a partir da Segunda Guerra Mundial, o consumo passou a ser massificado. O que era produzido em pequena escala e artesanalmente passou a ser produzido em larga escala para dar conta da demanda que o mercado impunha. Os produtos tornaram-se mais acessíveis e a tecnologia proporcionou a possibilidade de maior lucro com menor investimento. E isso é positivo, pois gera crescimento e desenvolvimento.

Entretanto, podemos perceber que cada vez mais os produtos padecem do mal da falta de qualidade. Eles hoje são feitos para não durar. Alguns fabricantes chegam a soldar peças e componentes em seus produtos para que se tornem substituíveis quando ocorrer um problema, levando à condenação do produto e à necessidade de aquisição de um novo. Pura leviandade, sendo prática ilegal, antiética e condenável. Outros fabricantes, ainda que prezem pela qualidade de seus produtos, os produzem em série e com a mesma tecnologia utilizada pelo mercado em geral, com a política da “razoável vida útil” cada vez menor.

Por outro lado, a velocidade com que a tecnologia se desenvolve traz como consequência cada vez mais novidades no mercado de consumo, lançadas todos os dias em quase todos os segmentos. A publicidade, por sua vez – e cumprindo o seu papel, diga-se –, gera no consumidor a “necessidade” de ter aquele produto, aquele lançamento. Uma necessidade quase visceral, como se aquele consumidor não fosse mais poder viver nesse mundo sem aquele produto. Isso é mais evidente ainda em relação aos adolescentes.

Consequentemente, toneladas de lixo eletrônico são despejadas, sem controle, em nosso pobre e sofrido planeta. As políticas de coleta de lixo eletrônico e campanhas de consumo consciente vêm sendo desenvolvidas, é fato. Porém, a velocidade com que isso ocorre é desproporcional. A corrida é desleal. O consumidor não é orientado ou educado para esse tipo de descarte. As empresas pecam pela falta de divulgação. O Poder Público peca pela falta de fiscalização. Mas o consumo continua e a demanda por novidades eletrônicas é cada vez maior. Não raro, encontramos portadores de aparelhos de telefone celular com aparelhos “antigos” que se conta às dúzias em suas casas. Se questionados sobre o porque da troca, a resposta possivelmente será “eu precisava de um modelo mais moderno, com um sistema operacional mais avançado e com uma câmera fotográfica de alta definição”.

Mas, voltando à definição de “consumista”, aí vai uma reflexão: que tipo de consumista você é? É daqueles que não pode ver uma liquidação? Daqueles que não perde uma novidade eletrônica? Que não vive sem o último modelo de computador? Ou você é aquele que consome os produtos que adquire até o fim, até o seu desgaste? É claro, há o meio-termo. Porém, se for para escolher que tipo de consumista quero ser, prefiro o segundo.

Mesmo passando por momentos de deslumbre total diante de uma novidade tecnológica, a pergunta que hoje me faço é: eu realmente preciso disso? Se eu responder sim com uma justificativa plausível, a compra está aprovada. Do contrário, penso um pouco mais e, na maior parte das vezes acabo desistindo. É claro que há momentos de fraqueza. E, fazendo mea culpa, é óbvio que eu também já tive uns dois pares de aparelhos celulares “antigos” e “imprestáveis” atolando as gavetas, que foram substituídos pela última novidade do mercado. Porém, como decidi ser consumista – no melhor sentido –, decidi refletir sobre as minhas escolhas. Isso também faz parte do consumo consciente, sendo nossa obrigação como consumidores. Então, sejamos consumistas!

::  Gisele Friso Gaspar é advogada e consultora jurídica, especializada em Direito do Consumidor e Direito Eletrônico

 

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:: Por Francisco Antonio Feijó* ::

No dia 27 de abril, o mundo inteiro irá comemorar o Dia dos Empregados Domésticos. A data é dedicada a Santa Rita, a padroeira das domésticas. Filha de camponeses, Rita nasceu na Itália e exerceu a profissão de empregada doméstica por 48 anos, sendo sempre com muita dedicação e apreço. Em 1696 foi canonizada pela Igreja Católica e proclamada padroeira das empregadas domésticas pelo Papa Pio XII.

Neste ano, o mundo tem um bom motivo para comemorar a data, uma vez que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou, em junho do ano passado, durante a 100ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, na Suíça, uma Convenção que conferiu aos domésticos os mesmos direitos que usufruem os profissionais de outros segmentos. Já foram definidos, na OIT, os parâmetros para a segurança social e para a concessão de direitos trabalhistas básicos desses trabalhadores. Nada mais justo!

Vale lembrar que são os domésticos que resolvem os problemas cotidianos da residência onde trabalham, permitindo que seus moradores tenham mais tempo para os afazeres pessoais. São eles que mantêm os ambientes em bons estados, as roupas prontas para serem usadas e as refeições preparadas. É um trabalho difícil, não obstante indispensável ao convívio familiar. Para desempenhar suas funções adequadamente, é imprescindível que os domésticos reconheçam a importância de seu trabalho. Só assim eles se sentirão valorizados. Esses profissionais precisam ter motivos para trabalhar e se dedicar às atividades que exercem, com orgulho.

De acordo com informações da OIT, com base em pesquisas realizadas em 117 países, há pelo menos 52,6 milhões de trabalhadores domésticos no mundo. São eles os faxineiros, cozinheiros, jardineiros, caseiros e babás. O número representa um percentual de 4% e 10% da força laboral nos países em desenvolvimento e até 2,5% nos países industrializados.

O texto introdutório da nova Convenção diz que “o trabalho doméstico continua sendo desvalorizado e invisível, feito principalmente por mulheres e meninas, muitas das quais são migrantes ou pertencem a comunidades desfavorecidas e são particularmente vulneráveis à discriminação relativa ao emprego e trabalho, bem como de outras violações dos direitos humanos”. Você já parou para pensar quantos empregados domésticos estão sendo, hoje, submetidos a cargas horárias excessivas, sem direito a alimentação adequada e descanso semanal? É importante lembrar que não são poucos os que devem permanecer no local de trabalho durante suas férias. Sem contar a discriminação, ofensas pessoais, assédio moral. É possível afirmar que a realidade de muitos empregados domésticos se assemelha ao do trabalho escravo, uma vez que eles vêm sendo vítimas frequentes de violação dos direitos humanos e dos direitos fundamentais do trabalho.

Essa Convenção surgiu justamente para reverter esse quadro, priorizando o respeito e a dignidade humana, e contribuindo para a diminuição da informalidade desse mercado. Não há motivos para o empregado doméstico ter menos direitos quando comparado ao trabalhador ‘comum’. Já passou da hora desses profissionais terem os mesmos direitos de outros trabalhadores, incluindo jornada de trabalho, descanso semanal de pelo menos 24 horas consecutivas, piso salarial, informações claras sobre termos e condições de emprego, bem como o respeito pelos princípios e direitos fundamentais do trabalho, incluindo a liberdade de associação e negociação coletiva.

Os empregados domésticos não só devem ter direitos, mas sim deveres, por parte dos empregadores e governo, que devem ser lembrados e cumpridos. Carteira de trabalho, carnê de pagamento do INSS e FGTS são só alguns exemplos do que todo profissional deve ter. A redução da pobreza só é possível com o crescimento econômico, que deve acontecer por meio do trabalho decente. Motivar é dar motivos. Nada mais justo do que proporcionar a esses profissionais um clima favorável para que eles se automotivem.

:: * Francisco Antonio Feijó é presidente da Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL).

:: Por Edvaldo de Azevedo Tavares ::

O Atacama é o mais desfavorável, dentre todos os desertos do planeta, à existência da vida humana por seu terreno extremamente árido, por sua altitude que não permite que as nuvens originárias das correntes marítimas do oceano Pacífico passem para o deserto. O Deserto de Atacama está localizado na região norte do Chile e se prolonga até as fronteiras com o Peru, Bolívia e Argentina. A temperatura varia de 25 graus negativos no período noturno à 40º positivos no diurno. É o lugar do planeta que passou mais tempo sem chuvas, havendo registro de 1400 anos sem chuvas. Este ano que resolvemos  ir visitá-lo foi o que choveu torrencialmente, havendo destruição de caminhos, passagens e estradas, impedidindo a nossa ida a diversos lugares atraentes e turísticos porque as autoridades chilenas não permitiam a ida de ninguém para esses lugares. As fotografias anexadas nos arquivos são uma amostragem da coleção fotográfica referente ao norte do Chile, especificamente o deserto e algumas mostram a localidade de São Pedro de Atacama onde encontramos gente de diversas partes do mundo, muitas esquisitas, motociclistas brasileiros e de uma maneira geral, brasileiros em profusão, aventureiros dos mais variados matizes – nacionais do Brasil e estrangeiros do resto do mundo.

De forma mais objetiva, o nosso turismo não abrangeu apenas esta condição, turística, mas estava estendido para as de aventura. estudo, aprendizado e aquisição de experiência – para o próximo ano está planejado outro turis-aventura para os altiplanos bolivianos (Lago Titicaca e outras regiões).

Estivemos na base do vulcão ativo Vilarrica, 2840m, Parque Nacional Vilarrica – o mais feroz de todos os do Chile – soltava a sua sarcástica e impiedosa fumacinha (fumarola) que atraia as nuvens para encobrir as suas malévolas intenções -, segundo informações colhidas em Pucón (bela e pequena cidade a margem do Lago Vilarrica). Não o subimos por falta de mais tempo para a continuação das aventuras e na verdade, as condições de tempo em que estivemos na base variava a todo instante com sol, nuvens pesadas, chuva e ventos muito frios.

Eu soube das mortes do brasileiro e do mexicano e, do resgate do guia chileno, no dia seguinte a chegada em Brasília foi um triste acontecimento e manifesto o meu pesar pelo triste acontecimento e somo a minha tristeza a dos pais e demais familiares desses jovens, pois também sou pai.

O Brasil e o povo brasileiro, entregues as baratas, são dignos de pena. Não vi: favela, meninos de rua, carros barulhentos com som no último volume, barbeiragens no trânsito, estradas esburacadas e mal sinalizadas (fomos de Santiago para Viña del Mar e Vaparaíso de carro alugado;  rodamos de carro alugado em Puerto Varas e adjacencias e também por Pucón e localidades vizinhas indo até próximo ao vulcão Vilarrica). Não vi também: avacalhação, pichação e registrei somente pouquíssimos casos de mendicância no Chile. Nós brasileiros temos de aprender com o povo chileno, como se administra e coloca um país na direção do progresso.

É isso aí, gente! Foi uma viagem e tanto. Do calor do Deserto abrasador e seco do Atacama ao frio e chuvas do sul do Chile, próximo a Patagônia, passando pela sensação de falta de ar devido a chegada atrasada e quantidade contada do oxigênio aos pulmões a mais de 4.300 metros de altitude na Cordilheira dos Andes, podemos dizer com uma ponta de nostalgia: “Foi uma aventura que já deixa saudade”. Dormimos nos aviões, ônibus e, refeição e ingestão de água, de formas irregulares, quando as condiçoes e circunstâncias permitiam, mas… VALEU A PENA!

Breve mandarei mais notícias sobre as peripécias no Chile e mais fotos.

Abraço e hug para os meus amigos e baiser, kiss, peto, petonet, bajo para as adoráveis amigas.

:: Eadweal (Edvaldo em anglo-saxão, de onde se originou o meu nome) Tavares

:: Por Edvaldo Tavares::

É mencionado que os maias nos legaram 7 profecias, sendo que dentre as quais, uma diz que nossa era de ódio, medo e materialismo terminará em 21 de dezembro de 2012. Isto significa, para tantos crédulos, que o mundo acabará naquela data. Para aqueles que sabem que o ser humano tem esses sentimentos profundamente enraizados nos seus vários eus, interpretam, portanto, como o final dos tempos, ou, em visão explícita, do mundo.

Mas, de forma mais concreta, científica, especificamente, astronômica, seria bom dar uma olhada nas informações sobre o Apophis (O Destruidor) – aterrador inimigo de Rá, Deus do Sol do Antigo Egito, uma serpente que se esconde nas escuridões eternas do Duat – asteróide de 350 metros de diâmetro que tem um encontro marcado com o planeta Terra para o domingo de 13 de abril de 2036.

É claro, caso atinja o nosso planeta, será uma catástrofe inimaginável. Vamos aos fatos.

Apophis – O DESTRUIDOR

Esse asteróide (350 metros de diâmetro) que tem o nome grego Apophis, o inimigo de Rá (deus do Sol do Antigo Egito), foi descoberto em 2004 e tem o aterrador nome de O Destruidor ou Descriador – tradução do antigo deus egípcio Apep (uma serpente que se esconde nas escuridões eternas do Duat – meio da Terra – que tenta engolir Rá durante sua passagem noturna e Seth, deus do Caos, a mantém distante).

Asteróides são corpos celestes feitos de rocha que gravitam ao redor do Sol em órbitas geralmente situadas entre as dos planetas Marte e Júpiter. Para perigo do planeta em que vivemos alguns asteróides escapam das suas órbitas e a uma velocidade de mais de 60 mil Km/h, dependendo do seu volume, numa colisão com a Terra pode matar milhões ou até mesmo acabar com a vida terrestre. A nave em que viajamos pelo espaço – planeta Terra – transita por regiões perigosas do sistema solar. Veja a superfície do nosso satélite, lua, toda cheia de crateras. Apophis, nome do Destruidor/ Descriador não é a única ameaça ao nosso planeta – 6 mil asteróides foram identificados entre Marte e Júpiter. Estudos demonstram que na escala de Turim o risco de impacto devastador de magnitude igual a 65.000 bombas de Hiroshima com o planeta Terra é de 1 para 45.000. Está prevista essa visita incômoda para domingo, 13 de abril de 2036, quando, sem cerimônias, passará pela nossa vizinhança.

K-T Killer na Península de Yucantan destruindo os dinossauros.

Outra ameaça resulta da possibilidade de nosso planeta ser colidido por um cometa. Para exercício de imaginação, o que aconteceria a Terra se fragmentos de cometa de 400 e 800 metros de diâmetro se chocassem contra ela como ocorreu com Júpiter em 18 de julho de 1994? Os cometas podem surgir de surpresa com uma velocidade três (180.000 Km/h) a quatro (240.000 Km/h) vezes maior do que a dos asteróides. O cometa Hyakutake, em 1996, surpreendeu os observadores, somente sendo notado alguns meses antes de cruzar a órbita da Terra. Esse cometa com alguns quilômetros de diâmetro assemelhava-se ao K-T Killer que extinguiu os dinossauros há 65 milhões de anos, na Península de Yucatan, México. Essas ameaças que podem vir do espaço são levadas tão a sério que na ilha Mauí, Havaí, no local mais alto (seis mil metros), funciona um ponto de observação do programa de busca de asteróides.

Não existe um consenso na comunidade científica sobre o que deve ser feito em caso de uma possível colisão com a Terra. O fator tempo é importante e os cientistas sabem que a detecção da ameaça com cinco anos de antecedência é um tempo muito curto diante das distâncias e velocidades envolvidas. Mesmo com dez anos as chances são poucas. O ideal seria 100 anos, tempo suficiente para o desenvolvimento de uma solução salvadora. Os observadores devem conhecer as ameaças que rodeiam o nosso planeta e estar preparados para evitar a sua destruição, caso seja preciso e possível.

:: EDVALDO TAVARES – Médico e Diretor Executivo (IRV)

:: Por Tânia da Silva Pereira * ::

A adoção no Brasil ainda está cercada de preconceito. A análise pessoal, a fila de espera e as exigências judiciais adiam por anos o direito de crianças que vivem em abrigos de terem um novo lar e convivência familiar, como consta na Constituição. A uniformização dos procedimentos judiciais prometida este ano deve acelerar os processos, mas não resolvem o problema. É preciso sempre considerar o pós-adoção, que se dilui com a nova regra. Atualmente, o juiz que libera a adoção deve acompanhar a evolução do ato jurídico. Se a adoção for interestadual, a cargo de quem fica esta avaliação? Isso ainda não está claro.

A integração plena da equipe técnica – psicólogos e assistentes sociais, juízes e promotores – é fundamental para o bem estar da nova família. A ineficiência e lentidão aumentam o contingente de “abandonados”, crianças que, embora abrigadas, vivem em completo abandono. A atitude assistencialista do governo dificulta o cumprimento do direito da criança e do adolescente de conviverem em um lar, seja ele natural ou substituto. As dúvidas ainda são muitas. Para os brasileiros, sequer está claro o caminho a percorrer para quem quer adotar. Uma pesquisa da Associação dos Magistrados Brasileiros mostra que 37% dos consultados procurariam uma criança em maternidades e 28% recorreriam a abrigos.

Apenas 35% das pessoas buscariam no local adequado: as Varas da Infância e da Juventude. Para iniciar o processo, é preciso esgotar todas as possibilidades de guarda com a família biológica. Terminadas as tentativas, a adoção representa a mais nobre iniciativa dos que se propõem a assumir jovens marcados pelo estigma do abandono e maus-tratos com responsabilidade. O processo de adoção é concedido somente mediante procedimento judicial previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) desde 1990.

A participação de advogado ou Defensoria Pública dá rapidez aos trâmites, que costumam durar entre quatro e seis anos. Perfil, idade, sexo e cor da criança são características que pesam na hora da decisão. Recém-nascidos e crianças de até três anos são preferidos por quem entra na fila. Se a pessoa ou o casal não tiver restrição quanto às características físicas, a chance de ser chamado antes do tempo pré-determinado é bem maior. O maior risco para os abrigados é a desistência de quem tenta adotar. Esse é o ponto final no sonho de vida mais feliz para candidatos a pais e crianças, que permanecem abrigadas até 18 anos. Mesma idade que o ECA atinge este ano sem conseguir a garantia de que, no Brasil, nenhuma criança ou adolescente seja objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão e que seja punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais, como diz seu artigo 5°.

* Tânia da Silva Pereira é advogada no Escritório Professor Caio Mário da Silva Pereira e professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Especializada em Direito de Família e Cível, é presidente de Comissão de Infância de Adolescência do IBDFam e autora de 4 livros sobre o tema.

A Utilidade Dos Minerais

Publicado: 02/02/2011 por Kakao Braga em Atualidades, Meio Ambiente, Opinião, Saúde

:: Por Pércio de Moraes Branco* ::

O ser humano usa, para sobreviver, muitos produtos de origem animal: ovos, leite, carne, couro, pele, óleo, etc. Da mesma maneira, aproveita inúmeros produtos vegetais: arroz, feijão, trigo, milho, algodão, centeio, cevada, frutas, verduras, legumes, etc. Esses produtos fazem parte da nossa vida e deles nos utilizamos todos os dias, sempre que nos alimentamos.

Mas, embora não tão visíveis e de presença mais difícil, às vezes, de perceber, os produtos extraídos do reino mineral são igualmente importantes e imensamente variados, como veremos a seguir. Eles, porém, têm uma fundamental diferença em relação àqueles de origem animal e vegetal: não são renováveis. Seu processo de formação é tão lento quando comparado com a vida humana que devem ser considerados como recursos finitos, ou seja, que se extrai uma vez só de um determinado lugar. Podem, sim, ser reciclados, como se faz com as latas de alumínio, mas, a produção original não se renova.

Metais
Os minerais nos fornecem os metais, indispensáveis à fabricação tanto de coisas enormes, como aviões, quanto daquelas minúsculas, como alfinetes, clipes  ou percevejos.

O alumínio tem mais de 4.000 aplicações diferentes, sendo usado em navios, automóveis, aviões, utensílios domésticos (como panelas), embalagens, tintas, esquadrias de janelas, abrasivos, cimento, refino do petróleo, tijolos refratários e explosivos. Ele é extraído principalmente da bauxita, um solo argiloso e leve que se forma em regiões tropicais. Mas pode ser obtido também de minerais como criolita, nefelina, alunita e leucita.

O antimônio é usado principalmente na forma de ligas com chumbo, que servem para baterias, tubos de creme dental, soldas, tintas e balas de revólver, por exemplo. Mas, também em fogos de artifício, fósforos, medicamentos, vidros e em cerâmica. O metal é extraído de pelo menos sete minerais, dos quais o principal é a estibinita.

O chumbo é extraído de sete minerais, dos quais o principal é a galena. Ele é usado sobretudo em baterias (40% do consumo), como aditivo na gasolina e como isolante de raios X, em tintas, vidros especiais (os chamados cristais), corantes, inseticidas e em projéteis de armas de fogo.

O cobre, bom condutor de calor e eletricidade, é usado em fios elétricos, na fabricação de bronze e latão, em defensivos agrícolas, tratamento da água e em objetos ornamentais. Pode ser extraído de pelo menos dezessete minerais, dos quais o mais importante é a calcopirita.

O estanho é um metal fornecido principalmente da cassiterita. Ele é útil na fabricação de latas de conserva, na obtenção do bronze (usado em esculturas e nos sinos), também em refrigeradores, condicionadores de ar, radiadores e soldas, por exemplo.

O ferro é o mais comum, o mais barato e o mais importante dos metais.  É extraído principalmente do mineral hematita, mas também de oito outros minerais.  É usado em um enorme número de produtos, principalmente quando transformado em aço.

O manganês é outro metal que tem muitas aplicações e é extraído de pelo menos quinze minerais. É empregado em ligas metálicas, tintas, vidros, cerâmica, aço, automóveis e utensílios domésticos.

O níquel serve principalmente para obtenção de aço inoxidável e outras ligas resistentes à corrosão. É empregado também em moedas, cerâmicas, ímãs, alto-falantes, automóveis, revestimento de outros metais, reatores nucleares, baterias, catalisadores e outros usos. É obtido de treze minerais diferentes.

O ouro, que todos conhecem e apreciam tanto, é usado principalmente em moedas e jóias, mas também em instrumentos científicos e em equipamentos eletrônicos. A principal fonte de obtenção é o ouro nativo (não combinado com outros elementos químicos) e mais alguns poucos minerais.

A platina usa-se na Odontologia, instrumentos de laboratórios, mísseis, fornos elétricos de alta temperatura, catalisadores e muitos outros produtos. É um metal bem mais caro que o ouro, extraído de alguns poucos minerais, como sperrylita e platinirídio.

 A prata, também importante e valiosa (mas menos que o outro e a platina), é usada em jóias, moedas, espelhos, talheres, soldas, Odontologia, explosivos, fotografia, radiografias, produção de chuvas artificiais e catalisadores por exemplo. É extraída de quatorze minerais e é também um subproduto na metalurgia de outros metais.

O zinco é usado na fabricação de latão, em automóveis (nos velocímetros, por exemplo), tintas, borrachas, cosméticos, medicamentos, pesticidas, em teclados, plásticos, sabão, baterias, tecidos, lâmpadas fluorescentes, máquinas de lavar roupa e em pigmentos. Obtém-se principalmente da esfalerita, da franklinita, da smithsonita e DA hemimorfita.

Além desses metais, mais conhecidos, há vários outros que são obtidos de minerais, como berílio, cobalto, cromo, irídio, mercúrio, molibdênio, nióbio, paládio, ródio, rutênio, tântalo, telúrio, titânio, tório, tungstênio, vanádio e zircônio.

Combustíveis nucleares
Os reatores nucleares são abastecidos com tório ou urânio, ambos extraídos de minerais. O tório é usado também em lâmpadas de gás portáteis, ligas com magnésio, eletrônica, lâmpadas elétricas e vidros para lentes. O urânio, o principal combustível nuclear, emprega-se também em explosivos atômicos, produção de raios X, fotografia, vidros e esmaltes.
Outro elemento radioativo, o rádio, não é combustível, mas é usadas como fonte de nêutrons, no tratamento de câncer, tintas luminosas e em radiografias industriais. 
 
Pedras preciosas
As pedras preciosas são importantes na economia de muitos países, inclusive do Brasil que é um dos maiores produtores do mundo.  Nosso país produz cerca de 90 tipos diferentes de pedras preciosas, usadas em jóias e objetos decorativos.  Nem todas as gemas são muito caras, mas algumas, como diamante, esmeralda, rubi, safira, turmalina Paraíba, alexandrita e opala-negra atingem preços altíssimos.
O diamante que não serve para uso em jóias tem muitas aplicações na indústria em ferramentas de corte e perfuração. As granadas e o quartzo são usados como abrasivos.  Rubis e safiras de baixa qualidade são usados como abrasivos e em relógios.

Medicamentos
Um bom número de elementos químicos usados nos medicamentos são extraídos dos minerais. Entre eles devem ser citados, bismuto (usado também em tintas e esmaltes); cálcio; enxofre; flúor; boro (também útil em esmaltes, vidros, cosméticos e detergentes); bromo (usado também em fotografias e inseticidas); iodo; magnésio (empregado igualmente no curtimento de couro, seda artificial, cimento sorel e ligas); mercúrio (também útil na indústria elétrica, herbicidas e produção de cloro e sódio) e o zinco.

Alimentos
Embora pareça estranho ver os minerais como alimento, a verdade é que todos nós comemos diariamente um mineral, o sal de cozinha. Ele é o mineral halita, um cloreto de sódio.

Indiretamente, outros minerais, como a apatita, contribuem para nossa alimentação, fornecendo fertilizantes agrícolas.

Abrasivos
Diversos minerais são usados como abrasivos, entre eles, granadas, coríndon, quartzo, estaurolita.

Asbestos
Asbestos são um grupo de silicatos fibrosos que inclui crocidolita, crisotilo, antofilita, tremolita e amosita. Esses minerais são usados em tecidos à prova de fogo, isolantes térmicos e elétricos, adicionados ao cimento, em lonas e pastilhas de freios, fabricação de papel, plásticos, borracha e material para filtração.

* geólogo, lexicógrafo e autor brasileiro. É autor e co-autor de livros tidos como referência na área de mineralogia[1] e foi diretor do Museu de Geologia por doze anos.

:: Por Nicholas A. Christakis e James Crabtree*::

Tradução: Eloise De Vylder

 Se os amigos dos seus amigos começam a engordar, é provável que aconteça o mesmo com você – mesmo que você não os conheça e mesmo que more a centenas de quilômetros de distância. A obesidade se espalha como um modismo; e é contagiosa.

Esta surpreendente descoberta, resultado de um estudo de 30 anos em Massachusetts, foi descrita por Nicholas A. Christakis e James H. Fowler em seu novo livro, “Connected: The Surprising Power of Social Networks and How They Shape Our Lives” [algo como “Conectados: O Surpreendente Poder das Redes Sociais e Como Elas Moldam Nossas Vidas”]. A pesquisa mostra que o mesmo fenômeno se aplica a fumar e a uma série de outros comportamentos e atitudes como o vício em bebida, a depressão, doações caritativas, práticas sexuais – e até decisões de se casar, divorciar, ter filhos ou votar.

Por que isso é importante? Porque desde o cuidado com a saúde até a mudança climática, os governos de hoje enfrentam uma variedade de problemas em que precisam persuadir as pessoas para mudar seu comportamento. Mas em vez de se fiar em seus poderes de persuasão, os políticos deveriam considerar estudar a ciência das redes.

A ideia básica da ciência das redes é simples. As pessoas se juntam em grupos com padrões de laços específicos, e esses padrões têm efeitos importantes na forma como se comportam. Um exemplo improvável são os musicais da Broadway.

Brian Uzzi é sociólogo na Universidade Northwestern, em Chicago. Ele também é um grande fã de musicais. De “Cats” até “Spamalot”, os musicais são um bom negócio há décadas, mas os investidores sempre precisam adivinhar quais peças farão sucesso. Intrigado, Uzzi usou a ciência das redes para descobrir por quê. Ele reuniu um conjunto de dados sobre 321 musicais que foram lançados na Broadway entre 1945 e 1989, verificando especialmente se as equipes formadas por produtores, coreógrafos, roteiristas e diretor haviam trabalhado juntas antes ou não.

Depois de processar as estatísticas, ele descobriu algo notável. Equipes que nunca haviam trabalhado juntas não tiveram tanto sucesso: suas fracas redes implicavam a falta de visão criativa e uma série de desempenhos insatisfatórios. No outro extremo, equipes que haviam trabalhado juntas com sucesso também tinham uma tendência a produzir fracassos. Às vezes, por uma falta de ideias criativas vindas de fora, a equipe simplesmente reelaborava as mesmas ideias que funcionaram no último espetáculo; outras vezes, por falta de gente nova, elas desenvolviam sua visão de formas absolutamente excêntricas. De qualquer forma, dificilmente o sucesso se repetia.

Mas, entre esses dois grupos, Uzzi descobriu algo importante. Ele encontrou um ponto de equilíbrio: grupos com a mistura exata de participantes novos e antigos produziam sucessos com uma frequência confiável. Essa variação na profundidade dos laços permitia a facilidade de comunicação e alimentava uma criatividade maior – as novas ideias das pessoas de fora se misturavam à experiência dos antigos. Não importava qual era o tema do musical ou quem o estivesse estrelando. Seu sucesso se espalhava pela estrutura da rede, unindo a equipe. O mesmo foi comprovado nas áreas da invenção científica e da inovação nos negócios.

Juntando esses dois insights – de que a informação que flui nas redes sociais pode mudar o comportamento, e de que o formato das redes muda dramaticamente seus resultados -, surgem algumas implicações intrigantes. Se é possível fazer musicais lucrativos simplesmente configurando a equipe de produção de forma adequada, por que a mesma estratégia não funcionaria para quem comanda escolas, hospitais, até mesmo um departamento do governo? E se é possível fazer com que as medidas antifumo levem em conta a capacidade das pessoas de influenciarem umas às outras, não há nenhuma razão para que as mesmas técnicas de redes não sejam usadas para cortar problemas como o alcoolismo, a obesidade ou reforçar a segurança do trabalho.

Expandindo essa ideia, se criar o tipo certo de redes sociais ajuda as pessoas a se relacionarem de forma mais eficaz, será que o Estado não deveria procurar pessoas que ajudassem a construir essas ligações? Especialistas na teoria do capital social difundiram essa ideia durante anos, sem muitos resultados. Mas eles têm um ponto importante: os governos deveriam tentar construir novos sistemas sociais que apoiem os laços sociais, e elaborar políticas que os levem em consideração.

Por que parar por aqui? As políticas de rede poderiam ajudar a incentivar novos tipos de crescimento que ajudem a nos tirar da recessão. A inovação nos negócios é fortemente influenciada pela estrutura de redes de equipes de projeto e pela comunicação entre parceiros comerciais ou cientistas. As políticas poderiam tirar vantagem disso, assim como poderiam tentar estabelecer novas normas sociais para a conservação de energia doméstica. Talvez a perspectiva mais excitante de tudo isso seja o potencial para acabar com o isolamento social. A pesquisa mostra que não ter amigos, ou mesmo ter uma rede social pobre, pode ter um custo assustador: é mais provável que uma adolescente cujos amigos não se dão bem pense sobre suicídio do que uma outra cujos amigos se dão bem – independentemente de quem são os amigos, ou de como ela se dá com eles.

Os conservadores costumam se preocupar com as liberdades individuais, enquanto os liberais se preocupam com o bem-estar dos grupos sociais. A ciência das redes mostra que uma discriminação como esta é, no mínimo, extremamente simplista. Observe como os indivíduos se juntam em grupos e você também perceberá como o fato de participar de um grupo afeta os indivíduos. Ver os dois lados pode não só melhorar a política e economizar dinheiro, mas também ajudar nossos políticos a serem mais persuasivos – do
jeito certo.

*Nicholas A Christakis é professor de medicina, política de saúde e sociologia na Universidade de Harvard e co-autor de “Connected” com James H. Fowler. James Crabtree é editor-executivo da Prospect.