Arquivo da categoria ‘História’

vidro1Embora não existam dados precisos sobre sua origem, não se pode negar que o vidro foi uma das descobertas mais surpreendentes da humanidade. Arqueólogos encontram seus vestígios há 6.000 anos em terras habitadads pelos antigos egipícios, fenícios, caldeuse e outros povos da época.
Alguns autores apontam como precursores os navegantes fenícios, que ao voltarem do Egito ancoram às margens do Rio Belus, onde desembarcaram as sacas com um produto a base de carbonato ou nitrato de sódio usado para tingir a lã. Acenderam uma fogueira e colocaram ao seu redor, pedaços de natrão[carbonato de sódio] para apoiar os utensílios para o cozimento dos alimentos. Após se alimentarem foram dormir e mantiveram o fogo aceso durante a noite. Ao acordarem, em lugar dos blocos, encontraram um material brilhante e transparente que lembrava pedras preciosas, sem antes de observarem que a areia existente debaixo dos blocos tinha desaparecido. À tarde, fizeram nova fogueira e colocaram os materiais junto a fogueira e viram escorrer umlíquido incandescente que logo se solidificou. Fizeram várias tentativas e conseguiram modelar rusticamente, algumas figuras.
Outros dizem que o vidro foi descoberto pelos mercadores fenícios que atravessavam o deserto e utilizavam placas de nitrato de sódio sob as panelas para o preparo dos alimentos e perceberam no solo um material desconhecido: o vidro. Estudos apontam ainda que os primeiros objetos de vidro que se tem notícia foram encontrados dentro das piramides egípcias.
As técnicas de fabricação só se desenvolveram por volta de 100 a.C. quando os romanos começaram a utilizar o sopro, dentro de moldes, e passaram a produção em série. O ápice do processo se deu no século XII, em Veneza. Por conta de incêndios em fabriquetas de vidros, a atividade foi transferida para Murano, ilha próxima de Veneza. Lá, se desenvolveram os vidros coloridos e espelhos que até hoje garantem a fama dos cristais de murano.
Mas eram ainda em pequena escala comercial, só no século XVIII, Luiz XIV e mestres vidreiros abriram uma indústria de vidros, a Companhia Saint-Gobain, para que fossem feitos os espelhos do Palácio de Versalhes na França. A indústria se notabilizou pelo seu notável grau de perfeição . A empresa existe até hoje, e é uma das mais antigas do mundo.
Durante a Revolução Industrial o processo passou a ser mecanizado. Em 1950, a fabrica inglesa Pilkington começou a providroduzir os vidros tipo Float (planos, de excelente uniformidade e com quase nenhuma distorção óptica) que revolucionaram a tecnologia do vidro e se tornaram padrão mundial de qualidade de vidro plano.
No Brasil
A primeira oficina de vidro no Brasil foi montada por quatro artesãos que acompanhavam o príncipe Maurício de Nassau, durante as invasões holandesas entre 1642 e 1635, em Olinda e Recife (PE). Fabricava vidros para janelas, copos e frascos. Com a saída dos holandeses, a fábrica fechou.
O vidro voltou a entrar no mapa econômico do país a partir de 1810, quando, em 12 de janeiro daquele ano, o português Francisco Ignácio da Siqueira Nobre recebeu carta régia autorizando a instalação de uma indústria de vidro no Brasil. A fábrica instalada na Bahia produzia vidros lisos, de cristal branco, frascos, garrafões e garrafas. Ela entrou em operação em 1812. Em 1825, fechou em função de dificuldades financeiras.
Em 1839, um italiano, de nome Folco, funda no Rio de Janeiro a fábrica Nacional de Vidros São Roque, com 43 operários italianos e brasileiros, com fornos à candinhos e processo inteiramente manual. Sofre a concorrência das importações de produtos da Europa e sobras de consumo que são vendidas a qualquer preço. Já em 1861, a indústria vidreira brasileira apresenta os seus produtos na exposição nacional na Escola Central, no largo São Francisco, no Rio de Janeiro.
Em 1878, Francisco Antônio Esberard funda a fábrica de Vidros e Cristais do Brasil em São Cristóvão (RJ). A fábrica trabalhava com quatro grandes fornos e três menores, e com máquinas a vapor e elétrica. Fabricava vidros para lampiões, janelas, copos e artigos de mesa e importava suas máquinas da Europa para fabricar garrafas e frascos. O seu cristal era comparado ao da tradicional Bacarat. Empregava 600 pessoas entre operários e artistas do vidro. A fábrica de Vidro Esberard esteve ativa até 1940. Outra fábrica de destacada presença foi a Fratelli Vita, da Bahia, fundada em 1902, que produziu garrafas para sodas, refrigerantes, e cristais de qualidade.
Até o século XX, a produção de vidro era essencialmente artesanal, utilizando os processos de sopro e de prensagem, sendo as peças produzidas uma a uma. Foi a partir do início do século XX que a indústria do vidro se desenvolveu com a introdução de fornos contínuos a recuperação de calor e equipados com máquinas semi ou totalmente automáticas para produções em massa.
Em 1982, a indústria francesa Saint-Gobain e a inglesa Pilkington uniram suas forças para construir a primeira fábrica de vidro float do Brasil, a Cebrace, na região do Vale do Paraíba, no estado de São Paulo.
A primeira linha foi construída em Jacareí(SP) em 1982, a segunda em Caçapava(SP) em 1989, e a terceira também em Jacareí, em 1996. Em 2004, a Cebrace inaugura sua quarta linha em Barra Velha (SC).Em 2012, o C5 entra em atividade em Jacareí com a capacidade produtiva de 920 t/dia. Juntas, as cinco unidades produzem 3.600 t/dia.
Em 2013, a Cebrace inaugura a primeira linha de espelhos da América Latina capaz de produzir em jumbo e o investimento no maior coater dos grupos NSG/Pilkington e Saint-Gobain agora no Brasil, responsável pela produção de vidros de proteção solar e seletivos.
Definição
O vidro é uma substância inorgânica, homogênea e amorfa, obtida através do resfriamento de uma massa em fusão. Suas principais qualidades são a transparência e a dureza. O vidro tem incontáveis aplicações nas decoracao-da-sala-vidromais variadas indústrias, dada suas características de inalterabilidade, dureza, resistência e propriedades térmicas, ópticas e acústicas, tornando-se um dos poucos materiais ainda insubstituível, estando cada vez mais presente nas pesquisas de desenvolvimento tecnológico para o bem-estar do homem.
Qualidades
  • Reciclabilidade
  • Transparência (permeável à luz)
  • Dureza
  • Não absorvência
  • Ótimo isolador dielétrico
  • Baixa condutividade térmica
  • Recursos abundantes na natureza
  • Durabilidade
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almanaque-1Quem nunca teve uma almanaque em suas mãos não existe. Os almanaques viraram mania. Mas, antigamente, eles eram até mais comuns! Os almanaques – publicações que divulgam textos bem variados, tratando de temas diversos – muitas vezes eram os materiais de leitura mais acessíveis e estavam presentes nos mais diversos contextos e momentos sociais.

Os almanaques são publicações anuais, sob o formato de calendário, e apresentam indicações astrológicas, previsões meteorológicas destinadas aos agricultores, orientações sobre saúde e comportamento, além de curiosidades, provérbios, receitas, etc. Neste sentido, a publicação mais conhecida deste gênero ainda em circulação é o Almanaque do Pensamento, tradicional anuário editado desde 1912, em São Paulo, pela Editora Pensamento.
Desde as primeiras décadas do século XX, em várias partes do mundo, a publicação de almanaques anuais gozou de grande prestígio junto às famílias, sendo tamanha a sua abrangência e importância no cotidiano que um tradicional almanaque francês, o Almanach Hachette, se subintitulava Petite Encilopédie Populaire de la Vie Pratique (Pequena Enciclopédia Popular da Vida Prática).
250px-Poor_Richard_Almanack_1739Aqui no Brasil os almanaques também eram considerados uma minienciclopédia do cotidiano. Até meados dos anos 70 as famílias letradas procuravam, ao fim de cada ano, os almanaques do ano vindouro, sem que isso significasse o descarte do almanaque “vencido”. Neles, diversão e informação se misturavam de maneira tão singular que era sempre possível, e comum, numa relida, descobrir alguma novidade.
Existiram almanaques de todos os tipos e para todos os gostos. Eles podem ser ao mesmo tempo úteis, lúdicos e prazerosos, didáticos, de devoção, temáticos, tradicionais ou modernos ou tudo isso junto! Afinal, parece que seu objetivo maior sempre é o de responder a todas as perguntas e curiosidades. Nos diferentes tipos de almanaques podemos encontrar informações como: datas importantes e comemorativas, calendários dos santos de cada dia, fases da lua e até textos poéticos (contos, poesia, crônicas ou enciclopédicos), ou seja, nos almanaques tem de tudo um pouco.

Os “Almanaques de Farmácia” são um exemplo dessa diversidade. Eram publicados com o patrocínio de laboratórios farmacêuticos que os utilizavam como estratégia publicitária principalmente para os seus fortificantes e medicamentos. Assim, eram distribuídos gratuitamente pelas empresas e laboratórios em grandes tiragens fazendo com que seus exemplares chegassem às regiões mais distantes do país. Talvez venha daí o fato dos almanaques de farmácia terem sido os mais populares e até hoje estarem presentes nas lembranças dos mais variados e modestos leitores.

Se se perguntasse para alguém mais velho da família sobre almanaques, com certeza surgirão nomes engraçados como: OPharol da Medicina, Almanaque Sadol, Almanaque do Licor de Cacau Xavier, Almanaqualmanaque-biocore Dr. Schilling, Almanaque Saúde da Mulher, Almanak de Bristol, Almanaque Capivarol, Almanaque Bayer, Almanaque Gessy… Ufa! Ah, e é claro: o Almanaque Biotônico Fontoura, provavelmente o mais conhecido de todos.

O Almanaque Biotônico Fontoura, lançado em 1920, foi criado (elaborado e ilustrado) por ninguém menos que Monteiro Lobato! Lobato criou nas suas páginas o folclórico personagem Jeca Tatu, o caipira que fez tanto sucesso que apareceu também nos seus livros infantis.

Os almanaques farmacêuticos do século XX formaram um capítulo importante da história da leitura no Brasil.

Origem da palavra Almanaque

Do árabe almanakh : Tem várias hipóteses para sua origem. A mais sóbria diz que vem de al-manaj, o círculo dos meses: manaj parece ser a arabização do vocábulo latino manacus, que designava o círculo do relógio solar que marca a sucessão dos meses. Combina com a finalidade primordial dos almanaques, que sempre foi a de publicar o calendário com as estações, a lunação, os eclipses etc. Outra hipótese, muito mais imaginativa, também passa pelos árabes: o vocábulo viria de al-manah: lugar onde se pára numa viagem, local onde o camelo descansa, referindo-se às 12 paradas que a Terra faria no seu trajeto ao redor do Sol, nas casas do zodíaco, e lembrando, ao mesmo tempo, o local onde os condutores de caravanas estacionavam para descansar e trocar entre si notícias, histórias curiosas e fatos pitorescos, bem ao modo dos almanaques modernos.

Ainda outra origem por vezes mencionada é que palavra vem do árabe al-manakh, o lugar onde onde o camelo se ajoelha, onde os nômades se reuniam para rezar e contar as experiências de viagens ou notícias de terras distantes. Em português

Originalmente, almanaque (do árabe al-manakh) é o lugar , a parada numa viagem, ou seja, é hora de descanso e abastecimento para os camelos e provavelmente também para seus “tripulantes”.

menino austriacoApós o fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa entrou num período sombrio de sua história; estava destruída, com recursos financeiros escassos e a população tentava se reerguer.
Gerald Waller em 1946 capturou um momento único, de felicidade do austríaco, Werfel, um garoto de seis anos  que vivia num orfanato, recebendo seus primeiros pares de sapatos novos após a Segunda Guerra, presenteados pela Cruz Vermelha.
A foto foi publicada na revista LIFE e eternizou esse pequeno momento de felicidade para uma criança que conhecera, até então, apenas a realidade de um mundo em guerra.
A situação
A Segunda Guerra Mundial entre os anos de 1939 e 1945 foi o conflito armado de maior escala da história da humanidade até os dias de hoje. O combate envolveu as maiores potências da época que empenharam toda sua economia e política, e foi o único a usar armas nucleares dizimando cerca de 70 milhões de pessoas dentre soldados e civis, sendo o conflito mais sangrento da história.
Após um longo período de combate entre Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e Aliança  (liderados por Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos) , a Segunda Guerra chegou ao fim apenas no ano de 1945 quando Itália e Alemanha se renderam. O Japão, último país a assinar o tratado de rendição sofreu um ataque nuclear lançado pelos Estados Unidos onde uma bomba atômica explodiu na cidade de Hiroshima dizimando um grande número de cidadãos japoneses inocentes.
O regime nazista foi responsável pela morte de cerca de 2 milhões de poloneses, 4 milhões de pessoas com problemas de saúde (deficientes físicos e mentais) e um número exorbitante de 6 milhões de judeus no massacre que ficou conhecido como Holocausto. Os danos materiais também foram muitos, a guerra arrasou as nações perdedoras e outras envolvidas destruindo cidades inteiras e a vida de milhares de cidadãos. O pagamento de uma indenização para reconstrução das nações derrotadas foi determinado pelos Aliados assim como uma indenização aos países vitoriosos, assinada no Tratado de Paz de Paris.
Ao final da guerra foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU), que tinha o propósito de manter a paz entre as nações resolvendo os conflitos de forma pacífica e ajudar as vítimas da Segunda Guerra.

Uma solitária jornada

Publicado: 18/09/2012 por Kakao Braga em Atualidades, História, Psicologia & Comportamento

Conta uma antiga lenda que em certo reino, há muito, muito tempo, quando um jovem completava 13 anos era preciso fazer uma solitária jornada , depois da qual , se alcançasse sucesso era admitido entre os guerreiros de seu povo.

A jornada era realizada apenas em determinada época do ano, escolhida pelo mago da tribo.Trinta dias antes da partida, os jovens candidatos ficavam reclusos em uma cabana coletiva. Lá preparavam-se para a jornada que empreenderiam.

No dia marcado, o mago reunia os jovens postulantes , entregava-lhes uma pequena faca e revelava-lhes a prova: deveriam atravessar o continente , pois o reino ficava no coração da Europa; cada um por si, deveria encontrar o mar e retornar em segurança.

Era uma jornada dificílima.O jovem precisava enfrentar o frio, a fome, as feras famintas, a solidão e seu próprio temor. Poucos conseguiam.Muitos voltavam do meio do caminho. Outros chegavam bem perto, vislumbravam o mar ao longe e voltavam daí.

Ao retornarem à sua aldeia, os jovens , um a um , eram recebidos pelo mago.Este, contemplava-os em silêncio e , passado certo tempo, dizia se o jovem tinha ou não cumprido sua jornada. Os que a haviam concluído eram , então, admitidos na tenda dos guerreiros. Eram acolhidos como irmãos, iguais.

Os demais precisavam esperar por todo um ano para fazer mais uma vez a jornada.

Certa ocasião, um ancião que havia tempos observava o mago perguntou:- me explique uma coisa. Por que muitos jovens retornam dando detalhadas informações sobre o mar e você após fitá-los por uns instantes diz: – Você não viu o mar. Poderá voltar no próximo ano.

Outros , entretanto, nada precisam dizer.Você os olha , abraça-os e os manda para a tenda dos guerreiros onde seus irmãos os aguardam. Por quê?

O mago, sorrindo mansa e serenamente respondeu: – Os que viram de fato o mar , não precisam falar dele.Têm o mar no olhar.

As estrelas em nossa bandeira

Publicado: 17/08/2012 por Andrew em Astronomia, História

:: Por Ariel Prudêncio de Souza ::

As estrelas estão representadas em várias bandeiras de diversos países.

Evidentemente, o maior símbolo nacional que aprendemos a reconhecer  é a Bandeira Nacional.

Ela contém constelações inteiras onde cada estrela representa cada um dos 26 Estados que compõem a união mais o distrito federal , como :

Cruzeiro do Sul : São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.

Já a constelação de Escorpião representa os Estados situados a leste do Brasil, região essa banhada pelo oceano Atlântico.

Cão Maior representando os Estados a oeste do país.

A estrela solitária acima da faixa “Ordem e Progresso” é a estrela Spica da constelação de Virgem e representa o estado do Pará onde a capital –Belém  – era a única situada acima da linha do equador, na época  da formatação da bandeira.

O distrito federal é representado pela estrela  Sigma do Octante, conhecida também como  Polar do Sul ou Polaris Australis.

Sigma do Octante  por estar muito próxima do Pólo Sul celeste está sempre visível durante todo o ano e faz  com que tenhamos impressão  que todas as estrelas se movem em torno dela.

Isso representante claramente  que os Estados brasileiros são governados pelo Distrito Federal e giram em torno dela.

Essa configuração foi estabelecida oficialmente e fielmente na configuração do céu carioca, às 12 horas siderais; 20h30m do dia 15 de novembro de 1889, dia da Proclamação da República.

As estrelas são representadas não da maneira com que as vemos da Terra, a lei Nº 5.700, de 1 de setembro de 1971 que dispõe sobre a representação dos símbolos nacionais, determina que as estrelas sejam representadas  como se estivéssemos as vendo fora da esfera celeste, por isso estarem invertidas, como se estivessem sendo projetadas em um espelho.

:: Ariel Prudêncio de Souza é consultor de TI e de Segurança da Informação, astrônomo amador e membro do grupo de observações avançadas do Clube de Astronomia de São Paulo.

Existiu no antigo Japão a lenda de uma árvore mágica que diziam trazer felicidade e realizações á todos que passassem por ela.

A pequena Haru morava numa aldeia com sua família e já ouvira sua avó contar essa lenda,tendo o sonho infantil de encontrar essa árvore.

Sua família vivia em dificuldades.

Certa manhã ela e Anisan,seu irmão,brincavam pelas redondezas quando viram um velhinho sentado numa pedra e dele se aproximaram.

– bom dia!

– bom dia!que linda manhã de sol,não é mesmo?

– sim.o que o senhor faz por aqui?

– estou descansando um pouco,pois vim de muito longe em busca da árvore da felicidade…

Haru e Anisan levantaram as orelhas,curiosos:

– não sabíamos que essa árvore ficava por aqui…

– e não fica. Nesse lugar está o portal que nos leva até ela.

– um portal?

– sim, mas não é facil chegar lá. Precisa-se ter boas pernas para subir aquela montanha e eu já estou meio velho…

As crianças olharam a grande montanha à sua frente e pensaram não ser tão dificil escalá-la. Foi nesse momento que o velho propôs:

– por que vocês não me ajudam a subir? Eu posso mostrar onde fica o portal para vocês..

Os irmãos se entreolharam.o velhinho parecia ser bonzinho e estava tão cansado que concordaram e
começaram a caminhada.

Mesmo tendo um cajado, o velho subiu com dificuldade,e as crianças tiveram que apoiá-lo quase o tempo todo.

Lá de cima, avistava-se toda cidade e eles respiraram fundo quando chegaram.

– e agora?_ perguntaram. Onde está o portal?

– está bem á nossa frente…mas só quem tem o coração puro pode ver…
as duas crianças olharam aquele imenso prado verde e nada conseguiam ver.

– não vemos nada…reclamou Anisan.

– olhem com os olhos da alma…disse o velhinho…está ali,bem à nossa frente. Eu já estou vendo…

Haru fechou os olhos,sentiu a suave brisa da manhã,o calor do sol e pensou no quanto desejava conhecer essa árvore para trazer felicidade e prosperidade para sua família.quando abriu os olhos,a magia aconteceu:ela viu um caminho que antes não estava ali!

– veja Anisan:uma passagem …parece meio invisível…

Anisan esfregou os olhos e também viu.

– estou vendo!vai dar num bosque!

– é isso mesmo!_sorriu o velhinho.

– vamos!

E os três se aventuraram por aquele caminho.

Atravessando o portal,tudo parecia mais bonito:o verde era mais verde,as flores mais coloridas,o céu parecia mais azul. Haviam pássaros e borboletas que eles nunca haviam imaginado!

– como é lindo!_exclamaram as crianças após passarem pela floresta,chegaram a uma clareira onde repousava isolada uma simples árvore frondosa, mas Haru soube na hora que era aquela!

– é aquela!tenho certeza!

As crianças correram na frente, abraçando seu tronco e subindo em seus galhos.

– e agora? Como fazemos para ter felicidade?_ quis saber Anisan.

– basta fazer um pedido do fundo de seu coração!-explicou o velho.

Os irmãozinhos fecharam os olhos e pediram felicidade e prosperidade para sua família. Sentiram-se tão imensamente gratos por estarem ali,que suas almas resplandeceram. Ao abrirem os olhos toda a árvore estava envolvida em uma grande luz,como se atendesse ao desejo dos garotos.

Ambos ficaram deslumbrados!

Haru chamou o velhinho:

– o senhor não vai pedir nada?

Ele apenas sorriu e disse:

– na verdade,já sou muito feliz e vim aqui somente para trazê-los, pois sei que são boas crianças,com pais que merecem ver seu desejo realizado.acham que sabem voltar sozinhos?

– claro!_respondeu Haru …mas não compreendo porque nos trouxe até aqui, subiu com tanta dificuldade e não pediu nada para si…

– porque a verdadeira felicidade está em ver outras pessoas felizes. Sou apenas o guia dessa árvore…adeus,crianças!

E assim dizendo ele desapareceu,como um sôpro.

Anisan e Haru se olharam assombrados, mas não sentiram medo,e sim gratidão pelo que o velhinho fizera.
Voltaram para casa correndo, contando as novidades para sua família que, daquele dia em diante, não mais passou fome,nem teve nenhuma necessidade, prosperando felizes cada dia mais!

:: Por Francisco Antonio Feijó* ::

No dia 27 de abril, o mundo inteiro irá comemorar o Dia dos Empregados Domésticos. A data é dedicada a Santa Rita, a padroeira das domésticas. Filha de camponeses, Rita nasceu na Itália e exerceu a profissão de empregada doméstica por 48 anos, sendo sempre com muita dedicação e apreço. Em 1696 foi canonizada pela Igreja Católica e proclamada padroeira das empregadas domésticas pelo Papa Pio XII.

Neste ano, o mundo tem um bom motivo para comemorar a data, uma vez que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou, em junho do ano passado, durante a 100ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, na Suíça, uma Convenção que conferiu aos domésticos os mesmos direitos que usufruem os profissionais de outros segmentos. Já foram definidos, na OIT, os parâmetros para a segurança social e para a concessão de direitos trabalhistas básicos desses trabalhadores. Nada mais justo!

Vale lembrar que são os domésticos que resolvem os problemas cotidianos da residência onde trabalham, permitindo que seus moradores tenham mais tempo para os afazeres pessoais. São eles que mantêm os ambientes em bons estados, as roupas prontas para serem usadas e as refeições preparadas. É um trabalho difícil, não obstante indispensável ao convívio familiar. Para desempenhar suas funções adequadamente, é imprescindível que os domésticos reconheçam a importância de seu trabalho. Só assim eles se sentirão valorizados. Esses profissionais precisam ter motivos para trabalhar e se dedicar às atividades que exercem, com orgulho.

De acordo com informações da OIT, com base em pesquisas realizadas em 117 países, há pelo menos 52,6 milhões de trabalhadores domésticos no mundo. São eles os faxineiros, cozinheiros, jardineiros, caseiros e babás. O número representa um percentual de 4% e 10% da força laboral nos países em desenvolvimento e até 2,5% nos países industrializados.

O texto introdutório da nova Convenção diz que “o trabalho doméstico continua sendo desvalorizado e invisível, feito principalmente por mulheres e meninas, muitas das quais são migrantes ou pertencem a comunidades desfavorecidas e são particularmente vulneráveis à discriminação relativa ao emprego e trabalho, bem como de outras violações dos direitos humanos”. Você já parou para pensar quantos empregados domésticos estão sendo, hoje, submetidos a cargas horárias excessivas, sem direito a alimentação adequada e descanso semanal? É importante lembrar que não são poucos os que devem permanecer no local de trabalho durante suas férias. Sem contar a discriminação, ofensas pessoais, assédio moral. É possível afirmar que a realidade de muitos empregados domésticos se assemelha ao do trabalho escravo, uma vez que eles vêm sendo vítimas frequentes de violação dos direitos humanos e dos direitos fundamentais do trabalho.

Essa Convenção surgiu justamente para reverter esse quadro, priorizando o respeito e a dignidade humana, e contribuindo para a diminuição da informalidade desse mercado. Não há motivos para o empregado doméstico ter menos direitos quando comparado ao trabalhador ‘comum’. Já passou da hora desses profissionais terem os mesmos direitos de outros trabalhadores, incluindo jornada de trabalho, descanso semanal de pelo menos 24 horas consecutivas, piso salarial, informações claras sobre termos e condições de emprego, bem como o respeito pelos princípios e direitos fundamentais do trabalho, incluindo a liberdade de associação e negociação coletiva.

Os empregados domésticos não só devem ter direitos, mas sim deveres, por parte dos empregadores e governo, que devem ser lembrados e cumpridos. Carteira de trabalho, carnê de pagamento do INSS e FGTS são só alguns exemplos do que todo profissional deve ter. A redução da pobreza só é possível com o crescimento econômico, que deve acontecer por meio do trabalho decente. Motivar é dar motivos. Nada mais justo do que proporcionar a esses profissionais um clima favorável para que eles se automotivem.

:: * Francisco Antonio Feijó é presidente da Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL).