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Símbolos

Publicado: 20/01/2009 por Kakao Braga em Atualidades, Filosofia, História
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Cruz, Selo de Salomão, Om, Lua-Estrela, Cruz de Malta, Tao, Khanda, Flor de Lotus, Triluna

O termo símbolo, com origem no grego σύμβολον (sýmbolon), designa um elemento representativo que está (realidade visível) em lugar de algo (realidade invisível) que tanto pode ser um objeto como um conceito ou ideia, determinada quantidade ou qualidade. O “símbolo” é um elemento essencial no processo de comunicação, encontrando-se difundido pelo quotidiano e pelas mais variadas vertentes do saber humano. Embora existam símbolos que são reconhecidos internacionalmente, outros só são compreendidos dentro de um determinado grupo ou contexto (religioso, cultural, etc.).

ouroboros

Símbolo: Ouroboros

A representação específica para cada símbolo pode surgir como resultado de um processo natural ou pode ser convencionada de modo a que o receptor (uma pessoa ou grupo específico de pessoas) consiga fazer a interpretação do seu significado implícito e atribuir-lhe determinada conotação. Pode também estar mais ou menos relacionada fisicamente com o objecto ou ideia que representa, podendo não só ter uma representação gráfica ou tridimensional como também sonora ou mesmo gestual.

A semiótica é a disciplina que se ocupa do estudo dos símbolos, do seu processo e sistema em geral. Outras disciplinas especificam metodologias de estudo consoante a área, como a semântica, que se ocupa do simbolismo na linguagem, ou seja, das palavras, ou a psicanálise, que, entre outros, se debruça sobre a interpretação do simbolismo nos sonhos.

Na Semiótica todo sígno que a convencionalidade predomina possui uma relação símbolo. Exemplo disso é a paz mundial e a pomba da paz, a convenção fez da imagem semelhante a uma pomba branca, um símbolo de paz.

De acordo com a semiótica podemos resumir simbolo como (Alguma coisa que representa algo para alguém).

Fonte: Wikipédia

Veja também o significado de alguns símbolos: Lua-EstrelaTrilunaTriângulo Celta, Ouroboros, Cruz de Malta,  KhandaFlor de Lotus, TaoOM, Infinito e Labirinto.

:: Por Nèria Escur :: 
(Tradução: Eloise De Vylder)

Eles vivem bem. São pessoas abastadas. Mas querem aprender a gastar, gastar “conscientemente”. Felizes conscientes. Eco-mauricinhos, diz com ironia um jornalista veterano. O neologismo scuppie agrupa os indivíduos que, segundo suas próprias palavras, desejam “viver bem enquanto fazem o bem”.

Chuck Failla era diretor de uma grande empresa de planejamento financeiro com escritórios em Manhattan, e também comentarista de assuntos econômicos em diversos meios de comunicação. Entre eles, os informativos da CNN. Foi ele quem teve a ideia do chamado Manifesto scuppie, cuja filosofia pode ser encontrada em www.scuppie.com.

Embora contraditória para alguns, a palavra é um acrônimo resultante da expressão “socially conscious upwardly-mobile person” (algo como pessoa ambiciosa socialmente consciente), e surgiu quando Chuck Failla colaborava com o cantor Bono num projeto de ajuda social.

Quais são os requisitos para ser um scuppie? O que há de especial nessa legião de pessoas conscientes? Segundo o manifesto, eles usam roupas orgânicas – que podem ser 100% algodão, produzidas, é claro, por empresas livres dos circuitos de exploração. Alimentam-se de forma saudável, amam a soja pura e o arroz integral e respeitam o meio ambiente sem sentir que “sacrificam” sua vida por um paraíso verde. E tudo, isso sim, sem renunciar gastar.

“Não é obrigatório escolher entre a velocidade de um carro e a economia de combustível. As duas coisas podem ser combinadas – diz o documento, que tem como lema o conforto e a conservação. Luxo e continuidade. Em seu interior, há um ponto asceta e verde. Reciclam, usam sacolas de papel ou pano – nunca de plástico – e não desperdiçam água. “Ainda que você tenha dinheiro não tem porque ignorar a realidade. Pode agir de acordo.”

Parece que para reconhecer um scuppie basta entrar em sua casa, olhar a disposição da mesa de trabalho e saber o menu que preparou para a ceia de fim de ano. É possível distingui-lo pelos meios de transporte que utiliza, o modo de encarar sua profissão ou o destino de suas férias. Porque nunca dará rosas tingidas de azul, lençóis de poliéster ou produtos reconhecidos como tóxicos. Porque educará seus filhos com um conhecimento universal e alguma filosofia para economizar, mesmo que continue vivendo com mais do que precisa.

O modelo escolhido – da alta sociedade – é o casal Angelina Jolie e Brad Pitt. Com filhos biológicos e adotados, grandes desafios profissionais e familiares, um compromisso social público e contínuo, eles estão envolvidos em campanhas de ajuda social, mas instalados no bem-estar. Jolie é embaixadora da boa vontade do Alto Comissionado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e parece que seu marido se contagiou por essa vontade solidária.

Os scuppies são pessoas definitivamente bem informadas, que tomam partido e fascinam o público com seu modo de vida, ainda que alguns os vejam como ativistas e outros apenas como mentes arrependidas que não pensaram no aquecimento global há duas décadas.

Como Failla teve a ideia do Manifesto Scuppie? Um dia, em seu escritório, depois de uma conversa telefônica, um colega de trabalho perguntou se ele havia conseguido um novo cliente. “Respondi que sim, que era o cantor Bono e eu iria ajudá-lo num projeto para pessoas sem teto. E enquanto eu falava, ele não parava de olhar com ceticismo para o meu Armani e o meu Rolex”. Failla se questionou então se não era possível querer ascender profissionalmente e, ao mesmo tempo, ser socialmente consciente. “Ainda que eu ganhe dinheiro – responde Chuck Failla – não me esqueço que vivo em comunidade. Sei que devo envolver-me nas lutas pelo meio ambiente e contra a injustiça social”.

Fonte: La Vanguardia

:: Flávio Gikovate ::

man_woman_242421Atualmente ainda é grande o número de mulheres que têm uma visão unilateral e, até certo ponto machista, acerca da história das relações íntimas entre homens e mulheres. É fato que os homens sempre foram fisicamente mais fortes e se beneficiaram disso para, antes da vida em sociedade, terem acesso às mulheres que lhes despertavam o desejo. Em sociedade, porém, as escolhas e as parcerias sempre foram regulamentadas. Determinados homens deveriam se casar com determinadas mulheres e as escolhas eram feitas pelos pais deles. Ao homem cabia uma série de deveres e direitos, sendo o mesmo verdadeiro para as mulheres. É fato que os homens tinham seus direitos matrimoniais, o que significava que as mulheres tinham que estar sempre disponíveis sexualmente. Isso só se modificou de poucas décadas para cá.

Os casamentos não foram fundados, ao longo da história, em sentimentos amorosos. Quando um homem quisesse ter acesso a qualquer outra mulher que lhe despertasse o interesse sexual ou sentimental, dependia completamente da concordância dela. Ou seja, dentro do casamento ele tinha direitos e deveres e agia como se fosse o rei, o chefe; mas o clima não era de natureza amorosa e sim de associação para fins reprodutores e para, juntos, enfrentarem as adversidades da vida prática. Qualquer vivência de caráter erótico ou sentimental, que sempre acabava por acontecer, dependia dele se fazer interessante aos olhos das mulheres, sendo que estas já eram interessantes, porque haviam despertado neles o interesse sexual e/ou sentimental. Dependiam, portanto, da aprovação delas.

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Mudança ortográfica começa em 1 de janeiro de 2009.

Mudança ortográfica começa em 1 de janeiro de 2009.

Depois do Natal, todos esperam com expectativa pela chegada do ano novo. E 2009 reserva muitas surpresas, inclusive ortográfica. A partir do dia 1 de janeiro, o Brasil será o primeiro país a adotar oficialmente a nova grafia, que será obrigatória em documentos oficiais e para a mídia.  As alterações foram discutidas entre os oito países (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe) que usam a língua portuguesa -uma população estimada hoje em 230 milhões – e a adoção das regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa têm como objetivo aproximar essas culturas. A reforma obedecerá a um período de transição até 31 de dezembro de 2012, durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova norma estabelecida.

O Acordo Ortográfico assinado em 1990, e que agora será implantado, é um tratado internacional que tem por objetivo criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países de língua oficial portuguesa. Com essa ação, os representantes oficiais dos países envolvidos, pretendem aumentar o prestígio da língua internacional, dando fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes: uma no Brasil e outra nos restantes países de língua portuguesa. É dado como exemplo motivador pelos proponentes do Acordo o castelhano que apresenta bastante variação, quer na pronúncia quer no vocabulário entre a Espanha e a América hispânica, mas sujeito a uma só forma de escrita, regulada pela Associação de Academias da Língua Espanhola.

O teor substantivo e o valor jurídico do tratado não alcançaram consenso entre linguistas, filólogos, académicos, jornalistas, escritores, tradutores e personalidades dos sectores artístico, universitário, político e empresarial das sociedades portuguesa e brasileira, de modo que sua aplicação tem suscitado discordância por motivos linguísticos, políticos, econômicos e jurídicos, havendo quem afirme mesmo a inconstitucionalidade do tratado.

A história das mudanças ortográficas da língua portuguesa

108569Até ao início do século XX, tanto em Portugal como no Brasil, seguia-se uma ortografia que, por regra, se baseava nos étimos latino ou grego para escrever cada palavra (ex.: pharmacia, lyrio, orthographia, phleugma, diccionario, caravella, estylo, prompto, etc.).

Em 1911, no seguimento da implantação da república em Portugal, foi levada a cabo uma profunda reforma ortográfica que modificou completamente o aspecto da língua escrita, aproximando-o muito do atual. No entanto, esta reforma foi feita sem qualquer acordo com o Brasil, ficando os dois países com duas ortografias completamente diferentes: Portugal com uma ortografia reformada, o Brasil com a ortografia tradicional (dita pseudo-etimológica). Ao longo dos anos, a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras foram protagonizando sucessivas tentativas de estabelecimento de uma grafia comum a ambos os países.

Em 1931 foi feito um primeiro acordo, no entanto, como os vocabulários que se publicaram, em 1940 (em Portugal) e 1943 (no Brasil), continuavam a conter algumas divergências, realizou-se um novo encontro que deu origem ao Acordo Ortográfico de 1945. Este acordo tornou-se lei em Portugal, mas no Brasil não foi ratificado pelo Congresso Nacional, continuando os brasileiros a regular-se pela ortografia do Formulário Ortográfico de 1943.

Novo entendimento entre Portugal e o Brasil – efetivo em 1971 no Brasil e em 1973 em Portugal – aproximou um pouco mais a ortografia dos dois países, suprimindo-se os acentos gráficos responsáveis por 70% das divergências entre as duas ortografias oficiais e aqueles que marcavam a sílaba subtónica nos vocábulos derivados com o sufixo -mente ou iniciados por -z- (ex.: sòmente, sòzinho).

Novas tentativas de acordo saíram goradas em 1975 – em parte devido ao período de convulsão política que se vivia em Portugal, o PREC – e em 1986 – devido à reação que se levantou em ambos os países, principalmente a propósito da supressão da acentuação gráfica nas palavras esdrúxulas (ou proparoxítonas).

No entanto, como, segundo os proponentes da unificação, a persistência de duas ortografias oficiais da língua portuguesa – a luso-africana e a brasileira – impede a unidade intercontinental do português e diminui o seu prestígio no mundo, foi elaborado um “Anteprojeto de Bases da Ortografia Unificada da Língua Portuguesa”em 1988, atendendo às críticas feitas à proposta de 1986, que conduziu ao novo Acordo Ortográfico em 1990.

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Após três anos seguidos de queda, a taxa anual de desmatamento na Amazônia voltou a aumentar. Entre agosto de 2007 e julho de 2008 foram desmatados 11.968 quilômetros quadrados – 3,8% a mais que os 11.532 km2 do período anterior. A notícia foi divulgada pelo diretor do Inpe, Gilberto Câmara, na sede da instituição em São José dos Campos (SP).

Especialistas Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e por 29 instituições de pesquisa em todo o mundo alertam para os possíveis prejuízos gerados pelo desmatamento da floresta amazônica. “O Brasil precisa pensar a preservação da Amazônia como uma questão econômica e que terá impacto direto em suas exportações e produção agrícola nos próximos 50 anos”, afirmou Pavan Sukhdev, chefe da divisão econômica do Pnuma e ex-banqueiro do Deutche Bank. “Os cálculos apontam para prejuízos a médio e longo prazo de US$ 1 trilhão para a região, o que acarretaria uma queda drástica nas exportações, na produção, a necessidade de importar alimentos, perda de postos de trabalho e queda em geral nas economias das regiões mais afetadas”, disse.

A Amazônia abriga 33% das florestas tropicais do planeta e cerca de 30% das espécies conhecidas de flora e fauna. Hoje, a área total vítima do desmatamento da floresta corresponde a mais de 350 mil Km2, a um ritmo de 20 hectares por minuto, 30 mil por dia e 8 milhões por ano. Com esse processo, diversas espécies, muitas delas nem sequer identificadas pelo homem, desapareceram da Amazônia. Sobretudo a partir de 1988, desencadeou-se uma discussão internacional a respeito do papel da Amazônia no equilíbrio da biosfera e das conseqüências da devastação que, segundo os especialistas, pode inclusive alterar o clima da Terra.

“A Amazônia não é uma questão ambiental. É uma questão econômica”, disse Sukhdev. “O governo brasileiro precisa entender que preservar a floresta não é um luxo, mas logo será uma necessidade econômica”, afirmou. Entre 2000 e 2005, 48% da perda de cobertura florestal no mundo ocorreu no Brasil. 13% da perda ocorreu na Indonésia.

Os estudos apontam que substituir a Amazônia custaria pelo menos US$ 100 bilhões apenas em projetos para o fornecimento de água no restante do país. Para os especialistas, apenas o valor da Amazônia gerando as chuvas no sul e centro do continente já seria um motivo suficiente para proteger a floresta. A avaliação dos cientistas é de que a Amazônia seria a melhor “bomba de água” e o mais eficiente projeto de irrigação do planeta.

Os estudos foram feitos por uma rede de institutos de pesquisa de 19 países conhecida como Global Canopy Programme e pela ONU. O levantamento, usando dados do cientista brasileiro Antônio Nobre, aponta que 20 bilhões de toneladas de água evaporam todos os dias da região amazônica. Parte dessa água acaba chegando ao Cone Sul do continente, área mais fértil da América do Sul e considerada como celeiro do mundo nas próximas décadas. A água também abastece uma quantidade importante de rios que vão garantir a qualidade de terras na Argentina e Paraguai.

Para compensar a perda da floresta, os especialistas alertam que o Cone Sul teria de contar com 50 mil das maiores usinas de energia trabalhando 24 horas por dia para garantir o abastecimento de água a todo o território cultivável. “A floresta faz isso de graça”, alertou Sukhdev.

A Amazônia é um dos poucos redutos do planeta onde ainda vivem povos humanos primitivos, dezenas de tribos que espalham-se em territórios dentro da mata, mantendo seus próprios costumes, linguagens e culturas, inalterados por milhares de anos. Antropólogos acreditam que ainda existam povos primitivos desconhecidos, vivendo nas regiões mais inóspitas e inacessíveis. As características do clima e do solo da região amazônica, pouco propícias à conservação de materiais, não deixaram muitos vestígios sobre a vida dos povos pré-colombianos. Mas o patrimônio arqueológico é precioso, com registros que chegam a 10.000 a.C. A riqueza da cerâmica, com suas pinturas elaboradas, demonstra que muitos desses povos atingiram um estágio avançado de organização social, sempre guiados por uma forte relação com a natureza.

(Fontes: Ambiente em Foco, Greenpeace, Socioambiental)

marco-aurelioMarco Ânio Vero (Marcus Annius Verus) nasceu a 26 de Abril do ano 121, sob o principado de Adriano, numa rica e distinguida família de origem hispânica. O seu avô, Cônsul por três vezes (caso raro naquela época), fora prefeito de Roma durante o reinado de Adriano. Pertenceu a uma família de aristocratas e muito cedo perdeu os pais. O imperador reparou nele desde criança e pagou-lhe os estudos. Além disso, as honras que Adriano lhe atribuiu ainda durante a infância (por exemplo, o título de “Verissimus”), mostram que o imperador – sem filhos -, o via como um potencial sucessor.

O jovem Marco Vero recebeu uma esmerada educação, com ênfase na retórica e na filosofia. Desde tenra idade que exibiu um ar culto e circunspecto, que lhe valeu a atenção do imperador Adriano. Aos onze anos conheceu o estoicismo e adotou hábitos de vida austera. Após os anos de sua formação passou a colaborar intimamente com o imperador, seu pai adotivo, ocupando o cargo de cônsul por três vezes.

Antes de morrer, no ano 138, Adriano nomeou sucessor o rico senador T. Aurélio Fúlvio Boiónio Árrio Antonino (T. Aurelius Fulvus Boionius Arrius Antoninus), de 52 anos, com a condição de que este último adotasse o jovem Marco Vero (bem como o filho de Ceiónio Cómodo, seu antigo co-imperador, Lúcio Aélio Cômodo).  O jovem Marco Vero, agora chamado Marco Aélio Aurélio Vero (Marcus Aelius Aurelius Verus), tornou-se assim herdeiro do principado, em conjunto com o também jovem Lúcio Cômodo.

O longo principado de Antonino foi um dos mais pacíficos e brilhantes de toda a história do Império Romano. Foi a época áurea da Pax Romana, durante a qual Marco Aurélio ascendeu todos os degraus do Cursus Honorum. Cônsul em 140 e 145, recebeu o poder tribunício (tribunitia potestas) em 147, talvez em conjunto com o império proconsular (imperium proconsulare).

Apesar da sua dedicação à carreira pública, Marco Aurélio não perdeu o contato com a filosofia. Continuou a privar com filósofos e pensadores distintos, como Herodes Ático, Frontão, Epíteto e Aélio Aristides. O jovem César pertencia à escola dos estóicos, como comprova a sua obra “Pensamentos para mim próprio” (escrita em grego, com o título “Ta eis heauton”, e também chamada “Meditações”). Note-se que estes Pensamentos não foram escritos para serem publicados, mas sim como reflexão pessoal para o ajudar a enfrentar a adversidade com fortaleza e serenidade, tendo como temas a moral e o sentido da vida.

Em 161, Aurélio Antonino morre e Marco Aurélio torna-se imperador, em conjunto com Lúcio Cômodo. No entanto, Marco Aurélio era visto como o principal governante, uma vez que Lúcio era demasiado dado aos prazeres e à dissipação. O contraste entre o estóico Marco e o inconsciente Lúcio dava ao primeiro a autoridade moral necessária para governar quase sozinho. No entanto, caso raro na história dos Césares, o próprio Lúcio aceitava este estado de coisas e Marco, por seu turno, cuidava e protegia o seu co-governante. Um caso raro numa longa história de traições, assassínios e guerras civis. E quando Lúcio morreu, em 169, Marco Aurélio assumiu o poder sozinho. O governo de Marco Aurélio se estendeu por quase vinte anos (até sua morte) e foi perturbado por guerras sangrentas e prolongadas, com as conseqüentes dificuldades internas.

549Ele conseguiu enfrentar todas as dificuldades, tendo sido excelente guerreiro e administrador e, ao mesmo tempo, humanizando profundamente o exercício do poder. Nos poucos momentos que permitiam os encargos de governo, recolhia-se à reflexão filosófica e escrevia seus pensamentos em língua grega. Com isso, tornou-se o terceiro e último expoente do estoicismo romano. O conteúdo de suas Meditações (como ficaram conhecidos posteriormente seus pensamentos), é a filosofia estóica, mas um estoicismo distante das doutrinas de Zenão. As especulações físicas e lógicas cedem lugar ao caráter prático dos romanos e ao aconselhamento moral.

Em Marco Aurélio, como também nas máximas de Epíteto, a questão central da filosofia é o problema de como se deve encarar a vida para que se possa viver bem. Esse problema é tratado com grande esforço e interesse por Marco Aurélio, homem religioso e pouco interessado na investigação científica. Em seus pensamentos, são bem visíveis as tendências ecléticas. Ele não hesita em acolher posições de sabedoria que vêm até mesmo de Epicuro. Mas, uma das características que mais impressiona o leitor de suas Meditações, é a insistência com a qual é tematizada e afirmada a “caducidade” das coisas. Eis uma passagem que ilustra esse pensamento:

 “Quão rapidamente, num segundo, desvanecem todas as coisas, os corpos no espaço, e a memória desses no tempo! E o que são todas as coisas sensíveis e, especialmente, as que nos seduzem com a voluptuosidade ou nos amedrontam com a dor ou são exaltadas pelos homens! Quão vis são, desprezíveis, horríveis, corrompidas, mortas!”.

Marco Aurélio também rompe com o antigo Pórtico, quando distingue no homem: o corpo, que é carne, a alma, que é sopro ou pneuma (ar) e, superior à própria alma, o intelecto ou mente. Enquanto o antigo Pórtico identificava o princípio dirigente do homem com a parte mais elevada da alma, Marco Aurélio o põe fora da alma e o identifica com o intelecto. Por essa razão, o estoicismo de Marco Aurélio freqüentemente apresenta discrepância em relação às suas origens gregas. Por certo, a verdadeira chave para a compreensão das oscilações de Marco Aurélio deve ser procurada menos em suas características psicológicas do que nas circunstâncias históricas em que viveu. Embora sua colaboração tenha sido de grande importância, ele não chegou a ser um pensador original.

Marco Aurélio foi um governante consciencioso e justo – não apenas pelos padrões romanos -, e a historiografia romana dos séculos seguintes apenas o acusa de um grave erro: ter nomeado herdeiro o seu filho Cômodo, que viria a revelar-se um tirano ao estilo de Nero e Domiciano (embora, como estes dois, tenha sido alvo de intensas campanhas que visavam denegrir a sua imagem, por parte dos seus adversários).

Muitos consideram Marco Aurélio o último imperador do chamado “Alto Império”. Quando ele morreu, em 180, em Vindobona (atual Viena), teve início um longo século de distúrbios, guerras civis e invasões estrangeiras – durante o qual a própria existência do Império esteve em causa -, e que só terminaria com a ascensão de Diocleciano e a instauração do regime “totalitário” do Dominado.

Bibliografia recomendada: REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. São Paulo, vol. IV Edições Loyola, 1993.

marcusFrases do Imperador Marco Aurélio

A nossa vida é aquilo que os nossos pensamentos fizerem dela.
Nada de desgosto, nem de desânimo; se acabas de fracassar, recomeça.
Muitas vezes erra não apenas quem faz, mas também quem deixa de fazer alguma coisa
O melhor modo de vingar-se de um inimigo, é não se assemelhar a ele.
Mantenha-se simples, bom, puro, sério, livre de afetação, amigo da justiça, temente aos deuses, gentil, apaixonado, vigoroso em todas as suas atitudes. Lute para viver como a filosofia gostaria que vivesse. Reverencie os deuses e ajude os homens. A vida é curta.
Pratica cada um dos teus atos como se fosse o último da tua vida.
Se te ocorrer, de manhã, de acordares com preguiça e indolência, lembra-te deste pensamento: «Levanto-me para retomar a minha obra de homem».
Antes o reprovamento por um gênio do que um louvor de um idiota.
A experiência é um troféu composto por todas as armas que nos feriram.
Não se é menos culpado não fazendo o que se deve fazer do que fazendo o que não se deve fazer.
A arte de viver é mais parecida com a luta do que com a dança, na medida em que está pronta para enfrentar tanto o inesperado como o imprevisto e não está preparada para cair.
Quanto não ganha em tranqüilidade quem não se preocupa com o que o vizinho diz, faz ou pensa, mas apenas com os seus próprios atos.
Não desprezes a morte; dá-lhe boa acolhida, como a uma das coisas que a Natureza quer.
Mudar de opinião e seguir quem te corrige é também o comportamento do homem livre.
Rejeita a sede dos livros, para que não morras com queixumes, mas serenamente.
Os homens são feitos um para o outro: instrui-os, ou então, suporta-os.
A maior parte das coisas que dizemos e fazemos não é necessária; quem as eliminar da própria vida será mais tranqüilo e sereno.
Quem peca, contra si peca; quem comete injustiça, a si agrava, porque a si mesmo perverte.
Se tens dificuldade em cumprir um intento, não penses logo que seja impossível para o homem; pensa quanto é possível e natural para ele, e que também pode ser alcançado por ti.
Mais penosas são as conseqüências da ira do que as suas causas.
Se uma causa exterior te perturba, a tua aflição não vem dessa causa, mas, sim, do teu juízo a respeito dela. Em teu poder está a possibilidade de diluir essa aflição. Se teu desgosto decorre de uma disposição interior, quem te impede de corrigir teu estado de espírito.

Daqui a três anos, todos os estudantes do ensino fundamental e médio das redes públicas e particulares deverão ter em seus currículos escolares, a música como disciplina. A legislação torna obrigatória essa prática mas, embora ainda não se saiba como e de que forma se dará, todos concordam em um ponto: a música é uma eficaz no processo de desenvolvimento e formação pessoal, cultural e social.

O conselheiro de ABEMÚSICA, Marcelo Aziz, considera a aprovação da lei um avanço significativo no campo das artes. “Acredito que haverá o aumento do interesse pela música. Cientificamente, existem várias pesquisas e dados sobre a influência positiva que a música pode causar. A linguagem musical sempre presente na vida dos seres humanos, fazendo parte da educação de crianças e adultos. Na Grécia, a música era considerada fator fundamental na formação dos cidadãos, tanto quanto a filosofia e a matemática, e esse ensino começava na infância”, comenta.

O cantor e deputado Frank Aguiar (PTB-SP), relator do projeto na Comissão de Educação e Cultura explica que “a música transformou minha vida e desejo que mude a dos outros também. É um instrumento de mediação para conviver consigo mesmo”. E acrescenta: “a musicalização desenvolve a percepção auditiva, a imaginação, a coordenação motora, a memorização e a socialização”.

Segundo Alexandre Medeiros, gerente da Made in Brazil Music Megastore, uma das mais conceituadas e maiores lojas de instrumentos musicais da América Latina, as pessoas não usufruem da música apenas quando tem algum tipo de iniciação em algum instrumento ou talento. “O ritmo e a mensagem musical são transformadores. Com o ensino nas escolas, independente do tipo (popular, erudito ou regional), crianças e jovens vão ter contato mais próximo com a música, vão conhecer os diversos instrumentos, podendo tornar-se bons ouvintes e apreciadores musicais”, afirma.

A música e seus benefícios
Para os historiadores, já na história da antiguidade, a música aparece como uma das mais antigas formas de expressão. Na China, Índia, Egito e Grécia, mesmo antes de Cristo, já existia uma rica tradição musical. Com o tempo a complexidade musical se alterou, mas a vivência musical não se alterou, faz parte da vida e do dia-a-dia do ser humano e tem a capacidade de unir crianças, jovens e adultos para cantar, tocar um instrumento ou ambas.
Constatação – A Universidade da Califórnia em Irvine descobriu que, após seis meses tendo aulas de piano, crianças pré-escolares tiveram desempenho 34% melhor em testes de raciocínio tempero-espacial que aquelas que não tiveram nenhum treino ou aquelas que tiveram aulas de informática.

Na mesma instituição, estudaram-se também dois grupos de crianças. Um deles teve lições de piano e cantava diariamente no coro. Após oito meses, as crianças musicadas eram experts no domínio de quebra-cabeças, atingindo desempenho 80% superior aos colegas em inteligência espacial.

Alunos adolescentes em colégios de internato que estudaram música obtiveram em testes de aptidão 52 pontos mais na parte verbal e 37 pontos a mais em matemática do que aqueles sem instrução musical.

Estudiosos confirmaram que as respostas ao estímulo musical oferecido aos seres humanos são verificadas nas atitudes, personalidade e no aprendizado.

O aprendizado de música já na infância contribui para três tipos de formação:

1- PESSOAL

– Traz alegria à vida, aumenta a concentração, melhora a comunicação e a memória.
– Ao tocar um instrumento, contribui para o desenvolvimento das coordenações sensório-motoras.
– Educa os sentimentos cívico-sociais, influindo na construção do caráter.
– Integrada às outras disciplinas, a música aumenta o desempenho do aluno que passa a ter uma média de aprendizado muito maior em todas elas.
– Disciplina emoções: timidez, medo, agressividade (musicoterapia).

2- CULTURAL

– Desperta o senso rítmico.
– Desenvolve a sensibilidade musical, baseada no ritmo, no som e na palavra.
– Faz apreciar as realizações do mundo artístico em rádio, TV ou Internet.
– Desperta a criatividade, tornando a criança capaz de elaborar suas próprias músicas.

3- SOCIAL

– Estimula o perfeito convívio coletivo.
– Implanta o gosto pelo canto em coro, levando a criança a começar a compreender o que é trabalhar em equipe e a importância disso na sociedade.
– Mantém a confraternização entre escolares e a comunidade.
– Apresenta repertórios diferentes como música erudita, folclórica, popular, religiosa e etc.
– Desperta a importância da ordem disciplina, organização e respeito ao outro e a si mesmo.
– Faz com que a criança se envolva com os projetos, e esteja sempre ocupada “quase” o bastante para evitar problemas, melhorando inclusive no aspecto disciplinar.