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Lótus é o símbolo da expansão espiritual, do sagrado, do puro.

A flor-de-lótus (Nelumbo nucifera), também conhecida como lótus-egípcio, lótus-sagrado e lótus-da-índia, é uma planta da família das ninfáceas (mesma família da vitória-régia) nativa do sudeste da Ásia (Japão, Filipinas e Índia, principalmente).

A flor de lótus é também muito estudada por botânicos que usam os avanços da tecnologia para tentar descobrir por que a flor de lótus nunca fica suja e absorve toda sujeira que nela se encontra. É chamada por eles de auto limpante. Cientistas estudam a flor há muito tempo e seus mistérios são muitos. Para os cientistas os grandes mistérios são que mais atraem e com certeza eles vão desvendar muitas curiosidades sobre a flor de lótus. A imagem da flor de lótus também é vista como a criação do mundo na Índia e por esse motivo em muitas gravaras de lá os deuses sempre estão perto de uma flor de lótus seja sentado ou em cima delas. A flor de lótus também esta no yoga como uma posição. No caso do budismo a flor de lótus significa o amor de Buda.

Olhada com respeito e veneração pelos povos orientais, ela é freqüentemente associada a Buda, por representar a pureza emergindo imaculada de águas lodosas. No Japão, por exemplo, esta flor é tão admirada que, quando chega a primavera, o povo costuma ir aos lagos para ver o botão se transformando em flor.

É uma flor muito fácil de encontrar na Ásia e nasce em lugares que possuem muita água. Para cultivar uma flor de lótus não é muito difícil basta coloca-la em lagoas, vasos imersos, tanques de jardim, pois ela precisa muito de água, pois é uma planta aquática. A flor de lótus não precisa ser regada, pois já vive na água e para adubá-la basta faze-lo uma vez por ano. A flor de lótus deixa o espaço natureza bem mais agradável e bonito. A flor de lótus requer alguns cuidados para que fique bonita e não morra e um deles é ficar exposta ao sol o maior tempo possível. Ela também é uma flor muito sensível e por isso não se dá muito bem com geadas. Possui uma haste bem comprida e com isso pode ficar em ate um metro de distancia da água. A flor de lótus é bastante perfumada e deixa as águas mais encantadoras.

A Flor de Lótus envolve vários aspectos da vida. O caule cresce através da água e suas raízes ficam submersas à lama. Com os raios de sol, a flor desabrocha e cresce, se transformando em uma linda imagem. Simbolizando o progresso da alma que mesmo vindo da lama materializa-se na primavera e acaba superando todas as dificuldades. Essa é uma das únicas flores que sobe tantos centímetros acima da superfície, sendo que ela é uma planta que vive na água, assim como muitas outras. Além disso, exiba uma linda beleza.

O lótus é uma das melhores metáforas do budismo aparece em todos os tipos de arte budista em todas as culturas budista elas muitas vezes embelezam as artes têxteis, cerâmicas e arquitetura.

A mais importante divindade budista “Buda” é associada a lótus, por estar sentada sobre uma em plena floração ou tela em suas mãos isso aparece em algumas imagens do Buda de pé ou cada pé repousa sobre um lótus separada. Buda sempre esta representado em um lótus florescente. Isso por que a crença diz que a flor de lótus fechada é como o coração do seres que só desabrocha depois que o sentimento de Buda os toca. Cada cor também tem um significado diferente. A cor mais comum é a branca.
A Lótus Branca significa pureza, perfeição em relação ao estado espiritual e mental do ser, no caso a flor. A cor proclama a sua perfeição na natureza, assim como sua cor, que em todos os sentidos já significa pureza. Para entender mais sobre o assunto, procure a religião Budista.

Lenda:

A lenda budista nos relata que quando Siddhartha, que mais tarde se tornaria o Buda, tocou o solo e fez seus primeiros sete passos, sete flores de lótus cresceram. Assim, cada passo do Bodhisattva é um ato de expansão espiritual. Os Budas em meditação são representados sentados sobre flores de lótus, e a expansão da visão espiritual na meditação (dhyana) está simbolizada pelas flores de lótus completamente abertas, cujos centros e pétalas suportam imagens, atributos ou mantras de vários Budas e Boddhisattvas, de acordo com sua posição relativa e relação mútua.

Do mesmo modo, os centros da consciência no corpo humano (chacras) estão representados como flores de lótus, cujas cores correspondem ao seu caráter individual, enquanto o número de suas pétalas corresponde às suas funções.

O significado original deste simbolismo pode ser visto pela semelhança seguinte: Tal como a flor do lótus cresce da escuridão do lodo para a superfície da água, abrindo sua flores somente após ter-se erguido além da superfície, ficando imaculada de ambos, terra e água, que a nutriram – do mesmo modo a mente, nascida no corpo humano, expande suas verdadeiras qualidades (pétalas) após ter-se erguido dos fluidos turvos da paixão e da ignorância, e transforma o poder tenebroso da profundidade no puro néctar radiante da consciência Iluminada (bidhicitta), a incomparável jóia (mani) na flor de lótus (padma). Assim, o arahant (santo) cresce além deste mundo e o ultrapassa. Apesar de suas raízes estarem na profundidade sombria deste mundo, sua cabeça está erguida na totalidade da luz. Ele é a síntese viva do mais profundo e do mais elevado, da escuridão e da luz, do material e do imaterial, das limitações da individualidade e da universalidade ilimitada, do formado e do sem forma, do Samsara e do Nirvana.

Se o impulso para a luz não estivesse adormecido na semente profundamente escondida na escuridão da terra, o lótus não poderia se voltar em direção à luz. Se o impulso para uma maior consciência e conhecimento não estivesse adormecido mesmo no estado da mais profunda ignorância, nem mesmo num estado de completa inconsciência um Iluminado nunca poderia se erguer da escuridão do Samsara.

A semente da Iluminação está sempre presente no mundo, e do mesmo modo como os Budas surgiram nos ciclos passados do mundo, também os Iluminados surgem no presente ciclo e poderão surgir em futuros ciclos, enquanto houver condições adequadas para vida orgânica e consciente.

PERDO_~1:: Por Emilce Shrividya Starling ::

Segundo a filosofia do yoga, o perdão é um dos caminhos do dharma – dever. É uma grande virtude que abre o caminho da luz. É uma bênção tanto para quem recebe como para quem concede.

Aquele que perdoa e não guarda rancores em seu interior, experimenta despreocupação e a leveza da alegria. A capacidade de perdoar não acontece facilmente ou rapidamente. É uma virtude que precisa se cultivada por muito tempo. Você precisa ter muita força interior que vem da sabedoria e do amor de seu coração.

A oração, a contemplação e a meditação purificam o coração e a mente e auxiliam a sentir o perdão. O perdão é um ato do coração e faz você experimentar o amor de seu próprio interior. Ele libera a dor, o ressentimento que você carregou como um fardo que feria a você mesmo e aos outros. Você deixa de ser vítima de quem lhe prejudicou.

Torna-se mais fácil perdoar quando você não multiplica as ofensas, não guarda mágoas e nem permite que a dor cresça em seu coração se relembrando do que lhe fizeram ou do que aconteceu.

É difícil perdoar quando você reage agindo da mesma maneira, revperdoaridando as provocações, as afrontas e magoando também a outra pessoa. É preciso se lembrar que tudo que você pensa, fala e faz cria seu próprio mundo. Deste modo, ao criar dor para a alguém você está criando sofrimento e inquietude para si mesmo.

Quando uma pessoa nutre pensamentos rancorosos, esses pensamentos tendem a se acumular gerando tensões, insônia, agitação, destruindo sua própria paz mental. A raiva e o ódio são emoções que tendem a se agravar e a crescer se deixados sem controle. São nossos verdadeiros inimigos.

Você pode até achar que sente aliviado ao responder da mesma maneira, mas você se esquece que está gerando sofrimento para si mesmo. Você não percebe que essas emoções destrutivas queimam você por dentro, tiram sua paz e alegria.

Para superar essas emoções destrutivas, você precisa cultivar a paciência e a tolerância. Como diz Dalai Lama, no livro A Arte da Felicidade: “um produto da paciência e da tolerância, é o perdão. Quando somos realmente pacientes e tolerantes, o perdão surge espontaneamente”.

O perdão é uma escolha. É recuperar seu poder, é assumir a responsabilidade pelo que você sente. O perdão é para sua própria cura porque você não gasta energia desnecessária sentindo raiva e sofrimento em relação a coisas sobre as quais você não pode mais mudar e não têm poder.

perdaoMuitas pessoas não entendem que quem perdoa é o mais beneficiado e teimam em afirmar que o outro não merece seu perdão. Mas, agindo assim, elas estão apenas criando uma montanha de dor para elas mesmas. Analise os acontecimentos negativos no passado e reconheça que passado é passado e que nada vai mudar esses acontecimentos. Perceba que não adianta guardar ressentimentos, pois isto apenas perturba sua mente criando infelicidade para você.

Perdoar não é esquecer algo doloroso que aconteceu. Perdoar e esquecer são coisas diferentes. Você pode até se lembrar desses acontecimentos, mas o importante é abandonar os sentimentos negativos relacionados a esses acontecimentos. Ao perdoar você não fica preso ao passado.

O perdão é a energia do amor que nos liberta. Entenda o valor do perdão. Compreenda que perdoando você pode melhorar sua saúde física e mental. Você se liberta das amarras das mágoas e experimenta a leveza do coração.

Perdoando você está sendo gentil com você mesmo e reconhecendo a bondade de sua alma. Você experimenta tranqüilanne_geddes01-1[1]idade da mente, sente entusiasmo e vive melhor seu momento presente.

Gosto muito de uma Oração do Perdão de Masaharu Taniguchi:

“Eu lhe perdôo e você me perdoa.
Eu lhe amo e você me ama.
Eu e você somos uma só pessoa perante Deus.
Oro sinceramente pela sua felicidade.
Seja cada vez mais feliz.
Obrigado Deus, muito obrigado “

Esta oração é muito poderosa e produz efeitos imediatos em você e nas outras pessoas. Mesmo que você comece a orá-la, sentindo ainda muita raiva, apenas o fato de rezar, de abrir seu coração, vai libertando você e os outros também.

Pessoas de difícil convívio em nossos relacionamentos nos ajudam a desenvolver todas estas virtudes: paciência, tolerância, perdão, compaixão e compreensão. São como termômetros para nós, pois através delas vamos nos autoconhecendo, descobrindo o quanto já evoluímos e o quanto ainda precisamos dissolver a rperdao1aiva em nosso coração.

E entenda que para perdoar você não precisa conviver com a pessoa. O importante é orar sinceramente para que ela seja feliz. Tanto quem perdoa como quem é perdoado é beneficiado com o perdão.

Alimente a força do perdão. E experimente como essa virtude abençoada fortalece você e o ajuda a superar as dificuldades.

Lembre-se de Deus e sinta como o poder do perdão é uma verdadeira alquimia curando e transformando você. Fique em paz!

Notas bibliográficas:
A Arte da Felicidade- Lama, Dalai- Ed. Martins Fontes
Entusiasmo- Chidvilasananda, Gurumayi- Ed. Siddha Yoga Dham Brasil
O Poder do Perdão-Luskin, Dr. Fred – Ed. Novo Paradigma.

:: Emilce Shrividya Starling de Araújo – É formada em Yoga pela Federação de Yoga do Brasil e Centro de Estudos de Yoga Narayana/S.P, com aperfeiçoamento em Hatha Yoga e Meditação nos Estados Unidos. É professora de Hatha Yoga em Santos (SP), desde 1989.

Fonte: Vya Estelar

luaestrelaSímbolos da noite, a lua e a estrela são conhecidas e estudadas há milhões de anos, tem como lenda e história muitas versões. Como apresenta dois elementos de astronomia, a Lua-Estrela simboliza o poder para transportar através do cosmos. 

A lua simboliza o inconsciente e, portanto, os sentidos físicos, as paixões e emoções animais e instintivas, bem como a imaginação, a sensibilidade e todos os demais aspectos femininos da vida.  A lua retratada como um crescente em forma de copa, simboliza o lado receptivo da natureza humana. 

luaestrela1A estrela é o Símbolo Universal do Espírito.  Esotericamente, a aparição de uma estrela simboliza a possibilidade de realização espiritual.

Este símbolo admite várias interpretações: para uns, é o casamento da lua com a Estrela D’Alva, fenômeno que ocorre em outubro com a “aproximação” aparente dos dois astros.

A crença indígena classifica essa ocorrência com o nome missaré, que quer dizer “casamento dos céus”. Já outros vêem a Lua representando da polaridade feminina, recebendo em si a estrela de cinco pontas, ou de quinta grandeza, que é o Sol, representando o pólo masculino, numa dialética do firmamento, o local onde os deuses se encontram. O arco da lua também alude a um ventre feminino, que nutre uma Estrela-feto. Essa interpretação liga-se à idéia de procriação, fertilidade e amor. A estrela é, ainda, a imagem do homem, ou microcosmo, e simboliza também os cinco sentidos.

A lua crescente com uma estrela também é o símbolo do Islã. Tal símbolo pode ser observado em branco na bandeira vermelha da Turquia, nesse país cerca de 99% da população pertence ao islamismo.

047a:: Por Elisa ::

No final do mês de julho fui para um retiro de meditação Vipassana. É incrível como isso mexe com a curiosidade das pessoas. Muitos dos meus amigos e conhecidos vieram me perguntar como foi e, principalmente, se foi difícil passar 10 dias sem falar. Resolvi compartilhar a experiência com todo mundo. Afinal, é algo que vale a pena. Espero que também ache.

Como o retiro se localiza em Miguel Pereira…  as opções para chegar lá eram um pouco complicadas, depois de muito pensar, decidi ir de carro. Peguei o meu GPS e coloquei o pé na estrada. Até um determinado ponto, perfeito. Tudo certinho. Mas, próximo a cidade de Vassouras… percebi que embora eu trafegasse pela estrada, o GPS indicava que eu praticamente estava dentro da mata ou pior, do rio. A voz feminina tão educadinha falava pra entrar a direita, mas não tinha direita para eu entrar… A tecnolo3255684522_8d3713445fgia é magnífica, mas nem sempre perfeita. Tenho certeza de que se houvesse GPS na época de Móises, quando  ele ficou  40 anos perdido no deserto  com seu povo, certamente seria um GPS igual ao meu. Como não podia esperar tanto tempo como Moises para chegar ao meu destino, resolvi usar outros métodos tradicionais: parei num posto de gasolina e perguntei… Liguei para o retiro para ter as indicações. Devia aproveitar, afina ainda podia falar.

Após chegar e me acomodar, iria fazer um lanche e receber as orientações. Durante a permanência no retiro deveríamos observar 5 preceitos: abstenção de matar qualquer ser, de roubar, de toda atividade sexual, de mentir e de todo tipo de intoxicantes. Isso ia ser, como diriam os americanos, “piece of cake”. Todos os alunos devem observar o Nobre Silêncio – o silêncio do corpo, palavra e mente – desde o início do curso até a manhã do último dia. Daquele momento em diante era proibida toda forma de comunicação com os outros alunos, seja por meio de gestos, palavras, notas escritas, etc. Bom, aí, como bons brasileiros comunicativos, seria um pouquinho mais difícil. Mas, tentaria. À noite começou e o nobre silêncio também.

O problema é que minha cabeça estava na n3254855937_d8d9ab9b56obre atividade. Escutava todo tipo de música de Alcione a Cidade Negra. Eita, cabeça que não parava. De repente… “ Lá vem o negão cheio de paixão… te catar, te catar…” Fala sério, será que a minha mente não tinha um repertório melhor? Nada contra essas músicas… Mas, vamos combinar, nada a ver com um retiro de meditação. Até eu conseguir desligar o rádio interno, levou um bom tempinho, mas consegui.

Fui tomar o meu banho, afinal uma mente sã começa por um corpo são e limpo, é claro. Entrei no chuveiro pensando nos voluntários, o pessoal da cozinha, da organização. Ninguém receberia nada por estar lá. “Puxa, que almas abnegadas” E pensando nisso meus olhos percorreram o banheiro e pararam no ralo. “Havia alguém que buscava aquietar a mente e certamente após o banho era uma alma descabelada. santi1Bom, não iria condenar ninguém. Afinal, a queda de cabelos é natural… mas, provavelmente a dona dos ex-cabelos, além de estar descabelada, deveria ter um severo problema de visão. Afinal, como não ver aquela montanha de cabelos? Impossível. Enfim, não pensaria nisso”. Mas, a cena se repetiu todos os dias, durante 10 dias. Ao final do período se tivesse juntado todos os cabelos poderia fazer uma peruca.

Quando na manhã seguinte, o sino tocou às 4 da manhã, percebi que aquilo era bem real e que a meditação começaria às 4h30 e o pior, o café da manhã só seria às 6h30.

A programação diária era sempre a seguinte:

04:00      Chamada
04:30-06:30   Meditação na sala ou no quarto
06:30-08:00   Desjejum e descanso
08:00-09:00   Meditação em grupo na sala
09:00-11:00   Meditação na sala ou no quarto, segundo as instruções do professor
11:00-12:00   Almoço
12:00-13:00   Descanso e perguntas individuais com o professor
13:00-14:30   Meditação na sala ou no quarto
14:30-15:30   Meditação em grupo na sala
15:30-17:00   Meditação na sala ou no quarto, segundo as instruções do professor
17:00-18:00   Lanche e descanso
18:00-19:00   Meditação em grupo na sala
19:00-20:15   Palestra do professor na sala
20:15-21:00   Meditação em grupo na sala
21:00-21:30   Perguntas abertas na sala
21:30   Repouso. Apagam-se as luzes

Quando vi a programação percebi que eram mais de 11 horas de meditação. Questionei sinceramente a minha sanidade. Tudo bem que eu era considerada louquinha por meus amigos, mas 11 horas de meditação era um exagero total. Porém, já que estava ali, iria tentar… No primeiro dia, o sono chegava a toda hora. Senti minha cabeça pesada. Minhas costas doloridas, minhas pernas dormindo antes de mim… Para acordar abria os olhos e observava as outras pessoas meditando ou quase… Algumas cabeças pendiam para frente. Então, percebi que não era só eu que estava com sono.

Sempre achei lindo, as pessoas sentarem em posição de flor de lótus. Tão lindo! Tentei. Nada. As pernas não obedeciam. Tentei meia flor de lótus. Já que uma inteira não dava, meia podia ser… Foi quando ouvi um plect. “Alguém tem um alicate? Ou quem sabe uma chave de fenda? ”, pensei em vão. Não podia falar. Ai, Meu Deus! Depois de muito esforço consegui soltar as pernas. Percebi então que o melhor era ficar, já que eu sou brasileira, na posição de vitória régia mesmo. Mais seguro. Afinal, as vitórias régias são tão lindas também. Virei fã incondicional das Vitórias Régias.

A comida vegetariana nunca satisfez o meu paladar. Gosto de pratos com alho3255680172_67b4e07e0d, sal, ou seja, mais condimentados. Mas, só percebi que, embora não seja fã, a comida fazia uma falta danada. Num dos dias, pensei em tomar banho quando tocasse o sino para o almoço e depois, almoçar. Normalmente, a qualquer hora, levava-se uma eternidade em filas para tomar banho, mas na hora do almoço não. Quando cheguei ao refeitório, qual foi a minha surpresa. Não tinha sobrado nada além de salada. Deu-me uma tristeza tão grande que senti meu corpo todo chorar. Fazer o quê, né? Todos fazemos escolhas o tempo todo, e eu escolhi tomar banho. Azar. Ia ter que esperar até o lanche. Naquele dia, fui meditar com uma sensação de vazio… interno.

Sempre ao final das meditações, era colocada uma gravação do Goenka, o responsável por difundir3255681848_cd788c620c_o a técnica, entoando cânticos. Num dos dias, ouvi uma segunda voz acompanhando o cântico, tão cavernosa quanto o do velho mestre. Abri discretamente um dos olhos para ver de onde vinha tal som… e qual não foi a minha surpresa ao descobrir que era a minha barriga. Que vergonha! Será que alguém tinha percebido? Mas, o pior estava por vir… Em outra ocasião, no meio da meditação, ouvi um rugido monstruoso, parecia um animal ferido. Não, não era. Era meu estômago de novo, só que agora partira para a carreira solo. Não tive dúvidas, ao voltar para o quarto, tomei um remédio. Será que era isso que eles queriam dizer com intoxicantes? Bom, de toda maneira, meu estômago não voltou a incomodar mais. Ficou quieto. Acho que aderiu ao nobre silêncio por livre e espontânea pressão. A minha.

Fiquei muito impressionada com o fato de não podermos matar nenhum ser vivo. Nunca fui adepta de matar nada. A não ser baratas e pernilongos. Enfim, fui para o quarto meditar, ao me levantar da cama, meu coração parou. Havia sentado numa formiga, que estava com as patinhas para cima. Será que poderia tentar ressuscitá-la? Nunca tinha tentado fazer boca a boca, muito menos numa formiga. Se tentasse massagem cardíaca, se ela não tivesse morrido, certamente morreria. Pensei em pedir socorro. Meu coração disparou. Precisava de um copo de água com açúcar… mascavo (o refinado nem pensar). Mas, como? Não podia falar. Pensei em fazer um funeral. Sei lá. Algo que aliviasse a minha culpa. Naquele dia fui falar com o professor assistente, que me garantiu que não deveria ficar pensando nisso, pois foi sem querer, mas “há que tomar mais cuidado da próxima vez”. Pude enfim, respirar aliviada. Dias depois, vi uma das minhas colegas de meditação matar um pernilongo sem dó nem piedade. Enfim, cada um encara as coisas de modo tão diferente!

075Adorava o cheiro do mingau de manhã, os banhos, olhar a natureza após as refeições, a neblina, as palestras à noite. Mas, reconheço que pensei em fugir duas  vezes. Como havia deixado os objetos importantes sob a guarda da administração: dinheiro, documentos, chave do carro, cartões, estava órfã de pai e mãe. Apesar de estar com um cartão de débito,  desisti da idéia quando lembrei da cidadezinha mais próxima. Não parecia ter caixa eletrônico. E, com eu viajaria sem documentos? Faltavam poucos dias pra terminar. Eu podia agüentar. Afinal, o problema é que quando sentimos ameaçados na nossa zona de conforto é assim mesmo.

Brincadeiras a parte… Nesse processo, posso contar várias coisas, mas a principal delas é que aprendi a me conhecer melhor, a repensar meus dilemas sob a ótica de que tudo é impermanente. Sempre gostei muito da minha própria companhia. Já tinha percebido isso numa outra viagem que fiz e adorei ficar sozinha. Eu não ia morrer ou sofrer se não falasse com ninguém. Aprendi a controlar, ou a não dar atenção, para as dores do corpo, que até foram poucas perto do que eu esperava.  A grande certeza a que cheguei é minha mente era capaz de me distrai3254853421_5c31168becr constantemente. Pela primeira vez em muito tempo, e olha que já fiz dança, natação, aeróbica, bicicleta, percebi que há sensações pelo meu corpo inteiro. Ele pulsa, com lembranças de cada momento, de cada vão sofrimento, com cada prazer. Isso era incrível. Testei também a minha paciência. Aprendi a olhar os outros de outra forma, com mais aceitação, com mais compreensão. Tenho me policiado para não fazer julgamentos nem deixar o preconceito imperar. Aprendi a respeitar mais a vida, inclusive dos pequenos insetos. Aprendi a ser mais tolerante. Percebi que a comida vegetaria, apesar de eu não gostar tanto assim, fez muito bem ao meu organismo (estou até pensando em adotá-la em minha dieta diária). Conheci gente maravilhosa. E, depois de tanto tempo, eu finalmente conheci ou reconheci alguém super importante: eu mesma. E foi uma descoberta incrível. Continuo com a máxima: “Eu me amo. E a recíproca é verdadeira”.  Porque acho que só a gente se amando a gente pode amar os outros e valorizar a vida. Assim que for possível pretendo repetir a dose, ou seja, fazer mais um retiro e também ser voluntária em outro. Por isso, recomendo mesmo. Como li em algum lugar é um divisor de águas na vida de qualquer pessoa.

Na vida não podemos evitar as mudanças(cambios), não podemos evitar as perdas. A liberdade e a felicidade se fundamentam na facilidade com que enfrentamos as mudanças. (BUDA)
 
Todas as manhãs renascemos. O que fazemos hoje é o que mais importa. (BUDA) 

Com os pensamentos, as palavras e com o coração desejo agradecer a todos que possibilitaram esse experiência maravilhosa e que todos encontrem a felicidade e a paz.

Veja matéria sobre Vipassana.

estrela_de_daviEstrela de David conhecida também como Escudo supremo de Davi ou hexagrama – é símbolo em forma de estrela formada por dois triângulos tendo um a ponta para cima e outro para baixo. Outro nome dado a este símbolo é “Selo de Salomão”.

É esta versão que carrega inúmeros significados ao longo da história e figura tanto como símbolo maior do Estado de Israel como na simbologia ocultista. Mesmo havendo distinções interpretativas entre o hexagrama com as linhas entre-laçadas e o hexagrama com os triângulos sobrepostos, as definições confundem-se e ampliam ainda mais as hipóteses das origens, significados e aplicações.

Origens

A maioria das teorias que pretende encontrar a origem específica do hexagrama está relacionada ao judaísmo. Uma delas, sem embasamento histórico confiável, faz alusão ao nome do Rei Davi. Segundo a tradição judaica, o nome Davi era escrito com apenas três letras no alfabeto hebraico: dalet, vav e dalet. A primeira e última letra (dalet), possui uma forma semelhante ao triângulo. Se uma delas for invertida verticalmente e sobreposta à outra, forma-se o hexagrama. Mais uma hipótese é de que o hexagrama seja uma versão estilizada do lírio branco, flor de seis pétalas que é identificada como o povo de Israel no livro bíblico Cântico dos Cânticos.

Outra origem refere-se ao escudo do Rei Davi, que possuía forma triangular e nele estava gravado o Grande Nome Divino de 72 Letras, juntamente com as letras hebraicas m, k, b e y (letras da palavra Macabi). Entretanto, neste caso, não há uma linha nítida que associe o símbolo ao Escudo de Davi (Marguen Davi), sendo que a expressão Marguen Davi passou a ser utilizada referindo-se ao hexagrama, apenas a partir do século XIV. Ainda, pode-se supor que o símbolo tenha surgido na época de Bar Kochba (132-135 d.C.) quando os judeus combatiam os romanos, passaram a utilizar escudos mais resistentes, nos quais foram gravados dois triângulos entre-laçados.

hexagrama02O símbolo na história

Entretanto, desde a Idade do Bronze, símbolos em forma de estrela, como o pentagrama e o hexagrama, já eram encontrados em civilizações distantes, tanto no aspecto geográfico como cultural, como na Índia, Mesopotâmia e Grã-Bretanha.

O mais antigo artefato judaico contendo um hexagrama de que há registro, é um selo encontrado na cidade de Sidon (Líbano), datado do século VII antes de Cristo. Mesmo que no período do Segundo Templo, os símbolos judaicos mais comuns eram o shofar, o lulav e a menorá, foram encon-trados pentagramas e hexagramas em trabalhos arqueológicos, como no friso da sinagoga de Cafarnaum (século II ou III d.C.) e uma lápide (ano 300 d.C.), no sul da Itália. Na literatura judaica, uma referência encontra-se no livro Eshkol Hakofer, do sábio Yehudah ben Eliahu Hadasi, que viveu no século XII. No capítulo 242, é citado costumes do povo que, gradativamente, foram sofrendo mutações e o símbolo assume um caráter místico: “e os sete anjos na Mezuzá foram escritos – Miguel e Gabriel […] o Eterno irá guardar-te e este símbolo chamado Escudo de Davi é escrito em todos os anjos e no final da Mezuzá…”.

A utilização ornamental de estrelas, de cinco ou de seis pontas, estendeu-se durante a Idade Média aos povos muçulmanos e cristãos e o hexagrama é encontrado em ambas as religiões. Iluminuras de manuscritos hebraicos medievais também contêm hexagramas. Ainda na era medieval, encontram-se os primeiros amuletos de proteção em que surge o hexagrama, como no Mezuzot (pergaminho-amuleto do judaísmo).

A partir do século XIII, na Espanha e na Alemanha, encontra-se manuscritos bíblicos nos quais partes da messorá (tradição oral judaica) são escritas em micrografia, em forma de hexagrama. Até o século XVI, os sábios cabalistas acreditavam que o símbolo não deveria ser desenhado com simples linhas geométricas; mas sim composto com determinados nomes sagrados e suas combinações.

Em 1354, o rei da Bohemia, Carlos IV (Karel), concedeu à comunidade judia de Praga, o privilégio de uma bandeira, que foi confeccionada num fundo vermelho e o hexagrama, centralizado, em dourado. Dessa forma, o símbolo, conhecido também como Marguen Davi (Escudo de Davi), adquiriu uma conotação religiosa e tornou-se também uma referência do estado.

A partir do século XVII, o hexagrama tornou-se emblema oficial de várias comunidades judaicas. Em meados do século XVII, em Viena, foi gravado sobre uma pedra que delimitava os bairros judeus e cristãos, juntamente com uma cruz. Quando os judeus foram expulsos desta cidade, levaram o símbolo para as outras cidades, como a Moravia e Amsterdã. No ano de 1799, foi utilizado para representar o povo judeu em uma gravura anti-semita. No decorrer dos séculos XIII e XIX, algumas instituições, como as sociedades beneficentes, usavam o símbolo em seus documentos. Em 1933, sob a decisão de Adolf Hitler, a Estrela Judaica (como os nazistas, pejorativamente, referiam-se ao símbolo) foi utilizada nas vestimentas dos judeus para que fossem facilmente reconhecidos. Apenas em 1948, o hexagrama foi adotado pela bandeira do estado de Israel e tornou-se a maior referência do judaísmo.

hexagrama03O místico hexagrama

Além de ser um símbolo que representa uma nação, ter sido considerado um “símbolo de desonra” no Terceiro Reich, e utilizado por instituições independentes ao longo da história, o hexagrama também traz um forte apelo ocultista.
Segundo a obra de Albert G. Mackey sobre a maçonaria, The Symbolism of Freemasonry os dois triângulos entrelaçados representam a união das forças ativa e passiva na natureza, os pólos feminino e masculino, yoni e linga (representações dos genitais no hinduísmo). Sendo o triângulo voltado para baixo o símbolo do princípio feminino e o triângulo voltado para cima representando o princípio masculino. Portanto, nesta interpretação, o hexagrama possui um simbolismo sexual. O hexagrama também foi adotado na Maçonaria do Arco Real e, neste caso, segundo o autor maçom Wes Cook, o símbolo representa equilíbrio e harmonia.

Há também uma interpretação na qual o triângulo voltado para baixo representa o céu e o segundo triângulo simboliza a terra; de forma que um interfira no outro. Supõe-se também que as seis pontas representariam o domínio celeste sobre os quatro ventos, sobre o que está em cima e sobre o que está em baixo na terra.

Na Cabala judaica, o hexagrama faz alusão às sete emanações divinas (sefirot) inferiores. Cada um dos triângulos que formam os lados da estrela representam uma emanação e o centro dos triângulos maiores sobrepostos, representam a emanação denominada Malchut. O filósofo Franz Rosenzweig atribui um outro significado. Rosenzweig afirmou que um dos triângulos seria a representação da base de “focos”, que caracterizam o pensamento do mundo (Deus), o homem e o mundo. O outro representaria a posição do judaísmo nestes assuntos, referindo-se aos três fundamentos principais da religião: a Criação (a relação entre Deus e o mundo), a revelação (relação entre Deus e o homem) e a redenção (a relação entre o homem e o mundo).

Numa outra interpretação, provavelmente de base alquímica, os triângulos componentes representam a água e o fogo, e a junção destes elementos, normalmente associados à figuras de animais. Há ainda suposições menos plausíveis associando o hexagrama à ritos “satânicos”, ou como um poderoso instrumento para evocações e conjurações malignas em círculos de magia negra; ou associá-lo à pegada de um suposto demônio conhecido por Trud. Ainda, pode-se encontrar o número 666 ao se consi-derar as duas faces de cada um dos seis triângulos externos, no sentido horário e anti-horário (6 e 6), e as seis linhas que compõem o hexágono interno (666). De qualquer forma, dentro dos círculos ocultistas, o hexagrama geralmente é visto com alguma palavra ou símbolo gravado em seu centro para ser aplicado numa situação específica, como potencializar um ritual ou evocar alguma divindade.

Fontes: Symbolom e Spectrumgothic