Vergonha dos pais: como lidar com isso?

Publicado: 25/04/2012 por Elisa em Atualidades, Psicologia & Comportamento

A vergonha é um sentimento comum, experimentado quando alguém sente-se decepcionado consigo mesmo ou com uma pessoa próxima. No início da adolescência, enquanto buscam criar uma identidade própria, muitos jovens sentem-se envergonhados com ações dos pais que até então eram normais. A atitude revela na verdade uma vergonha do próprio adolescente em relação ao seu passado e seus aspectos infantis.

“A vergonha ajuda o ser humano a regular suas ações, é um sentimento que todos têm”, conta a diretora pedagógica Maria Edna Scorcia. Por ser inerente ao ser humano, ela não é prejudicial, exceto em excesso. “A diferença entre o normal e o prejudicial tem a ver com a intensidade e o quanto isso limita a vida de um ou de outro”, explica a educadora.

A vergonha surge em um “momento de auto-afirmação perante o grupo, que começa a surgir a partir dos 9 anos de idade e perdura até o final da adolescência”, explica a psicóloga e psicopedagoga Eliana de Barros Santos. De acordo com a especialista, o comportamento acontece em todos os ambientes em que a criança precisa se posicionar e firmar uma identidade. “Não acontece só na escola, mas também em condomínios ou clubes”, conta Eliana.

Apesar de ser mais comum na adolescência, tanto crianças quanto pais estão naturalmente sujeitos a sentirem vergonha um dos outros. “Os pais ficam envergonhados quando uma atitude do filho foge muito às regras, como agredir uma professora, por exemplo. Em compensação, o pai ou a mãe que vai buscar o filho na escola com uma roupa inadequada pode envergonhá-lo”, diz Maria Edna.

Algumas atitudes são especialmente rejeitadas pelos filhos. “Andar de mãos dadas, beijar e outras manifestações de afeto costumam ser terríveis para os meninos, que associam demonstrações de sentimentos amorosos com sinais de fraqueza”, explica Eliana. É comum, por exemplo, o jovem estar segurando a mão da mãe e, ao avistar um colega, soltar rapidamente. Para os mais crescidos, a partir dos 13 anos, a questão sócio-econômica familiar costuma ser um fator a considerar, além da aparência dos familiares. “Aí vem a vergonha do modo como os pais se vestem, se comportam no meio social, onde moram e até como se divertem”, diz Eliana.

Na adolescência, os pais precisam respeitar o período de mudança pelo qual o filho está passando. Maria Edna conta que no fundo os filhos costumam se orgulhar dos pais, mas a fase exige compreensão. “Os pais devem respeitar o momento de reorganização do filho e não insistir para que as coisas sejam diferentes. Apesar de ser difícil, é uma fase natural e delicada, que tende a passar”, conta Maria Edna. “O importante é não insistir em atitudes que causem constrangimento ao filho”, resume.

Caso os pais percebam que a vergonha está passando dos limites, é fundamental que conversem com os filhos. “O pai deve salientar os conceitos éticos e morais que fazem a diferença em uma pessoa e no núcleo familiar, para que o filho possa evoluir neste sentido. É uma excelente oportunidade de mostrar seus preceitos e entender a rejeição que há por parte do jovem”, recomenda Eliana.

Alguns casos, contudo, podem exigir o auxílio de um profissional. Quando a vergonha torna a relação entre pais e filhos muito difícil ou até impossível, um psicólogo pode mostrar à criança a verdade por trás de seu sentimento, como explica Maria Edna: “O profissional vai explicitar que a vergonha dos pais nada mais é do que vergonha de si próprio, algo que precisa ser compreendido”.

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