Quando um sufoca o outro numa relação

Publicado: 15/09/2011 por Elisa em Atualidades, Músicas & Vídeos, Psicologia & Comportamento

Os relacionamentos humanos, em especial os amorosos, exigem que haja concessões de ambas as partes e sem perceber acabam num labirinto onde um conduz e o outro é conduzido, um manipula e o outro é manipulado. Muitos acabam por tomar as rédeas da relação sem consultar o outro, tomam atitudes de mudar o parceiro e sua rotina, escolhem que rumo o outro vai tomar. Mas, até que ponto abrir mão de algo que é importante para nós é benéfico? Qual é o limite dessa linha tênue que mantém duas pessoas juntas? Como saber quando estamos sufocando ou sendo sufocados pelo outro?

Segundo Bruna Rafaele, mestre em Estudos da Linguagem, em geral, o manipulador se coloca em uma posição de “melhorar” a vida do outro, quando esse tipo de função na foi solicitada pela outra parte. Em conversas geralmente aparecem frases como “se eu fosse você, agiria diferente”. Um coloca no outro suas expectativas sem respeitar a individualidade da outra parte, sem permitir que o outro exprima suas vontades e faça o que tem vontade de fazer. Do lado do conduzido, embora tenha plena consciência de seus sentimentos não há como agradar a outra parte e desrespeitar a sua própria vontade. O manipulado nem sempre percebe que um refém da outra parte e as mensagens do outro de que não o aceita como é, começa a provocar um mal enorme, internalizando sentimento de culpa que não lhe pertence. O relacionamento vai se tornando complicado e começa a ser cansativo estar do lado do manipulador.

Um bom exercício é se perguntar se não estamos sufocando a vontade alheia. Por outro lado, será que a pessoa consegue falar não ao outro e colocar de maneira equilibrada o que está acontecendo e o que o incomoda? Segundo Rafaele, se posicionar na vida é uma tarefa a ser aprendida e faz parte do amadurecimento e é parte do aprendizado de nutrir relacionamentos sadios. “Ninguém precisa viver uma relação engolindo sapos”. Não é preciso aceitar brincadeiras que incomodem, críticas ou opiniões indevidas. Uma situação como esta pode levar a grau incomparável de intoxicação que pode levar a somatização e ao desenvolvimento de doenças como: gastrite, dor de cabeça, alergia crônica, angústia, tristeza e depressão.

E o que fazer para mudar? Nada como uma boa conversa. Colocando em pauta as questões que estão incomodando, sufocando, colocando o outro a par do que está sendo ruim e de como isso está afetando a relação. Rafaele afirma que nada melhor do que acreditar em sua própria capacidade de ser uma pessoa madura e ousada para resolver o que é preciso em seu relacionamento. É necessário chamar a si sua força interior. Tomar consciência de que o manipulado tem sua parcela de culpa nessa relação “doentia” ao deixar o outro conduzir a sua vida. Perceber se é possível conciliar vontades divergentes, se a pessoa pode ser amada como ela realmente é.

Numa relação viciada como essa só há três desfechos possíveis: o manipulador se cansa e acaba desistindo e partindo para outra. O manipulado não tolera mais a pressão e consegue fazer o outro perceber que tem vontades e desejos também. A terceira e última, quando a relação fica tão desgastada que o manipulado só pensa em se livrar do outro e buscar mil maneiras de conseguir realizar seus desejos. Daí, o relacionamento acaba.


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comentários
  1. juenal sandro bispo disse:

    No mais concessões apontam para determinadas ações uma e a escolha outra e sobreviver com a consequencia das escolhas ,você sabe viver com as concequencias de suas escolhas elas mostram um passado que passou ,um presente que ainda e evidente e um futuro incerto pois nas relacões devemos administrar uma pequena mas importante palavra chamada ,amor tão forte mas fragil ,concessões so em momentos de desequilibrio quando a harmonia não são necesarias concessões mas sim ajustes que devemos fazer em torno da relação liberdade mas com responsabilidade sejamos iguais nas diferenças temos que enxergar as qualidades do parceiro(a) levando a união a um patamar de igualdade !

  2. Altenir Silva disse:

    Noooossa, como me ajudou pois eu estava manipulando meu cônjuge e achava que fazia o que era certo.
    Grato!!!

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