Tecnoestresse: a doença da conectividade

Publicado: 18/02/2011 por Elisa em Atualidades, Ciência & Tecnologia, Psicologia & Comportamento

A tecnologia ajuda, e muito, a vida das pessoas. A ordem é fazer sempre mais, mais rápido e melhor. Tudo no ato. Café solúvel, comida de microondas, macarrão instantâneo, alívio imediato, estar conectado. O tempo todo e com todos. Celular, e-mail, MSN, Twitter, facebook, videogame… O ritmo imposto pela era digital mudou a maneira de perceber o tempo e o relógio biológico. Resultado: as pessoas vivem com a sensação de que não conseguirão acompanhar nunca o ritmo das coisas. Por sua vez, essa reação de angústia e suas conseqüências para o estado de saúde são consideradas o mal do século XXI. Ou tecnoestresse, como alguns especialistas preferem chamar a nova síndrome.

Segundo especialistas, o estresse gerado pela evolução digital tem provocado dependência e inúmeros problemas de saúde. O problema é quando o excesso de conectividade começa a atrapalhar nas atividades de rotina, profissional e nas interações sociais. A pessoa não sabe mais onde leu ou viu tal assunto, a informação começa a ficar dispersa e ele tem dificuldades de reter conhecimento. Isso é o que se chama de Tecnoestresse.
O Tecnoestresse é um problema provocado por qualquer tipo de estímulo tecnológico, ou seja, quando um indivíduo se depara com estímulos tecnológicos reage de forma estressada por causa das adaptações que devem ocorrer dentro de si para aceitar tais tecnologias. Os aparelhos tecnoestressores mais comuns no cotidiano das pessoas são celulares, microondas, controle remoto, bip, computador e outros.

Estresse digital
O psicólogo e pesquisador norte-americano Larry Rosen foi o primeiro a alertar sobre a tendência mundial já nos anos 80, em seu livro Technostress, Coping with technology at work, at home and at play (algo como Tecnoestresse, Lidando com a tecnologia no trabalho, em casa e no lazer), ainda não publicado no Brasil. Por mais de vinte anos, ele estudou o comportamento de pessoas de países desenvolvidos e subdesenvolvidos e concluiu que praticamente toda a população do planeta – desde crianças até idosos – está sujeita a esse tipo de estresse.

Afinal, a tecnologia sempre esteve e estará cada vez mais presente em nossas vidas. E, segundo seus estudos, a minoria (30% a 40%) da população procura evitar os recursos tecnológicos, por sentir dificuldade em lidar com o novo. Há três tipos de usuários dos recursos tecnológicos: os apaixonados por novidades (10 a 15% da população); os hesitantes e amis cautelosos (50 a 60%) e os resistentes (30 a 40%), que tem dificuldades para lidar com a tecnologia e procuram evitá-la.

No Brasil, a psicóloga gaúcha Ana Maria Rossi, presidente da Associação Internacional de Gerenciamento do Estresse, no país, a Isma-Br), conduziu um estudo com 1200 homens e mulheres, de 25 a 55 anos, em São Paulo e Porto Alegre, a fim de identificar as causas e os sintomas mais freqüentes do tecnoestresse.

Na maioria dos casos estudados, o problema surge quando a pessoa não consegue usar os equipamentos de maneira equilibrada, não sabe lidar com eles, não compreende como eles funcionam e, principalmente, quando a tecnologia falha, por exemplo, quando o celular fica sem sinal ou o provedor de internet está fora do ar.

De acordo com o estudo da Isma-Br, 60% dos entrevistados declararamse tecnoestressados, a maioria relatando sintomas físicos do estresse: 86% relatou dores musculares e de cabeça, 3% sofre de ansiedade, 81% sente angústia, 67% tem dificuldade para se concentrar, 63% sente cansaço crônico, 53% aumentou o consumo de álcool e drogas, 41% ficou mais agressivo, 35% apresentou distúrbios do sono e sono agitado, 27% passou a comer mais, “em geral, alimentos que podem ser ingeridos na frente do computador”. Entre os efeitos emocionais, a maioria relatou ansiedade e angústia. Além disso, mudanças comportamentais, como aumento no consumo de álcool e drogas, agressividade (jogar o celular no chão, por exemplo) e o hábito de comer em excesso também foram revelados. A constatação mais interessante foi a de que 40% das pessoas restantes avaliadas podem estar sofrendo de tecnoestresse, sem saber. Acordar só para checar os e-mails e viver conectado, inclusive nas horas de descanso, são os primeiros sinais dessa síndrome.

O Tecnoestresse pode se manifestar de três formas:
1º – Pelo estímulo originado pela frustração face às limitações tecnológicas, ou seja, quando um indivíduo fica estressado por não conseguir lidar com a tecnologia. Ela pode, por exemplo, encontrar soluções rápidas para imprimir um relatório quando a impressora quebra e, ao resolver a questão, sentir-se realizada e satisfeita consigo mesma;

2º – As crises de estresse ocorrem com maior freqüência face à limitação tecnológica, ou seja, quando um indivíduo se torna extremamente nervoso perante sua condição limitada e começam a surgir sintomas como dores de cabeça e tensão muscular. .

3º – A condição se agrava tornando-se crônica, onde o estresse permanece presente comprometendo seriamente a saúde do indivíduo.

De acordo com a médica Ana Maria, tanto os apaixonados por tecnologia quanto pessoas solitárias e com baixa auto-estima podem ser candidatos ao tecnoestresse. É possível descobrir se alguém está tecnoestressado pela sua disposição emocional, pelo nível de raiva e desespero quando não consegue gravar um vídeo no DVD novo ou usar todas as funções do celular.

Para evitar o Tecnoestresse, já que não há formas de inutilizar a tecnologia, os psicólogos e outros especialistas da saúde sugerem que as pessoas não se deixem influenciar por promoções de produtos buscando sempre aparelhos de fácil manuseio; diminuir o trabalho diário, não deixar tarefas importantes por último, ter paciência para lidar com situações que ativa o estresse.

Fonte: UOL, Terra e Brasil Escola

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