Everything is a remix. (ou: expondo e discutindo a manjada indústria cinematográfica)

Publicado: 04/02/2011 por Andrew em Arte & Cultura, Atualidades

Por Ricardo Kensk

Nada se cria. Tudo se copia. Segundo Kirby Ferguson, nos dias de hoje, everything is a remix.

Em cima deste conceito, o americano está criando uma série de vídeos (2 até o momento) que mostra como a indústria cultural, principalmente música (no primeiro vídeo) e cinema (no segundo), não consegue não se apropriar do já existente para criar novos produtos (como um terrível vício). A tese é logicamente mais antiga que esses caras e está sendo hoje em dia muito expandida dentro dos meios acadêmicos. Rick Altman no seu importante livro Os gêneros cinematográficos (2000) falava que este vício vem da necessidade da indústria de estar sempre criando franquias para fidelizar o público (gerando assim mais dinheiro) e o francês Nicolas Borriaud em seu Pós-produção (2007 ) discutia como hoje é mais legal justamente se apropriar do já feito para gerar novos produtos (aqui na verdade ia para o lado da apropriação e alteração em montagem, um uso mais artístico e consequentemente, mais valioso).

Mas nenhum dos acadêmicos fez um vídeo tão interessante e bem editado como fez o senhor Ferguson (o figura acima), que ainda por cima ilustra claramente como a indústria cinematográfica é repetitiva, girando sempre sobre os mesmos temas e conceitos (inclusive visualmente). Cinema é indústria e, para isso, deve render dinheiro (o formato disto foi inclusive brilhantemente atacado recentemente pelo mestre Coppola ). E para render dinheiro, nada como jogar em terreno seguro, na melhor lógica de não se mexe em time que está ganhando (se está realmente ganhando nos dias de hoje é outro ponto a se discutir).

Ilustrando também o conceito e focando sobre o exemplo do Kill Bill, o editor Rob Wilson fez outro vídeo (em parceria com Ferguson, inclusive) que mostra todas as milhares de referências usadas por Tarantino para compor o que poderia ser a obra-prima do remixing. Tarantino é o rei do copy/paste e é o melhor a se apropriar de signos antigos para criar alguma coisa ao mesmo tempo pop/vendável e inovador/vanguardista. Por isso mesmo tem milhões de teses por aí usando o figura para ilustrar conceitos do pós-modernismo. Se todo mundo copia tudo descaradamente, achando que está criando algo inovador, aqui a graça está justamente em expor essas referências e jogar com elas. É o mashup no lugar do remix.

Os dois vídeos ajudam a jogar nova luz nos estudos acadêmicos e a expor de forma fácil e divertida as manjadas fórmulas da indústria cinematográfica, que explora demais os plots, as estruturas de roteiro, os mesmos personagens e situações, as mesmas fontes e referências. Algo muito bom e positivo deve vir de isso tudo no futuro. Como diria Lars Von Trier, “se você pensar que a história da arte começou quando um homem rabiscou a caverna e comparar com os cem anos da história do cinema, podemos pensar que agora mal sabemos como desenhar um bisão”.

Fonte: Blog Audio Visual em Palavras

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