Síndrome do Bebê Sacudido

Publicado: 30/11/2009 por Kakao Braga em Atualidades, Psicologia & Comportamento, Saúde
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:: Por Jaime Leitão ::

Tem gente que gosta de praticar um estranho esporte: “bebêbol”. E o pior é que quem faz isso geralmente é o pai ou a mãe da criança de poucos meses de idade. Justo eles, que deveriam tomar mais cuidado, acham o filhinho tão maravilhoso que querem fazer malabarismo com o recém-nascido. Essa prática consiste em sacudir a criança ou mesmo jogá-la para cima como se fosse peteca ou bola. Nunca apreciei essa prática. Para dizer a verdade, sempre considerei-a uma brincadeira imbecil e perigosa.

Agora os cientistas divulgaram uma pesquisa e deram um nome à doença provocada por essa mania: Síndrome do Bebê Sacudido. O nome não deixa de ser curioso. E a conclusão é que, pelo fato de o peso da cabeça da criança ser muito grande em relação ao resto do corpo, que é bastante frágil, sacudir ou jogar o bebê pode provocar lesões cerebrais graves e outras sequelas. Segundo eles, em 25% dos casos, as crianças morrem e muitas vezes os pais nem ficam sabendo a causa.

Não importa se a sacudida é para brincar ou para dar uma bronca no filho que não para de chorar. O resultado é o mesmo: faz mal de um jeito ou de outro. Há pais inquietos e ansiosos que não param de mexer nos filhos. Já vi vários jogando as crianças para cima. Atitude totalmente imprópria.

Deveriam praticar vôlei, basquete ou handebol.

Ser sacudido em qualquer idade não é nada agradável, mas o período mais delicado vai até os dois anos, quando um maior número de crianças sofre da síndrome. Se você que está lendo esta crônica tem a mania de sacudir o seu bebê, não se sinta culpado, mude essa prática a partir de agora.

Outra descoberta científica caminha no sentido inverso. Uma pesquisa concluiu que crianças muito limpas, que não têm contato com terra e algum tipo de sujeira são mais suscetíveis a adquirir alergia porque não desenvolvem anticorpos, que é a defesa do organismo, que aumenta quando a criança está exposta a germes, sem excesso, é claro.

Há mães que deixam os filhos numa redoma, sem contato com o ambiente. Isso também não é bom. Um pouco de sujeira nunca é ruim. Essa pesquisa foi divulgada agora, mas há muito tempo já sabemos disso.
Todo exagero é negativo. Deixar a criança imóvel no berço, cheia de travesseiros, para que ela não se mova, é tão negativo quanto sacudi-la como se fosse urso de pelúcia ou uma boneca.

A ciência não para de pesquisar e de descobrir novas síndromes. Podemos evitá-las levando uma vida normal, dentro do possível. Porque exigir normalidade total numa época maluca como a nossa é totalmente inviável.
E normalidade cem por cento também é algo entediante. O cérebro humano não segue uma lógica cartesiana por mais que imaginemos que ele funcione dessa maneira. Ele tem o poder de nos surpreender e de desmontar as nossas verdades.

::  Jaime Leitão é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. (jaimeleitao@linkway.com.br)

Fonte: Portal Jornal Cidade

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comentários
  1. ingrid disse:

    O importante não é o que você tem na vida, mas o que você é na vida.

  2. muito bom pros bestas acham que criança é brinquedo

  3. thamires disse:

    nao sacude o teu filho

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