Young female tourist at St. Peter's squareUma ex-colega de um curso de cinema, Amanda, colocou no face que ao completar 30 anos se daria de presente uma viagem internacional. Sozinha. A grande questão, pelo que entendi, era se deveria ou não embarcar nessa loucura? Achei engraçado, pois há anos viajo só e nunca achei que fosse loucura. Semana passada, voltei de mais um voo solo. Fui para Espanha e Marrocos. Se gostei? Sim, em especial da Espanha. Todos que me conhecem sabem que amo sair por aí, conhecer lugares, culturas, pessoas, comidas e músicas diferentes. Não importa se acompanhada ou sozinha. Acho que quando nasci, ao invés de uma certidão de nascimento, deveria ter ganho um passaporte. O fato é que minha primeira excursão pelo mundo começou aos cinco anos e desde então não parei. Viajar é como respirar. É mais do que sentir o ar entrando pelas narinas e invadindo os pulmões, é crucial para a minha sobrevivência.

Quando falo em viajar a grande maioria pensa em praia ou sítio, poucos imaginam outro Estado e um número menor ainda, outro país. Exceto, é claro, os meus amigos. Ao comentar com a moça que corta o meu cabelo que ia viajar, ela disparou: Vai com quem? Pra onde? Casa de algum conhecido? Vai sempre pra lá? Por quê? As respostas foram monossilábicas: Sozinha. Espanha. Não. Não. Porque gosto. Simples assim. Achei melhor não esticar a conversa porque nada do que dissesse iria mudar a vida dela e muito menos a minha. Ao retornar, outra mocinha, só que esta trabalha no quilo em que almoço quase todos os dias, perguntou-me por que tinha sumido. Sai de férias. Fez o quê? Viajei. Nordeste? Meio sem graça, respondi: Espanha. A garota ficou boquiaberta. Sozinha? Sim. Imagino o que teria acontecido se eu citasse Marrocos. Enfim, ela emendou um: “É. De vez em quando a gente tem que chutar o pau da barraca mesmo”. Peguei o meu pratinho e sai de mansinho.

A primeira grande viagem sozinha foi para Inglaterra, Índia e Nepal. Cai de paraquedas num grupo de esotéricos. Não conhecia ninguém. Foi bizarro. Lembro-me de que foi uma discussão enorme com o meu então namorado, que não se conformava de eu gastar dinheiro daquela forma e não investir na compra de um terreno ou um carro, por exemplo. Até hoje, ouço as pessoas perguntarem a boca miúda por que eu não saio mais, não vou a restaurantes, não compro roupas e sapatos caros, Iphones, Ipad, Ipods, etc. Dou com os ombros e penso: Oras, porque eu posso. Posso escolher. Não preciso ser ou fazer como as outros. É claro que viajar sozinha demanda investimentos maiores, quase o dobro do que se estivesse indo com outra pessoa, mas são escolhas que a gente faz.

Enfim, sigamos. Segundo a Organização Mundial do Turismo, a quantidade pessoas viajando por esse mundão de meu Deus, aumentou 50 milhões entre 2014 e 2015 num total de um bilhão de viajantes anuais. Pra que tantos números? Só para explicar que apesar das viagens serem normais e saudáveis, e não haver nenhum absurdo nisso, há muito preconceito em se viajar sozinho. Se for mulher, então… a coisa complica. Como sozinha? Por que não vai com uma amiga? Não tem marido? Namorado? Quando não te chamam de corajosa, te tacham de coitada. Tá louca? E daí começa um rosário de histórias de terror que vão de assédio, sequestro, estupro a tráfico de escravas. Tudo porque o mundo é um lugar muito perigoso. Oras, viver é um risco. Seja aqui ou do outro lado do mundo. Por conta da violência, do terrorismo, dos políticos, ou de uma simples queda na rua. Sozinha ou acompanhada, acordar todos os dias é um ato revolucionário. Quem sabe não seja exatamente essa a graça da vida?

Praia-na-Malásia

Já fiz inúmeras viagens acompanhada e não nego que foi muito bom, mas também já fiz outras tantas, sozinha, inclusive para países tradicionais e muçulmanos e NUNCA me aconteceu NADA. Allah akbar[i]Cuidado. Cuidado. O alerta ecoa sempre que falo em viajar. Embora eu tenha um quê de Poliana e acredite que o mundo é um lugar bom, é claro que pode acontecer de eu estar no lugar errado na hora errada e as coisas fugirem ao controle. Mesmo consciente disso, não fico paranoica e continuo vivendo. Afinal, Maktub[ii]. Tem uma frase maravilhosa que não sei de quem é, mas me parece bastante apropriada: “Tá com medo? Vai com medo mesmo”. E é o que faço. Tomar cuidado, respeitar os costumes e as pessoas, e não dar chance para o azar sempre estão nos primeiros itens de minha checklist. E até agora tem dado certo. Allhamdulillah[iii]

O gosto pela liberdade devo à minha mãe, que apesar de rígida, incentivou-me a ganhar o mundo, estudar, trabalhar, viajar e acima de tudo, construir e conquistar minha própria independência. É claro que os tempos eram outros. Talvez mais tranquilos. Tudo começou nas férias escolares, devia ter uns 12 ou 14 anos, não sei direito, quando minha mãe não pode me acompanhar, então eu peguei o ônibus sozinha para a sítio de meus avôs. Foram 400 quilômetros, sem sair de São Paulo, da mais completa aventura, afinal eu já podia me considerar uma mocinha. Mô brisa, antes mesmo de existir a gíria. Numa outra vez, quando fui com minha tia ao balneário de Camboriú, quis voltar mais cedo e não tive dúvidas, peguei o ônibus e #partiusampa. Tinha 16. Nas minhas primeiras férias de trabalho, planejei com um namorado para conhecermos o Peru. Ele não pode ir. No problem. Fiz as malas e fui. Perdi o namorado, mas ganhei o mundo.

Descobri que é muito bom fazer as coisas no próprio tempo, comer onde lhe dá na telha, dormir e acordar a hora que achar melhor, decidir se vai sair para uma balada ou ficar moscando no hotel, se se quer ou não fazer um passeio. Sem contar que se conhece pessoas a todo instante. De fato, se você não tem problemas consigo mesmo, e eu não tenho nenhum, vale muito a pena. O chato é passar a viagem inteira tendo que responder por que está só. Olhando pelo lado bom, o tema pode até render uma boa conversa e quiçá uma nova amizade. Mas a pergunta que continua a martelar: Por que causa tanta estranheza mulheres viajarem sozinhas? Uma resposta que me pareceu bem coerente foi de Juliana de Faria, da ONG feminista Olga. Ela diz que essa é uma herança da época em que as mulheres não podiam sair sozinhas sem a companhia de um homem e se o fizessem eram malvistas. As mulheres como seres domésticos não podiam se ocupar dos espaços públicos, somente do lar, da cozinha, dos filhos, do marido. Esse olhar equivocado está presente não só em países árabes, mas aqui no ocidente e até no inconsciente de mulheres jovens, que não sabem nem ir ao cinema sem algum tipo de companhia.

Antes da minha última partida, minha tia, a de Camboriú, me questionou: Filhinha, o que você tanto procura? E ainda mais sozinha? Sinceramente não sei. Para Erico Veríssimo há os que viajam para fugir e os que viajam para buscar. As palavras de J.R.R. Tolkien resumem o que penso: Nem todos que procuram estão perdidos. Tenho sede de conhecimento, por isso sigo buscando. Se não acompanhada, só. Viajar é muito mais do que turistar. Cada voo solo é acima de tudo uma viagem interior que resulta em autoconhecimento e maturidade. Por esse motivo ao desejar parabéns para Amanda, disse-lhe apenas: Querida, te desejo saúde e muitas viagens. Vá viajar. Sempre. Tente só, mas se não se sentir confortável, vá acompanhada. O importante é ganhar o mundo, o resto são histórias e fotografias.

[i] Em árabe significa “Deus é Grande”.

[ii] Em árabe – “já estava escrito” ou “tinha que acontecer”

[iii] Em árabe – “Graças a Deus”.

 

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19388384_772618609566305_8998471054108604729_oNo próximo dia 15 de julho, a @link editora lança a coletânea de contos Primeiramente, no bar Sensorial Discos, à rua Augusta, 2389, em São Paulo, das 16 às 20 horas.

             Primeiramente reúne 17 contos, de 17 autores, todos ambientados em uma manifestação contra o governo Temer na Avenida Paulista.  Os autores, de diferentes estilos, criaram uma galeria de personagens igualmente heterogênea. Tem de catador de latinha, black block, garoto de programa, seres extraordinários, idoso com Alzheimer, militar na ativa e aposentado, gente que foi à manifestação por românticas razões pessoais, desavisados que se viram, sem querer, em meio à confusão, e ainda quem fez sua estreia em manifestações, além de personagens como uma mosca, um museu e um deus.

Organizada pelas também autoras Sonia Nabarrete e Vanessa Farias, Primeiramente conta com a participação de: Aline Viana, Fabio Mariano, Germano Quaresma, Gláuber Soares, Jorge Nagao, Kakao Braga, Luiz Bras, Manu Araujo, Marcilio Godoi, Mauricio Kanno, Melissa Suárez, Nanete Neves, Paulo Lai Werneck, Plínio Camillo e Renato Ladeia.

“Embora considerasse a reivindicação justa e em outro momento pudesse até integrar a massa, procurei me afastar da aglomeração, mas a multidão não queria se distanciar de mim. Havia muitos tipos estranhos. Um guardinha negro parecido com um capitão do mato observava o movimento com os olhos vermelhos e sangue na mão tensionada sobre o cassetete. Um catador de latas se infiltrava por entre as pessoas atracado a um saco preto como se abraçasse a sua própria vida. Um grupo carregava um boneco do Michel Temer com os caninos pronunciados e capa de vampiro. Um casal se beijava numa voracidade como se a revolução fosse das salivas e a briga hormonal”. Trecho do conto V de vendetta, de Kakao Braga, na antologia “Primeiramente.

O livro pode ser adquirido através do site da @link Editora.

Serviço

Lançamento da antologia de contos Primeiramente (14cmX21cm, 128 páginas)

Local: Sensorial Discos, rua Augusta, 2.389, Jardins, São Paulo

Metrô mais próximo: Consolação

Horário: das 16 h às 20 horas

Valor: R$38,00- Aceita todos os cartões

caminhar-620x330Caminhar é uma atividade aeróbica perfeita: fácil, leve, melhora o seu astral e é capaz de proporcionar saúde, beleza e boa forma. Pode ser praticado por qualquer pessoa, independentemente da idade e do condicionamento físico. Além de ser a mais segura de todas as atividades aeróbicas — tanto sob o ponto de vista cardiovascular como ortopédico. Dificilmente sobrecarrega o coração e o risco de lesionar as articulações — em especial nos joelhos e tornozelos — é bem menor.

Especialistas afirmam que caminhar durante 30 minutos, 3 vezes por semana, pode ser tão eficiente no tratamento de depressão aguda quanto a utilização de medicamentos. Além de evitar doenças e melhorar a qualidade de vida. Para evitar dúvidas, é importante consultar um profissional da área de Educação Física e fazer uma avaliação médica.

Benefícios da Caminhada

  • Melhora a circulação sanguínea
  • Diminui os riscos de problemas cardíacos
  • Melhora a ansiedade e o estresse
  • Auxilia nas dietas de emagrecimento
  • Ajuda a tonificar e fortalecer os músculos
  • Reduz a pressão sanguínea e os níveis de colesterol no sangue
  • Evita o aparecimento da osteoporose
  • Combate o diabetes
  • Melhora o nível de condicionamento físico
  • Aumenta a imunidade do organismo

caminharO prazer de caminhar atraiu pensadores como Kant, Thoreau, Nietzsche e Rousseau. Cada qual o fazia de forma diferente. O poeta francês Rimbaud andava de maneira dispersa e desorganizada, com uma energia raivosa. Já Nietzsche dava a seus passos o tom de marcha. Kant era metódico e sistemático: saia todo dia, à mesma hora, e seguia a mesma rota. O que todos tinham em comum era que transferiram seus escritórios para o campo, onde as ideias fluíam livremente em plena natureza.

Para o filósofo francês, Frederic Gros, autor de “Caminhar. Uma Filosofia”, andar é uma atividade que atrai um número cada vez maior de adeptos por proporcionar relaxamento, comunhão com a natureza, plenitude. E não requer aprendizagem, técnica, equipamento e dinheiro, apenas um corpo, espaço e tempo. No livro, o especialista em psiquiatria, filosofia penal e editor dos últimos cursos de Michel Foucault no Collège de France explora a literatura, a história e a filosofia, e escreve um tratado filosófico e uma definição sobre a arte de caminhar.

Quando você começou a caminhar?
Foi relativamente tarde, aos 20 anos. Foram alguns amigos que me convenceram. Quando eu era criança, gostava de ir sozinho para as montanhas, mas a verdade é que o passeio consistente como uma excursão, veio mais tarde. Minha primeira experiência importante foi no verão quando eu dei uma volta pela Córsega. Eu andei a estrada GR-20. Foi difícil, mas a aliança entre as altas montanhas e o mar fez com que fosse maravilhoso.

Quantos quilômetros fez?
Éramos em sete pessoas e durou 15 dias, mas não sei quantos quilômetros fizemos. A verdade é que, quando se caminha não se conta, porque a dificuldade das trilhas faz você percorrer às vezes, poucos quilômetros em um dia. Quando se caminha mais fácil, através de estradas planas, como os andarilhos, a média é de 40 quilômetros por dia.

E o que acha dos aplicativos que calculam a distância e até mesmo as calorias consumidas?
Não uso. O importante é ter uma visão geral e que você só consegue com um mapa desdobrável. Em relação as calorias, quando se caminha sete ou mais horas, a maior preocupação é chegar ao próximo abrigo.

Em seu ensaio você associa a caminhada com grandes filósofos, por quê?
Esses pensadores transformaram as montanhas e florestas em locais de trabalho. Para eles, o andar não era um esporte ou um passeio turístico. Realmente, eles saíam com seus cadernos e lápis para encontrar novas ideias. Solidão era uma das condições para a criação.

caminharE a relação entre a caminhadas e as suas ideias?
Existem maneiras de caminhar que na verdade são estilos filosóficos. Por exemplo: Kant era sério e disciplinado, e é um filósofo que exige provas muito rigorosas com definições estritas. Ele tinha um jeito de andar que consistia em fazer todos os dias a mesma caminhada, na mesma hora. A escrita de Nietzsche, muito mais dispersa, com menos coesão, tem a ver com o fato de que ele procurava com o caminhar, sentimentos de energia e luz. Sua escrita é muito forte e rápida, não tão demonstrativa como a de Kant.

O que você quer dizer quando escreve sobre a perda da identidade que acontece quando se anda?
Bem, os efeitos da intensidade do passeio podem variar. Se você andar por quatro ou seis horas você está acompanhado de si mesmo, você pode dar atenção às suas memórias ou ter novas ideias. Mas depois de oito ou nove horas, o cansaço é tal que já não se sente o corpo. Toda a concentração é dirigida para o impulso de avançar. É quando ocorre a perda de identidade, devido à fadiga extrema. Caminhamos para nos reinventar, para nos dar outras identidades, outras possibilidades. Acima de tudo, ao nosso papel social. Na vida diária tudo está associado a função, uma profissão, um discurso, uma postura. Andar a pé é se livrar disso tudo. No final, a caminhada é não mais do que uma relação entre um corpo, uma paisagem e uma trilha.

Mas cada vez se anda menos, especialmente nas cidades, onde cada vez mais pessoas vivem.
No Terceiro Mundo, ao contrário, se anda muito. Mas é verdade que nas cidades isto está desaparecendo. Elas não são feitas para os pedestres.

Os jovens também não andam a pé.
As novas gerações consideram, e eles podem estar certos, que você tem que ser louco para ir aos lugares a pé, especialmente quando têm à disposição todos os tipos de invenções técnicas que fazem com que não tenham que andar. Para eles, a caminhada é um pouco monótona, em parte porque eles se acostumaram a mudar as telas de imagens que usam muito rapidamente e, quando andamos, as paisagens evoluem muito lentamente. Além disso, quando caminhamos, é sempre a mesma coisa.

E isso é visto como chato.
Para algumas pessoas, a caminhada é o exato oposto do significado de prazer porque nós tendemos a comparar prazer com excitação. E para que haja excitação é preciso uma novidade. Diante disso, descobrir o prazer de caminhar pode ser algo completamente exótico. Descobre-se uma dimensão que hoje está praticamente banida de nossa vida: a lentidão, a presença física. Durante a caminhada, todos os sentidos estão presentes: ouvimos os ruídos da floresta, se percebem as luzes.

E quem mais caminha são os aposentados?
Os sábios de antigamente tinham um ditado que pode nos surpreender hoje, “tenha pressa para chegar à velhice.” Eles consideravam que a velhice seria o tempo de vida em que poderíamos nos livrar de tudo e nos envolver com o cuidar de nós mesmos, le souci de soi (a atenção para si, apud Michel Foucault ), cura sui em latim. A caminhada também não tem nada de violenta ou brutal. Há uma regularidade nela que tranquiliza, acalma. E isso está longe de qualquer busca de resultado. Assim, a primeira frase do livro é “andar não é um esporte.” Não faça marcas, não tente superar a si mesmo. Andar a pé é uma experiência autêntica, embora talvez não seja moderna.

Andar libertou você da vida acadêmica? Eu li que você está preparando um livro sobre a desobediência.
Thoreau escreveu o primeiro livro em pé e, curiosamente, também escreveu o primeiro livro sobre a desobediência civil. É verdade que a caminhada nos ensina a desobedecer. Porque andar nos obriga a ter uma distância que é também uma distância crítica. No mundo acadêmico, todo mundo é obrigado a provar o que diz. Neste livro eu queria explorar sonhos. A provocação que faço aos pensadores, é que você não é o que você pensa, mas como você anda. Eu não queria voltar para as doutrinas, mas sim explorar os estilos.

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Fonte: El Mundo

A importância das árvores

Publicado: 21/09/2015 por Kakao Braga em Atualidades, Meio Ambiente
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arvores2Não importa se em português, italiano, africâner, alemão, árabe, chinês, espanhol, francês, grego, hebraico, inglês,  japonês, polonês, russo, suaíle, turco, irlandês, hindi ou tcheco.

“Cada árvore é única na sua textura, cor, cheiro, folhas, flores e frutos, não tem frente e nem costas, crescem para todos os lados e continuamente, querendo abraçar e acolher todos que chegam à sua volta. Ela nos fornece alimento, ar, sombra e muitos materiais, com os quais podemos desenvolver incontáveis produtos aplicando nossa sabedoria e criatividade. Está sempre presente – como um símbolo maior, marcante e sábio. Acompanham nossas histórias, gerações após gerações, nunca se fazendo indiferente à presença do ser humano, ao contrário, sempre nos dando muito do que necessitamos. Porém, com o tempo, nós passamos simplesmente a tirar o que precisamos, sem medir as conseqüências do que deixaríamos para o futuro.

A humanidade aprendeu e cresceu muito pesquisando suas propriedades. As mais variadas religiões e culturas sempre valorizaram sua presença como ser vegetal de presença análoga à do homem. Desde pequenos sentimos e experimentamos as árvores em nossas vidas, mesmo que de uma forma inconsciente… Mas com a vida moderna das grandes cidades, nos transformamos em pessoas individualistas e fragmentadas criando uma cisão no nosso contato com a natureza.

arvores1A essência da beleza humana está protegida dentro da nossa alma, assim como uma semente que a árvore gera para se multiplicar. Todo nosso potencial e valores estão dentro dessa semente que temos que cuidar alegremente, dando condições para esses valores tão belos brotarem, crescerem e inspirarem… E podemos acessá-los através do cuidado, respeito e amor com outros seres da natureza!” – Texto de Juliana Gatti

Os benefícios que a árvore nos traz são inúmeros e variados. Sua importância é estar associada à vida, ao ar que respiramos. Daí a necessidade de mantermos o equilíbrio das florestas, preservando as matas nativas e mantendo protegidos os mananciais, onde fauna e flora encontram ambientes diferenciados. Benefícios: Proteção dos Solos (Evitam a erosão. A erosão leva embora as sementes que poderiam germinar); Proteção de rios e nascentes (Evitam o assoreamento e contaminação); Fertilização (Trazem nutrientes do subsolo para a superfície e formam húmus com a queda de seus galhos e folhas); Fornecimento de materiais (madeira, papel, carvão, substâncias medicinais, além de óleos, resinas, gomas, essências, mel, frutos, flores, entre outros); Preservação da vida silvestre e de plantas (servem para abrigo, alimentação ou reprodução de animais); Retirada de poluentes do ar; Influência na economia (servem como fonte de renda: indústria química, farmacêutica, cosmética, etc.); Influência no clima (influenciam na umidade, precipitação, escoamento superficial e temperatura, entre outros fatores); Diminuição de ruídos externos; Embelezamento da cidade e valorização dos imóveis do ponto de vista ambiental, paisagístico e econômico; Contribuição para o equilíbrio psicossocial, transmitindo sensação de calma e conforto às pessoas.

arvoresA importância das Árvores:

  • Uma grande árvore pode providenciar as necessidades de oxigênio para nossa existência
  • Retém CO2
  • Árvores podem reduzir a incidência de asma, câncer de pele e doenças relacionadas ao estresse, pois ajudam a diminuir a poluição do ar, promovem sombreamento e um ambiente atrativo, calmo e adequado para recreação
  • Ajudam a reduzir em até 10% o consumo de energia por meio do efeito de moderação climática local
  • Desenvolvem um papel importantíssimo no ecosistema pois são responsáveis por manter mais de 50% da biodiversidade
  • Árvores reduzem poluição sonora e os ventos, mantendo umidade do ar e chuvas regulares
  • Fornecem base para produtos como medicamentos e chás, além de frutas, flores, sementes, fibras, madeira, látex, resinas e pigmentos
  • Promovem saúde dos solos e evitam erosão com suas raízes
  • Beleza natural para nossos olhares e almas
vidro1Embora não existam dados precisos sobre sua origem, não se pode negar que o vidro foi uma das descobertas mais surpreendentes da humanidade. Arqueólogos encontram seus vestígios há 6.000 anos em terras habitadads pelos antigos egipícios, fenícios, caldeuse e outros povos da época.
Alguns autores apontam como precursores os navegantes fenícios, que ao voltarem do Egito ancoram às margens do Rio Belus, onde desembarcaram as sacas com um produto a base de carbonato ou nitrato de sódio usado para tingir a lã. Acenderam uma fogueira e colocaram ao seu redor, pedaços de natrão[carbonato de sódio] para apoiar os utensílios para o cozimento dos alimentos. Após se alimentarem foram dormir e mantiveram o fogo aceso durante a noite. Ao acordarem, em lugar dos blocos, encontraram um material brilhante e transparente que lembrava pedras preciosas, sem antes de observarem que a areia existente debaixo dos blocos tinha desaparecido. À tarde, fizeram nova fogueira e colocaram os materiais junto a fogueira e viram escorrer umlíquido incandescente que logo se solidificou. Fizeram várias tentativas e conseguiram modelar rusticamente, algumas figuras.
Outros dizem que o vidro foi descoberto pelos mercadores fenícios que atravessavam o deserto e utilizavam placas de nitrato de sódio sob as panelas para o preparo dos alimentos e perceberam no solo um material desconhecido: o vidro. Estudos apontam ainda que os primeiros objetos de vidro que se tem notícia foram encontrados dentro das piramides egípcias.
As técnicas de fabricação só se desenvolveram por volta de 100 a.C. quando os romanos começaram a utilizar o sopro, dentro de moldes, e passaram a produção em série. O ápice do processo se deu no século XII, em Veneza. Por conta de incêndios em fabriquetas de vidros, a atividade foi transferida para Murano, ilha próxima de Veneza. Lá, se desenvolveram os vidros coloridos e espelhos que até hoje garantem a fama dos cristais de murano.
Mas eram ainda em pequena escala comercial, só no século XVIII, Luiz XIV e mestres vidreiros abriram uma indústria de vidros, a Companhia Saint-Gobain, para que fossem feitos os espelhos do Palácio de Versalhes na França. A indústria se notabilizou pelo seu notável grau de perfeição . A empresa existe até hoje, e é uma das mais antigas do mundo.
Durante a Revolução Industrial o processo passou a ser mecanizado. Em 1950, a fabrica inglesa Pilkington começou a providroduzir os vidros tipo Float (planos, de excelente uniformidade e com quase nenhuma distorção óptica) que revolucionaram a tecnologia do vidro e se tornaram padrão mundial de qualidade de vidro plano.
No Brasil
A primeira oficina de vidro no Brasil foi montada por quatro artesãos que acompanhavam o príncipe Maurício de Nassau, durante as invasões holandesas entre 1642 e 1635, em Olinda e Recife (PE). Fabricava vidros para janelas, copos e frascos. Com a saída dos holandeses, a fábrica fechou.
O vidro voltou a entrar no mapa econômico do país a partir de 1810, quando, em 12 de janeiro daquele ano, o português Francisco Ignácio da Siqueira Nobre recebeu carta régia autorizando a instalação de uma indústria de vidro no Brasil. A fábrica instalada na Bahia produzia vidros lisos, de cristal branco, frascos, garrafões e garrafas. Ela entrou em operação em 1812. Em 1825, fechou em função de dificuldades financeiras.
Em 1839, um italiano, de nome Folco, funda no Rio de Janeiro a fábrica Nacional de Vidros São Roque, com 43 operários italianos e brasileiros, com fornos à candinhos e processo inteiramente manual. Sofre a concorrência das importações de produtos da Europa e sobras de consumo que são vendidas a qualquer preço. Já em 1861, a indústria vidreira brasileira apresenta os seus produtos na exposição nacional na Escola Central, no largo São Francisco, no Rio de Janeiro.
Em 1878, Francisco Antônio Esberard funda a fábrica de Vidros e Cristais do Brasil em São Cristóvão (RJ). A fábrica trabalhava com quatro grandes fornos e três menores, e com máquinas a vapor e elétrica. Fabricava vidros para lampiões, janelas, copos e artigos de mesa e importava suas máquinas da Europa para fabricar garrafas e frascos. O seu cristal era comparado ao da tradicional Bacarat. Empregava 600 pessoas entre operários e artistas do vidro. A fábrica de Vidro Esberard esteve ativa até 1940. Outra fábrica de destacada presença foi a Fratelli Vita, da Bahia, fundada em 1902, que produziu garrafas para sodas, refrigerantes, e cristais de qualidade.
Até o século XX, a produção de vidro era essencialmente artesanal, utilizando os processos de sopro e de prensagem, sendo as peças produzidas uma a uma. Foi a partir do início do século XX que a indústria do vidro se desenvolveu com a introdução de fornos contínuos a recuperação de calor e equipados com máquinas semi ou totalmente automáticas para produções em massa.
Em 1982, a indústria francesa Saint-Gobain e a inglesa Pilkington uniram suas forças para construir a primeira fábrica de vidro float do Brasil, a Cebrace, na região do Vale do Paraíba, no estado de São Paulo.
A primeira linha foi construída em Jacareí(SP) em 1982, a segunda em Caçapava(SP) em 1989, e a terceira também em Jacareí, em 1996. Em 2004, a Cebrace inaugura sua quarta linha em Barra Velha (SC).Em 2012, o C5 entra em atividade em Jacareí com a capacidade produtiva de 920 t/dia. Juntas, as cinco unidades produzem 3.600 t/dia.
Em 2013, a Cebrace inaugura a primeira linha de espelhos da América Latina capaz de produzir em jumbo e o investimento no maior coater dos grupos NSG/Pilkington e Saint-Gobain agora no Brasil, responsável pela produção de vidros de proteção solar e seletivos.
Definição
O vidro é uma substância inorgânica, homogênea e amorfa, obtida através do resfriamento de uma massa em fusão. Suas principais qualidades são a transparência e a dureza. O vidro tem incontáveis aplicações nas decoracao-da-sala-vidromais variadas indústrias, dada suas características de inalterabilidade, dureza, resistência e propriedades térmicas, ópticas e acústicas, tornando-se um dos poucos materiais ainda insubstituível, estando cada vez mais presente nas pesquisas de desenvolvimento tecnológico para o bem-estar do homem.
Qualidades
  • Reciclabilidade
  • Transparência (permeável à luz)
  • Dureza
  • Não absorvência
  • Ótimo isolador dielétrico
  • Baixa condutividade térmica
  • Recursos abundantes na natureza
  • Durabilidade

almanaque-1Quem nunca teve uma almanaque em suas mãos não existe. Os almanaques viraram mania. Mas, antigamente, eles eram até mais comuns! Os almanaques – publicações que divulgam textos bem variados, tratando de temas diversos – muitas vezes eram os materiais de leitura mais acessíveis e estavam presentes nos mais diversos contextos e momentos sociais.

Os almanaques são publicações anuais, sob o formato de calendário, e apresentam indicações astrológicas, previsões meteorológicas destinadas aos agricultores, orientações sobre saúde e comportamento, além de curiosidades, provérbios, receitas, etc. Neste sentido, a publicação mais conhecida deste gênero ainda em circulação é o Almanaque do Pensamento, tradicional anuário editado desde 1912, em São Paulo, pela Editora Pensamento.
Desde as primeiras décadas do século XX, em várias partes do mundo, a publicação de almanaques anuais gozou de grande prestígio junto às famílias, sendo tamanha a sua abrangência e importância no cotidiano que um tradicional almanaque francês, o Almanach Hachette, se subintitulava Petite Encilopédie Populaire de la Vie Pratique (Pequena Enciclopédia Popular da Vida Prática).
250px-Poor_Richard_Almanack_1739Aqui no Brasil os almanaques também eram considerados uma minienciclopédia do cotidiano. Até meados dos anos 70 as famílias letradas procuravam, ao fim de cada ano, os almanaques do ano vindouro, sem que isso significasse o descarte do almanaque “vencido”. Neles, diversão e informação se misturavam de maneira tão singular que era sempre possível, e comum, numa relida, descobrir alguma novidade.
Existiram almanaques de todos os tipos e para todos os gostos. Eles podem ser ao mesmo tempo úteis, lúdicos e prazerosos, didáticos, de devoção, temáticos, tradicionais ou modernos ou tudo isso junto! Afinal, parece que seu objetivo maior sempre é o de responder a todas as perguntas e curiosidades. Nos diferentes tipos de almanaques podemos encontrar informações como: datas importantes e comemorativas, calendários dos santos de cada dia, fases da lua e até textos poéticos (contos, poesia, crônicas ou enciclopédicos), ou seja, nos almanaques tem de tudo um pouco.

Os “Almanaques de Farmácia” são um exemplo dessa diversidade. Eram publicados com o patrocínio de laboratórios farmacêuticos que os utilizavam como estratégia publicitária principalmente para os seus fortificantes e medicamentos. Assim, eram distribuídos gratuitamente pelas empresas e laboratórios em grandes tiragens fazendo com que seus exemplares chegassem às regiões mais distantes do país. Talvez venha daí o fato dos almanaques de farmácia terem sido os mais populares e até hoje estarem presentes nas lembranças dos mais variados e modestos leitores.

Se se perguntasse para alguém mais velho da família sobre almanaques, com certeza surgirão nomes engraçados como: OPharol da Medicina, Almanaque Sadol, Almanaque do Licor de Cacau Xavier, Almanaqualmanaque-biocore Dr. Schilling, Almanaque Saúde da Mulher, Almanak de Bristol, Almanaque Capivarol, Almanaque Bayer, Almanaque Gessy… Ufa! Ah, e é claro: o Almanaque Biotônico Fontoura, provavelmente o mais conhecido de todos.

O Almanaque Biotônico Fontoura, lançado em 1920, foi criado (elaborado e ilustrado) por ninguém menos que Monteiro Lobato! Lobato criou nas suas páginas o folclórico personagem Jeca Tatu, o caipira que fez tanto sucesso que apareceu também nos seus livros infantis.

Os almanaques farmacêuticos do século XX formaram um capítulo importante da história da leitura no Brasil.

Origem da palavra Almanaque

Do árabe almanakh : Tem várias hipóteses para sua origem. A mais sóbria diz que vem de al-manaj, o círculo dos meses: manaj parece ser a arabização do vocábulo latino manacus, que designava o círculo do relógio solar que marca a sucessão dos meses. Combina com a finalidade primordial dos almanaques, que sempre foi a de publicar o calendário com as estações, a lunação, os eclipses etc. Outra hipótese, muito mais imaginativa, também passa pelos árabes: o vocábulo viria de al-manah: lugar onde se pára numa viagem, local onde o camelo descansa, referindo-se às 12 paradas que a Terra faria no seu trajeto ao redor do Sol, nas casas do zodíaco, e lembrando, ao mesmo tempo, o local onde os condutores de caravanas estacionavam para descansar e trocar entre si notícias, histórias curiosas e fatos pitorescos, bem ao modo dos almanaques modernos.

Ainda outra origem por vezes mencionada é que palavra vem do árabe al-manakh, o lugar onde onde o camelo se ajoelha, onde os nômades se reuniam para rezar e contar as experiências de viagens ou notícias de terras distantes. Em português

Originalmente, almanaque (do árabe al-manakh) é o lugar , a parada numa viagem, ou seja, é hora de descanso e abastecimento para os camelos e provavelmente também para seus “tripulantes”.